Agro Centro-Oeste Familiar

Soja para consumo humano atrai alunos na Agro Centro-Oeste Familiar 2017

Cerca de 35 participantes, em sua maioria estudantes do curso de agronomia da universidade, participaram do workshop
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Na última quinta-feira, (8), a Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater) proporcionou uma palestra sobre o processamento de soja para alimentação humana durante a Agro Centro-Oeste 2017, realizada no Centro de Eventos da Universidade Federal de Goiás (UFG). Cerca de 35 participantes, em sua maioria estudantes do curso de agronomia da universidade, participaram do workshop.

A agrônoma e pesquisadora, Isadora Sanchez Maia Carneiro, e a supervisora de Desenvolvimento Social, Janete Alves Soares da Rocha, foram responsáveis por ministrar a palestra. Janete proporcionou aos estudantes uma contextualização histórica da chegada da soja ao Brasil, além discorrer sobre a introdução do grão na alimentação humana através da merenda escolar; o potencial nutritivo da leguminosa; sobre a capacidade produtora do país – que hoje ocupa a segunda posição no ranking mundial – e a variedade de produtos comercializados no mercado através das indústrias químicas e de alimentos.

Isadora apresentou aos alunos a cultivar de soja BRSGO 8061, desenvolvida pela Emater, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Centro de Tecnologia para Pesquisa Agropecuária (CTPA). O diferencial da variedade está na sua versatilidade para a alimentação, pois não possui as isoenzimas lipoxigenase 1, 2 e 3, que deixam o grão com sabor amargo. Em outros exemplares de soja é necessário realizar um processo de choque térmico para haver quebra dessas enzimas e só então tornar o grão próprio para consumo humano.

Características da soja

Questionada pelos estudantes sobre ser uma cultivar transgênica e sobre sua resistência à pragas e doenças, a pesquisadora da Emater esclareceu que a variedade BRSGO 8061 não é transgênica, pois não houve mudança de DNA, e foi desenvolvida, principalmente para pequenos produtores, possuindo herbicidas específicos para o cultivo. “A cultivar levou 11 anos para ser lançada e comercializada. Possui um ciclo de produção menor (116 dias), permite renda maior aos pequenos produtores devido à alta produtividade, além de possuir resistência à doenças como cancro da haste, mancha-olho de rã e crestamento bacteriano.”, informou Isadora.

Outro questionamento feito pelos participantes foi sobre as possíveis reações do organismo provocadas pela ingestão de soja, principalmente sobre a possibilidade de alterações hormonais em mulheres. Janete esclareceu que “é necessário utilizar o bom senso, afinal a proposta é de inclusão e não de substituição de outros alimentos pela soja na alimentação humana. O consumo em excesso de qualquer alimento é o causador de problemas à saúde.” . Isadora acrescentou ainda que o consumo do grão não só é liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), como é recomendado pelo órgão devido aos seus benefícios nutricionais e funcionais.

Participação dos alunos

O estudante de Agronomia da UFG Guilherme Ferreira Mendes disse que escolheu participar da palestra por considerar o segmento de produção de soja um dos maiores na agronomia atualmente e pela sua falta de conhecimento sobre o assunto. “Também tenho interesse em estagiar na área, tanto no estudo da produção de orgânicos, que é uma dificuldade hoje, quanto de melhoramento.”, ressaltou o estudante.

Guilherme elogiou a apresentação das servidoras da Emater e a variedade BRSGO 8061. “Achei muito boa a ideia dessa soja que vem com a diferença do sabor, que é uma coisa que dificulta muito o consumo do grão na mesa do brasileiro hoje. A maior parte da soja consumida no Brasil se dá em relação à ração para produção animal, produção de carne.”, concluiu.

Já a nutricionista do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) nos municípios de Firminópolis e Adelândia, Fernanda de Araújo, se interessou em participar do curso pelo fato de o consumo da leguminosa na merenda escolar ser uma maneira de oferecer a algumas crianças o aporte nutricional que muitas vezes elas não têm em casa.

“Quando tentamos montar cardápios para a merenda que atendam à uma exigência nutricional, nossa maior dificuldade é atender a quantidade de proteína. O valor financeiro que é disponibilizado para produzir as refeições é baixo e o custo da merenda é muito alto. E para conseguir atingir esse valor nutricional só através de proteína animal é muito difícil. A soja vem como resposta, não para que a gente substitua a proteína animal, mas para que a gente a acrescente em algumas preparações para alcançar valor proteico e reduzir percentual de gordura.”, elucidou .

Fernanda afirma que, por trabalhar em duas cidades pequenas, a produção de soja é muito próxima das pessoas e existe a possibilidade de ensinar algumas técnicas para os pais dos alunos, ou seja, levar para essa comunidade uma opção de alimentação mais saudável com produtos que eles tenham fácil acesso.

“A busca por esse curso aqui é porque sei que a Emater faz esse trabalho de formação. Então, quero levar o aprendizado desse curso para os municípios em que trabalho, tanto para que a aceitação da soja na merenda escolar seja melhor, pois ainda existe uma certa rejeição, quanto para que as pessoas possam fazer em casa a um custo menor e sem preconceitos de achar que o gosto é ruim, que faz mal para saúde ou  que não é saboroso.”, explicou a nutricionista.

Ela afirma ainda que nova soja é muito interessante por ser melhorada, mas sem transgenia. “Não é que eu esteja afirmando que a transgenia seja algo ruim, mas existem estudos científicos que apontam isso. Com essa nova opção de grão, conseguiremos divulgar melhor esse trabalho de inclusão da oleaginosa na alimentação e fazer com que as pessoas olhem com melhores olhos.”

Avaliação

A supervisora de Desenvolvimento Social, Janete Rocha, afirmou que é importante discutir a inclusão da soja na alimentação com alunos que futuramente serão responsáveis pela produção do grão. “Cada vez mais a soja é reconhecida como alimento de valor nutricional que não pode ser desperdiçado. Portanto, quanto mais pessoas forem esclarecidas, melhor. Além disso, a Emater tem essa responsabilidade de fazer a nova variedade do grão chegar de forma agradável e fazer parte da cultura alimentar.”

Janete avaliou ainda que os questionamentos dos alunos foram muito pertinentes, dentro do contexto. Segundo ela, os estudantes se mostraram muitos preocupados com a questão dos agrotóxicos, das pesquisas contra e a favor do uso da soja na alimentação, o que mostra que é um assunto que tem muito a se falar e a estudar.

Isadora Sanchez ressaltou que é importante que esses alunos, que futuramente serão engenheiros agrônomos, conheçam a variedade BRSGO 8061 para divulgar e esclarecer os produtores  sobre a existência dessa soja voltada para a alimentação humana, já que a disponível hoje no mercado é bem mais direcionada à produção industrial, principalmente para óleo e farelo para animais.

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