Solo bem manejado: aliado do uso racional da água na agricultura
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Imagem: Eliza Maliszewski
EVENTO

Solo bem manejado: aliado do uso racional da água na agricultura

O evento foi a quarta edição da série Diálogos para Conservação do Solo e da Água, e a última de 2020
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Para saber se a água é utilizada de maneira eficiente no meio rural a Embrapa Solos (Rio de Janeiro-RJ) reuniu seus pesquisadores Maria Sônia Lopes, Rachel Bardy Prado e Silvio Lucena Tavares em live transmitida no dia 18 de novembro. A moderação ficou a cargo de Fabrício De Martino, consultor em inovação e criatividade O evento foi a quarta edição da série Diálogos para Conservação do Solo e da Água, e a última de 2020.

Para Rachel, que é especialista em planejamento e gerenciamento de águas, com mais de 20 anos de experiência, não andamos cuidando bem da nossa água, “talvez até pela abundância de recursos hídricos do Brasil”. Alguns números atestam isso: 16% da população não tem água tratada e 47% não possui acesso à rede de esgoto. “A questão do saneamento no nosso País é muito séria, com reflexos na qualidade da água. É inadmissível que na era da informação em que vivemos ainda vejamos tanta erosão e pastagens degradadas”.

Então quais seriam as soluções, como cuidar da água? Em primeiro lugar, é necessário lembrar que manejo do solo e qualidade da água andam juntos. “Práticas conservacionistas da terra, como plantio em nível, bacias de contenção de sedimentos e terraceamento, por exemplo, resultam em uma diminuição de processos erosivos e em uma maior infiltração da água nas bacias hidrográficas”, salienta Rachel.

Falando sobre recursos hídricos na agricultura, não podemos deixar de lado o tema irrigação. Vale lembrar que existem quatro métodos de fazê-la: por aspersão, gravidade, pivô central e localizada. 40% da comida que chega às nossas mesas vem da agricultura irrigada, usando apenas 16% da terra. “A situação no Brasil não é a ideal, mas nossa média de eficiência, que chega quase a 60%, é superior a mundial, que é de 37%”, revelou Silvio Tavares, especialista em engenharia de irrigação. “Se você melhorar em 1% a eficiência no uso da água, você gera uma economia enorme para expandir as áreas irrigadas e o tempo de irrigação”.

Uma das “armas” desenvolvidas pela Embrapa Solos para tornar a irrigação mais eficiente é o Sistema Brasileiro de Classificação de Terras para Irrigação (SiBCTI), que define o potencial do ambiente para desenvolver culturas sob determinado tipo de irrigação.

O SiBCTI procura classificar as terras segundo a interação de vários planos de informação, de modo que o ambiente seja avaliado de forma integrada, maximizando o manejo da agricultura irrigada.

O Sistema evita que terras que não possuem aptidão para irrigação sejam incluídas no processo produtivo, minimizando o impacto ambiental e perda de recursos financeiros, ele também possibilita o uso racional da água, além de prevenir a salinização dos solos manejados, grave problema ambiental e econômico, principalmente no bioma semiárido.

Barragem subterrânea

Um importante aliado do pequeno produtor na captação de água também no semiárido é a barragem subterrânea, uma tecnologia de captação e armazenamento da água de chuva para produção de alimentos. Ela possui a função de reter a água da chuva que escoa em cima e dentro do solo, por meio de uma parede impermeável construída dentro da terra e que se eleva a uma altura de cerca de 50 cm acima da superfície, no sentido contrário à descida das águas. A barragem subterrânea forma uma vazante artificial temporária na qual o terreno permanece úmido por um período de dois a cinco meses após a época chuvosa, permitindo a plantação mesmo em época de estiagem. A barragem é uma tecnologia popular, a Embrapa começou a pesquisá-la mais a fundo a partir dos anos 80 do século passado.

“As barragens têm proporcionado a estocagem de água para uso das famílias após o período chuvoso. Até seis meses após o fim das precipitações o agricultor ainda consegue tirar seu cultivo”, afirma Maria Sônia, uma das maiores autoridades do Brasil no tema.

A barragem foi uma das práticas finalistas da primeira edição do prêmio Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) Brasil e a primeira entre as 28 técnicas selecionadas pela Embrapa para participar da premiação.

Um pouco de arte

Nas lives promovidas pela Embrapa Solos procura-se trazer também um pouco de arte. O mapa mental que ilustra a matéria foi elaborado pela artista plástica Milena Pagliacci, durante o evento.  A íntegra da live pode ser assistida aqui.


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