Soja convencional cada dia mais rara no mercado interno
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Agronegócio

Soja convencional cada dia mais rara no mercado interno

A estimativa da Céleres é que a colheita geneticamente modificada passe de 62% para 64,7% da área total
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Exportar soja não-transgênica está cada vez mais difícil, não por falta de comprador, mas por fornecedor. As indústrias que trabalham com este tipo de produto estão precisando buscá-lo cada vez mais longe e, outras, como a Cooperativa Três de Maio (Cotrimaio) praticamente desistiram deste nicho de mercado. Na Solae, a matéria-prima atravessa estados, assim como na Caramuru - apesar de que parte da produção ainda é comprada em Goiás. E, para esta safra, a situação pode piorar: a estimativa da Céleres é que a colheita geneticamente modificada passe de 62% para 64,7% da área total.

"Ainda não sabemos como vai ser nesta safra", diz João Carlos Loro, gerente de Produção da Cotrimaio. No início do emprego da transgenia no Rio Grande do Sul - no final da década passada - a cooperativa fez um programa de não-transgênico e recebia um prêmio que variou entre 4% a 8%.
Naquela época chegou a produzir 110 mil toneladas de soja convencional. Na colheita passada, apenas 1 mil toneladas. A Cotrimaio era fornecedora da Solea e da Olvebra, ambas com unidades no Rio Grande do Sul. As estimativas do setor são de que 97% da soja gaúcha seja geneticamente modificada.

O vice-presidente da Caramuru Alimentos, César Borges de Sousa, diz que o valor pago pela soja convencional (prêmio) e o recebido compensam. "Mas não sabemos como será no futuro", acrescenta. Hoje, toda a soja industrializada pela empresa é não-transgênica. Ele estima que antes o raio de atuação era de, no máximo, 400 quilômetros e hoje são necessários 1 mil quilômetros atrás do grão - com a entrada em Mato Grosso.

Na Solea, o uso do não-transgênico é considerado "estratégico". "Os mercados europeu e asiático preferem o produto convencional", diz Daniel Casara, diretor de Operações da Solea. Segundo ele, desde 2004 a fábrica busca soja no Paraná. Mas, de acordo com ele, o valor recebido não tem compensado o gasto com frete. Segundo os cálculos de Casara, o gasto com frete do grão dentro do Rio Grande do Sul sai, em média, R$ 45 por tonelada. Para trazer o mesmo produto do Paraná, o custo fica em R$ 95 a tonelada. Por conta disso, o fornecedor paranaense recebe um prêmio menor que o gaúcho: 5% ante a 8% a 10% em relação ao preço da Bolsa de Chicago (CBOT).

Para Loro, a maior dificuldade de conseguir o grão convencional é a contaminação, aliado ao prêmio. "Para o produtor, o valor não estava compensando", afirma. Segundo ele, a região onde a soja é produzida para a cooperativa tinha muita erva-daninha e o produtor começou a enxergar no trasgênico uma vantagem. De acordo com o levantamento da Céleres para a safra 2008/09 é que o Sul plante 85% de sua área com grão geneticamente modificado.

O gerente de Produção da Cotrimaio conta que, no início do programa, o índice de contaminação era de, no máximo, 0,1% e, na última safra chegou a 0,7%. Diante de tão baixa oferta, na última colheita a cooperativa vendeu para apenas um comprador: a Solea.

Casara diz, no entanto, que a soja convencional gaúcha, diante da pouca quantidade, não representa nem 3% da necessidade da empresa. Por conta da contaminação do estado, o diretor de Operações da Solae afirma que ficou praticamente impossível a fidelização naquela região. No Paraná, no entanto, a empresa adquire o grão de cooperativas fiéis.

O vice-presidente da Caramuru acrescenta que é praticamente impossível não comprar de vendedores fidelizados. Segundo ele, a indústria faz um pré-contrato com o cliente externo e, deste modo, cria um pré-compromisso de compra com o sojicultor. "Se surge uma demanda adicional é difícil de atender. É preciso planejamento". 


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