SOJA: paridade com Chicago indica baixa margem de queda nos preços


Agronegócio

SOJA: paridade com Chicago indica baixa margem de queda nos preços

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As projeções de preços para a soja diariamente divulgadas pela SoloBrazil levam sempre em consideração a paridade de valores entre os fechamentos na Bolsa de Chicago e as regiões produtoras do Mato Grosso, Paraná, Goiás e São Paulo. Com estas regiões, procuramos chegar a uma média que represente o melhor possível a região Centro-Sul do Brasil.

A diferença entre a formação dos preços nestas regiões produtoras e a Bolsa de Chicago varia de ano a ano e especialmente entre safra e entressafra no Brasil e nos EUA. Durante a entressafra brasileira, as cotações da soja podem se aproximar bastante dos níveis em Chicago. Recentemente no final do ano de 2001, os preços no Brasil chegaram até mesmo a superar os níveis internacionais, de modo que a paridade entre estes dois mercados ainda está longe de ser perfeita.

Além dos fatores sazonais, a oscilação natural da paridade entre as cotações no Brasil e em Chicago ainda é reflexo de distorções no mercado internacional (como é o caso dos subsídios), oscilações possíveis na oferta/demanda doméstica dos principais países, em custos de frete, seguros e serviços portuários, além claro, das freqüentes mudanças macroeconômicas internas (como a instabilidade cambial e altas taxas de juros).

Nos últimos 03 anos, em média, a paridade entre os fechamentos na Bolsa de Chicago e os preços registrados nas regiões produtoras dos 04 Estados acima abrangidos, tem variado entre US$ 25,0 a até 50,0/tonelada de soja. Com isso, a margem de erro em nossas projeções é de certa forma considerável. Mas sem dúvida, a Bolsa de Chicago como formadora original dos preços da soja é ainda a principal base referencial para o mercado brasileiro.

A nossa última projeção para os preços da soja no Brasil, com base na paridade com a Bolsa de Chicago, está resumida no quadro abaixo. Ressalta-se que esta projeção levou em consideração os fechamentos em Chicago do dia 21/fevereiro e o câmbio de R$ 3,60/dólar. Confira o resultado:

R$/60 kg mês Goiás Paraná SP MG

atual FEV 37,00 42,11 37,33 34,38

projetado MAR 38,93 39,84 39,98 35,61

projetado MAIO 33,89 36,39 36,21 33,78

média mar/maio 36,41 38,11 38,09 34,69

sualizando os atuais preços indicados neste mês de fevereiro, percebe-se que pela paridade com o mercado internacional, tecnicamente não haveria mais margem de queda nas cotações para o próximo mês de março em Goiás, São Paulo e Mato Grosso. Nestas regiões, como demonstrado no quadro acima, os indicadores já estão abaixo da paridade futura para o próximo mês. Nos últimos dias, mesmo com o avanço das colheitas precoces, as cotações no Mato Grosso e em Goiás chegaram até mesmo a subir, em um processo de ajuste mais próximo com a respectiva paridade internacional. No Mato Grosso, os preços na segunda semana deste mês recuaram a R$ 34,0/sc, mas voltaram a subir ligeiramente nos últimos dias. Em Goiás a recuperação foi mais expressiva, sendo que os preços chegaram a R$ 34,0/sc no início de fevereiro, mas reajustando-se posteriormente aos atuais R$ 37,0/sc.

Já no Paraná, a projeção indica uma possibilidade de recuo nos preços em torno de 5,4% até o próximo mês de fevereiro. Com as cotações nas regiões produtoras atualmente sendo registradas em média a R$ 42,11/sc, há a possibilidade de que este nível recue para algo em torno R$ 39,84/sc em março, sempre lembrando, que estamos considerando os preços futuros internacionais nos níveis do dia 21/fevereiro e o câmbio a R$ 3,60/dólar.

Com os fracos níveis no mercado internacional, a manutenção dos preços no Paraná e em São Paulo, assim como a alta em Goiás e Mato Grosso foi basicamente estimulada pela valorização do dólar, variável esta, que deverá ter uma influência maior do que os preços em Chicago no direcionamento do mercado interno nos próximos meses de colheita.

Com as últimas projeções indicando um reajuste positivo na safra americana colhida no ano passado e mais o breve recorde de oferta neste ano no Brasil, Argentina e Paraguai, os preços internacionais estão praticamente em fase de recuperação, em direção aos níveis atingidos no início do ano. Se observarmos um período um pouco mais longo, veremos que os preços em Chicago praticamente oscilaram dentro da mesma média nos últimos 7 meses.

Sendo assim, mantendo estáveis o mercado internacional e o câmbio, e se a comercialização da safra brasileira seguir a paridade com a Bolsa de Chicago, entre os 04 Estados, há margem de queda nos preços da soja durante o mês de março apenas no Paraná.

Já a paridade futura para o mês de maio indica um recuo modesto em todos os Estados e em níveis praticamente insignificantes no Mato Grosso. Os índices projetados de queda até o mês de maio em relação a este mês de fevereiro são de apenas 9,5% no Paraná, 8,4% em Goiás, 3% em São Paulo e 1,7% no Mato Grosso (veja o quadro acima).

Levando em consideração agora a média dos fechamentos na Bolsa de Chicago para os contratos com vencimento em março e maio, a SoloBrazil projeta preços para os Estados do Paraná, São Paulo, Goiás e Mato Grosso em torno de US$ 10,23/sc nos próximos três meses, cerca de 20% acima do mesmo período do ano passado. Convertida em moeda corrente, ao dólar de R$ 3,60, esta projeção para o período de colheita é estabelecida em R$ 36,83/sc, ou seja, um recuo médio de apenas 2,4% em relação a este mês de fevereiro.

Além do mercado internacional e do câmbio, pelo menos outros dois fatores podem proporcionar um recuo dos preços maior do que o indicado por esta paridade internacional. O primeiro e talvez o mais importante, é a safra brasileira acima de 50,0 milhões ton este ano, a qual pode exercer uma pressão negativa maior sobre os preços do que em anos anteriores e aumentar a paridade entre os preços no Brasil e em Chicago. Um ponto extremamente positivo e que pode de certa maneira anular este impacto, é o alto índice de vendas antecipadas no País, as quais atingiram níveis médios superiores a 35% nesta safra e que ao lado da melhor capitalização do setor produtivo, pode contribuir para que o produtor não se precipite em comercializar rapidamente o restante da safra brasileira no curto prazo.

O segundo e último fator é o iminente conflito militar entre EUA e Iraque, o qual além de refletir em uma instabilidade cambial e altas taxas de juros internamente, pode prejudicar o ritmo das transações comerciais em todo o mundo. É vital que o ritmo da demanda mundial pela soja e conseqüentemente os embarques do produto no Brasil nos próximos meses de abundante oferta interna não sejam prejudicados, justamente neste ano, quando a safra sul americana será significativamente maior. Para este fator, um ponto positivo aos nossos embarques é a safra brasileira teoricamente não transgênica, o que pode facilitar cada vez mais a entrada do grão nacional em mercados importantes e exigentes, como a China.


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