Soja foi o pior investimento em 2004

Agronegócio

Soja foi o pior investimento em 2004

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Primeiro semestre será difícil para o campo. Os produtores de soja já viveram dias melhores. Em 2004, a soja foi o pior investimento do ano, perdendo para a bolsa, o ouro, a inflação e até mesmo para os modestos ganhos auferidos pela poupança. O último lugar no ranking de rendimentos coube ao farelo de soja, que caiu 31,3% no ano. Há dois anos, o óleo de soja ocupou o primeiro posto entre os mais lucrativos, com alta de 119% no ano. "Isso mostra como a agricultura é uma atividade altamente volátil", diz Renato Sayeg, diretor da Tetras Corretora. A Tetras comparou o desempenho da soja, do farelo e do óleo ao de seis indicadores financeiros para montar o quadro ao lado.

Sayeg ressalta que o quadro comparativo é uma análise linear. "Os preços da soja vinham subindo até maio, e só então começaram a cair, após o anúncio da supersafra americana", afirma. Entre janeiro e maio, as cotações da soja subiram 28,7% na Bolsa de Chicago. Entre maio e dezembro, os contratos, em queda livre, caíram 46,5%. "Muita gente ganhou dinheiro no primeiro semestre de 2004. Tudo depende da estratégia adotada pelo agricultor", diz.

Ressaca no campo

O estudo mostra que o ano não foi tão bom para o produtor brasileiro de soja. E tudo indica que este ano será igualmente difícil. "O agricultor não tem motivos para ser otimista", diz Sayeg. "Tudo indica que, após os ganhos apurados nos últimos anos, 2005 será um ano de ressaca no campo".

Ele lembra que os estoques mundiais de soja se recuperaram na última safra. Eles cresceram 53%, para 61 milhões de toneladas. Ao mesmo tempo, a oferta de grãos aumentou 21,5%, enquanto a demanda deve crescer num ritmo menor, de 9%, prevê o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda).

Por isso, a situação deve ser particularmente desanimadora no primeiro semestre deste ano. "Os preços da soja dificilmente alcançarão os níveis historicamente registrados para esta época do ano", diz Sayeg. Historicamente, a soja é negociada entre 580 e 600 centavos de dólar o bushel (US$ 12,78 a US$ 13,22 a saca). "O primeiro semestre de 2005 deve ser pior que o segundo semestre de 2004".

Redução de área nos EUA

O quadro pode mudar a partir de maio, quando serão publicadas as primeiras estimativas de plantio da safra americana. Sayeg aposta numa redução de 5% a até 8% da área cultivada. "Nos atuais níveis de preços, o agricultor americano tem mais estímulo para plantar milho ou algodão", afirma o corretor.

A queda da área plantada seria motivada pela tendência de preços mais baixos para a soja e pelo aumento dos custos, em razão do aparecimento dos primeiros focos do fungo da ferrugem asiática nos Estados Unidos. Estima-se que o fungo cause perdas de até US$ 1,3 bilhão às lavouras americanas. Seu combate elevaria em 15% a até 20% o custo de produção. "Além do aumento dos custos, o governo americano, por meio da Lei Agrícola, quer incentivar o cultivo de milho e algodão. Nos atuais níveis de preços, é isso que acabará acontecendo", diz o corretor.

Colheita começou

A colheita da safra de soja 2004/05 já começou no Brasil. No município de Lucas do Rio Verde, no centro do Mato Grosso, as primeiras colheitadeiras entraram a campo em 25 de dezembro, durante as comemorações de Natal. O município de Lucas é o primeiro a colher soja em todo o Brasil.

"Até agora, o tempo está seco, favorecendo o avanço dos trabalhos", diz Cleverson Girotto, secretário-executivo do Sindicato Rural de Lucas do Rio Verde.

Está sendo colhida a safra de soja precoce. O município deve colher 700 mil toneladas de soja, das quais 15% de variedade de ciclo de desenvolvimento mais curto.

"Apenas uma minoria está colhendo. O grosso da colheita será feita entre o final de janeiro e o início de fevereiro", diz Girotto.


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