Soja: encontro Trump-Xi pode movimentar o mercado
China, clima e petróleo definem atenção nesta semana
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O mercado de soja deve acompanhar uma série de fatores nos próximos dias, com destaque para o encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, o avanço da colheita nos Estados Unidos e o início do plantio da safra 2026/27 no Brasil. Segundo dados divulgados pela Grão Direto na análise “Direto do Campo”, da Grainsights, publicada nesta terça-feira (22), clima, exportações, petróleo, atuação dos fundos e prêmios de exportação também devem influenciar as cotações.
O encontro entre Trump e Xi Jinping, em Washington, aparece como o principal evento para o mercado de grãos nesta semana. Os operadores monitoram a possibilidade de anúncios de novas compras agrícolas chinesas e a extensão da trégua comercial entre os dois países, que expira em novembro.
Às vésperas da reunião, a China já vinha apresentando sinais de maior participação no mercado. Segundo dados divulgados pela Grão Direto, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou, somente em setembro, múltiplas compras de soja norte-americana pelo país asiático. A última operação mencionada na análise foi registrada na sexta-feira, antes do encontro entre os presidentes.
O avanço da colheita nos Estados Unidos também deve limitar o espaço para altas no curto prazo. Com os trabalhos avançando para uma faixa de 15% a 25%, um volume maior de grãos começa a chegar ao mercado, aumentando a oferta disponível.
Segundo dados divulgados pela Grão Direto, o movimento pode pressionar a capacidade de armazenagem nos Estados Unidos e reduzir os prêmios pagos nos mercados locais. Com maior disponibilidade de produto e menor espaço para valorização, a análise aponta dificuldade para a CBOT avançar no curto prazo.
No Brasil, o mercado deve acompanhar o ritmo do plantio da safra 2026/27, especialmente nas principais regiões produtoras. Em Mato Grosso, a irregularidade das chuvas pode dificultar o trabalho das máquinas e atrasar o calendário.
Já na região Sul, o excesso de chuva pode prejudicar tanto o plantio quanto o desenvolvimento inicial das lavouras. Segundo dados divulgados pela Grão Direto, uma intensificação desses problemas climáticos pode levar o mercado a precificar um risco maior para a produção brasileira.
As exportações também estão no radar. Segundo dados divulgados pela Grão Direto, as projeções de vendas externas do USDA ainda precisam ser confirmadas por meio dos relatórios semanais de Export Sales, especialmente em relação à demanda chinesa.
Caso o apetite asiático recue de forma repentina nas próximas semanas, a percepção de superoferta pode aumentar e pressionar ainda mais os preços da soja.
Ao mesmo tempo, as condições do sistema do Rio Mississippi exigem atenção. A hidrovia é uma das principais rotas de escoamento de grãos nos Estados Unidos, e níveis baixos de água podem elevar o custo do transporte por barcaças e, consequentemente, aumentar o preço FOB no Golfo.
O mercado de energia também pode influenciar o complexo da soja. Com o petróleo em níveis elevados, as margens de produção de biodiesel tendem a ficar mais atrativas, aumentando o interesse pelo uso de óleo vegetal na fabricação de combustíveis.
Segundo dados divulgados pela Grão Direto, esse cenário pode fortalecer a demanda por óleo de soja, especialmente nos Estados Unidos, e contribuir para sustentar as cotações do complexo.
Uma demanda industrial mais firme pelo óleo também reduz parte da pressão sobre o grão. Esse movimento pode funcionar como suporte aos preços em períodos de maior oferta de soja.
Outro ponto de atenção é o comportamento dos fundos de investimento. A proximidade do fim do trimestre e do mês de setembro pode aumentar a movimentação dos grandes fundos de hedge.
Segundo dados divulgados pela Grão Direto, os gestores tendem a ajustar posições e rebalancear carteiras diante do novo cenário de juros nos Estados Unidos. Esse movimento pode elevar a volatilidade dos preços agrícolas, principalmente em caso de redução das posições em commodities e saída de capital de ativos considerados mais arriscados.
Os prêmios de exportação nos portos de Santos e Paranaguá também podem passar por ajustes. Com a chegada de uma oferta maior de soja dos Estados Unidos, as tradings brasileiras podem precisar reduzir os preços para preservar a competitividade nas vendas destinadas à China.
Segundo dados divulgados pela Grão Direto, esse movimento tende a pressionar os prêmios de exportação e pode reduzir o valor pago pela soja nas cooperativas e no mercado interno.
Diante desse cenário, o mercado de soja entra na semana sob influência simultânea de decisões comerciais, avanço da oferta norte-americana, condições climáticas no Brasil, demanda chinesa, mercado de energia, movimentação dos fundos e formação dos prêmios nos portos.