O plantio da soja em Goiás na safra 2026/27 começou mais cedo após a antecipação extraordinária do calendário de semeadura para 20 de setembro, conforme a Instrução Normativa da Agrodefesa nº 5/2026. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), por meio do informativo Agro em Dados, a decisão considerou as condições climáticas e as possíveis janelas de umidade do solo, enquanto o mercado registra valorização da oleaginosa no Brasil e no exterior.
Plantio da soja em Goiás começa em setembro
A antecipação do calendário de semeadura da soja em Goiás foi motivada por demandas do setor produtivo e por um diagnóstico técnico das condições climáticas. A avaliação identificou possíveis períodos com umidade adequada no solo em diferentes regiões produtoras, favorecendo o início dos trabalhos no campo.
Segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até 25 de setembro, o plantio havia alcançado 1,0% da área prevista para a safra 2026/27 no estado. A definição da data de semeadura e da cultivar é importante para o planejamento da lavoura, especialmente em relação ao manejo fitossanitário e à organização das culturas em sucessão.
Semeadura antecipada pode ajudar no controle da ferrugem-asiática
Em condições favoráveis, o início do plantio dentro da janela recomendada amplia a flexibilidade do produtor na escolha de cultivares de ciclo mais longo. Segundo a Embrapa, semear no começo do período recomendado também pode funcionar como estratégia de escape à ferrugem-asiática. A prática reduz o tempo de exposição da lavoura ao patógeno e pode contribuir para racionalizar o uso de fungicidas. Outro fator importante é o planejamento da cultura em sucessão, principalmente o milho de segunda safra. O atraso na colheita da soja pode diminuir a janela disponível para a implantação da cultura seguinte, afetando o calendário agrícola.
China segue como principal compradora da soja brasileira
No mercado internacional, a China permanece como principal importadora mundial de soja em grão. Segundo projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as aquisições chinesas devem alcançar 115 milhões de toneladas na safra 2026/27. Em 2025, o país asiático respondeu por 79,0% do volume de soja exportado pelo Brasil, o equivalente a 85,4 milhões de toneladas.
Nesse cenário, um novo acordo comercial entre China e Estados Unidos prevê o compromisso chinês de comprar 25 milhões de toneladas de soja norte-americana por ano entre 2026 e 2028.
Apesar disso, a soja dos Estados Unidos permanece sujeita a uma tarifa de 13,0% no mercado chinês, enquanto o produto brasileiro enfrenta uma alíquota de 3,0%. Essa diferença mantém uma vantagem tarifária para a soja brasileira.
Soja registra máximas do ano em Chicago e no mercado brasileiro
As cotações da soja apresentaram valorização nos mercados internacional e brasileiro. Na Bolsa de Chicago (CBOT), o preço atingiu US$ 13,28 por bushel — equivalente a US$ 29,28 por saca — em 21 de setembro de 2026, a maior cotação do ano, segundo os dados apresentados no informativo Agro em Dados.
No mercado interno, a oleaginosa também alcançou os maiores patamares de 2026 durante setembro. O pico foi registrado em 17 de setembro, quando a saca chegou a R$ 162,02. Em termos nominais, esse valor não era observado desde março de 2023. A valorização ocorre em um contexto de atenção às condições de produção, ao comércio internacional e à demanda chinesa, fatores relevantes para o mercado da soja brasileira.