Sorriso: falta de milho para 2ª safra preocupa produtores
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Agronegócio

Sorriso: falta de milho para 2ª safra preocupa produtores

A compra do grão para a segunda safra começou ainda em junho
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A falta de sementes de milho a um mês do plantio da safrinha está preocupando produtores sorrisenses, que apontam clima de instabilidade. A compra do grão para a segunda safra, que deve ser plantada em janeiro, começou ainda em junho, porém, quando chegou a hora de entregar as sacas, os revendedores alegaram aos agricultores a falta das sementes e que estas deveriam ser trocadas, para melhor ou para pior.

O problema começou a aparecer em meados de outubro, quando as indústrias de sementes ordenaram às revendas que parassem de vender sementes de milho, pois havia um indicativo de que faltariam variedades. O fato foi confirmado neste mês. Para o produtor Fabiano Nichele, o custo da safrinha terá reajuste de aproximadamente 5% em relação ao que ele havia estimado até mês passado, devido o não cumprimento do acordo entre fabricante e mercado consumidor.

Só as sementes representam 15% a mais do investimento previsto. Nichele encomendou na revenda um híbrido mas, devido a falta de sementes, outra variedade desconhecida em Mato Grosso e que é produzida em Goiás, será entregue. Neste caso, o produtor terá que pagar R$ 35 a mais pela saca que ainda será entregue, o que representa um acréscimo de uma saca e meia, por hectare, no custo da safra.

Dos 3,4 mil hectares destinados à safrinha, 1,4 mil hectares serão semeados com a nova cultivar. Um dos anseios do produtor é quanto a qualidade e a produtividade do grão. Outra preocupação é de que 10% das sementes "experimentais" que serão germinadas, só serão entregues no dia 25 de fevereiro, um período arriscado para o plantio, uma vez que a janela inicia em 15 de janeiro e segue até 10 de março. “É muito arriscado plantar milho neste período, pois se não chover daí em diante, em quantidade satisfatória, eu corro o risco de reduzir pela metade a produção, podendo até fechar no vermelho. Questão de cinco dias podem ser fatais para o meu rendimento. Mas foi a única opção, quer dizer, a outra era de não plantar nada”, destacou o agricultor.

O agricultor do distrito de Boa Esperança do Norte, Ronivon Carlos Carboni, teve um pouco mais de sorte. Com a troca de sementes, ele pretende produzir acima, ou igual, do que colheu no ano passado, que foi 140 sc/h. “Eu comprei há cerca de seis meses a semente, mas tive que trocar por uma [de outra empresa] que já havia trabalhado e que deu bons resultados. Consegui isto porque sou cliente e me dou bem com os gerentes da revenda, se não acho que não teria conseguido, pois vejo vizinhos e amigos que estão numa situação crítica”, destacou.

Carboni planta cerca de 1,2 mil hectares e a troca de sementes variou em 1% o custo da produção. Ele espera que os funcionários da revenda façam a entrega do grão ainda nesta semana, para ao menos garantir o “bom negócio”.

Na revenda que é gerenciada por Darcy Costa, uma das empresascancelou a entrega de 80% do total das encomendas. Já outra orientou a parada nas vendas do milho, mas está conseguindo atender o mercado, apresentando apenas problemas com híbridos específicos. “É o primeiro ano que vejo isto acontecer em Sorriso. E eles [representantes de indústrias] não falam muita coisa sobre isto. O que indica é que as sementes que foram produzidas para vir ao Mato Grosso foram enviadas para o milho verão na região Sul, que planta antes que nós. Outro boato que se ouve é de que os produtores sulistas pagaram mais pela saca, o que fez as multinacionais direcionar a produção para a região que pagou mais. Sendo assim, eles não conseguiram atender a demanda do Estado”, explica.

Outro lado

Dentre as justificativas de uma multinacional que produz parte das sementes ao Brasil, é de que o preço da commodity do milho está em alta, o que provocou acréscimo da área de milho safrinha (Mato Grosso) e milho verão (região Sul). Em Mato Grosso, a produção do milho deve crescer em 40,2% em relação a 2010/11, passando de 6,9 milhões de toneladas para 9,8 milhões de toneladas.

Por meio do gerente de marketing da multinacional, Rafael Seleme, a empresa confirmou que estão havendo trocas de sementes, mas que os volumes dos encomendados serão todos entregues conforme o cronograma da companhia. A quantidade de sementes trocadas configuram cerca 20% de toda a produção vendida para o Estado. Entretanto, o gerente garante que as substituições não irão comprometer a qualidade do grão e a produtividade da safra.

“A indústria projeta os campos de produção baseados no cenário e nas tendências, segundo indicativos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Só que te um porém, as sementeiras fazem o planejamento um ano antes de plantar a safra, que é o tempo hábil para a produção de sementes. Mas o mercado do milho é muito volátil, então não consegue se preparar para um aumento expressivo provocado em pouco tempo”, comentou.

Seleme defendeu ainda que a empresa apostou no cenário, mas que está fazendo o possível para garantir sementes a todas as regiões. “É um dilema, não podemos elevar muito nossos estoques, mas temos que garantir sementes para todos. A gente está se esforçando ao máximo para conseguir fazer uma leitura cada vez mais aproximada do mercado”, destacou.

Em nota, outra empresa disse que está abastecendo os seus clientes e distribuidores na região de Sorriso, conforme o planejado. Para a safra 2011/12, a indústria entregou um volume 25% superior em relação à safra passada no país. Na região de Sorriso, o aumento do volume foi ainda maior, de 35%. Mas disse que desconhece a falta dos híbridos em questão.

“O plano de produção de sementes é feito com pelo menos um ano de antecedência, levando-se em conta a demanda dos agricultores, a consulta aos distribuidores e a previsão da safra. O objetivo da empresa é sempre ofertar o maior volume de sementes de híbridos de milho demandados pelos agricultores, sejam eles convencionais ou com biotecnologia”, reforçou.

Ainda por meio da assessoria, a indústria destacou que produziu sementes considerando uma área recorde plantada de milho híbrido no Brasil para a safra 2011/2012. Todavia, a área plantada nesta safra cresceu ainda acima das previsões de toda a indústria e dos analistas de mercado. “Estamos assistindo a um aumento da procura por sementes certificadas de milho – tanto convencionais quanto transgênicas – muito acima do previsto, o que indica a preocupação do agricultor brasileiro com a qualidade e a busca pela produtividade. Vamos continuar a empreender esforços para suprir seus clientes com o que há de melhor na tecnologia de sementes de milho híbrido. Nosso processo de produção continuará primando pela qualidade, sem comprometer jamais a produtividade e a confiança do agricultor nas nossas marcas.”

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