Soja argentina tolerante à seca deve chegar ao Brasil em 2021

Agronegócio

Soja argentina tolerante à seca deve chegar ao Brasil em 2021

Transgênico depende de aprovação na China para começar a ser cultivado em diferentes países
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Apresentado ao mundo em 2015, o transgênico depende de aprovação na China para começar a ser cultivado em diferentes países

Aprovada na Argentina em outubro de 2015, a soja transgênica tolerante à seca chama a atenção por ser a primeira variedade da leguminosa, no mundo, a ter essa característica. Mas, nem em função do seu potencial, ela deve chegar tão cedo às lavouras.

A tecnologia foi desenvolvida pela Universidade Nacional do Litoral em parceria com a empresa argentina Indear, do grupo Bioceres, e permanece fora de comercialização. Gerónimo Watson, gerente de desenvolvimento da Indear, afirma que antes de dar início à venda de sementes é preciso que seja aprovada a importação da soja pela China, maior compradora do grão no mercado mundial.

O processo costuma ser lento. “A decisão depende das agências reguladoras, e nossa perspectiva, por enquanto, é de ter uma liberação, ainda que limitada, no início de 2018”, diz Watson. Segundo dados da Administração Geral de Alfândegas da China, entraram no país asiático, em 2015, 81,69 milhões de toneladas de soja, 14% a mais do que no ano anterior. Grande parte desse volume sai dos Estados Unidos, Argentina e Brasil.

Transferência de tecnologia - Na corrida por produtividade, os maiores países exportadores não querem ser deixados para trás. Hoje, nos Estados Unidos, a joint-venture Verdana, formada pela Bioceres e Arcadia Biosciences, é a empresa responsável pelo melhoramento da cultivar de soja tolerante à seca para semeadura nas lavouras norte-americanas.

Enquanto isso, no Brasil, o licenciamento foi acordado com a TMG. O gestor de pesquisa da empresa, Alexandre Garcia, afirma que desde o início do processo de transferência de tecnologia, que começou em 2014, a TMG vem trabalhando em novos cruzamentos. “Nosso objetivo é desenvolver variedades adaptadas às condições brasileiras e, que combinem à tecnologia argentina a resistência à ferrugem asiática ou ao nematóide do cisto, por exemplo, que são ferramentas que a gente já tem”.

Segundo ele, diferentes variedades devem atender à demanda de Norte a Sul do país. Nesta safra, serão feitos os primeiros testes a campo com materiais melhorados em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. A expectativa é de que a tecnologia chegue aos produtores brasileiros no ano safra 2021-2022.

Para que isso aconteça, além dos avanços quanto ao melhoramento genético, a TMG precisará aprovar o transgênico na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). “Hoje, a Argentina e os Estados Unidos já têm cada um a sua aprovação. O próximo passo é ter a liberação na China, no Brasil e na Europa”, diz Garcia.

Maior produtividade - Nos testes feitos no último ano com a soja transgênica argentina, tanto no país como nos Estados Unidos, Watson conta que a cultivar produziu entre 15% e 20% mais em condições de seca moderada comparativamente à soja convencional. “É importante dizer que em condições normais, no entanto, ela não tem um aumento no rendimento, mas tampouco causa prejuízo à produtividade da planta”.

Considerando o contexto argentino, o gerente da Indear calcula que a soja convencional em situação de seca moderada produza em torno de 2,5 ton/ha, enquanto a transgênica pode chegar a 3 ton/ha. Na última safra, a Argentina semeou 20,1 milhões de hectares de soja. Segundo Watson, em torno de 90% desse total é de OGMs.


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