Sucesso da goiaba neutraliza valorização cambial em 2006

Agronegócio

Sucesso da goiaba neutraliza valorização cambial em 2006

A valorização cambial não impediu que a goiaba brasileira fizesse sucesso em 2006 no exterior
Por: -Isabel Dias de Aguiar
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A valorização cambial não impediu que a goiaba brasileira, sua polpa e doces fizessem sucesso em 2006 no exterior. O bom desempenho das vendas externas é resultado do esforço de marketing feito pelos fruticultores, indústrias de doces e pelo governo brasileiro. Empresas do setor, como a Predilecta, nunca exportaram tanto como no ano passado.

Problemas climáticos em países concorrentes contribuíram para que o Brasil passasse à frente nas exportações de polpa e doces preparados com a fruta. Africa do Sul, Costa Rica e Equador são, ao lado do Brasil, os principais produtores de frutas tropicais. Outro fator de estímulo às vendas externas foi a divulgação de algumas qualidades nutritivas da fruta, suas propriedades antioxidantes e a presença de vitamina C em proporção até cinco vezes maior que nas demais frutas.

O aumento da procura pela fruta e seus derivados levaram a um incremento das exportações de entre 10% e 11%, informa o presidente da Predilecta, Antonio Carlos Tadiotti. A demanda maior também proporcionou a valorização da fruta. Os ganhos com as exportações, segundo Tadiotti, contribuíram para a maior profissionalização da atividade no campo. A receita maior fez com que os fruticultores adotassem práticas de trato que ampliam o período de colheita, o que sustenta os preços e reduz os custos industriais, garantindo uma melhor renda para o campo.

A Predilecta, que faturou R$ 90 milhões em 2006, prevê a repetição neste ano das condições favoráveis que garantiram o bom desempenho. A demanda por seus produtos está assegurada, especialmente para a polpa da goiaba, que é importada pelos grandes fabricantes de sucos de frutas estrangeiros. Uma das principais clientes é a Minute Maid, da Coca-Cola, que no Brasil comercializa bebidas com a marca Sucos Mais.

Obstáculos

Os demais produtores de frutas não encontraram, as mesmas facilidades que seus colegas da área da goiaba. Tributação excessiva, problemas na infra-estrutura brasileira e barreiras fitossanitárias no exterior são os principais obstáculos para a expansão das exportações de frutas, segundo informa o presidente do Instituto Brasileiro de Frutas, Moacir Saraiva Fernandes. A receita externa brasileira com embarques de frutas e seus derivados deverá chegar a US$ 683,5 milhões em 2006, um crescimento pouco menor que 1% em relação a 2005, segundo dados do Secex, que considerou exportações realizadas até outubro.

De acordo com o IBF, que considera apenas as vendas externas de frutas frescas, o resultado foi um pouco menor, mas o crescimento maior (5%). A receita do setor, segundo a instituição, em 2006 foi US$ 480 milhões, com o embarque de 830 mil toneladas de frutas. As mais exportadas foram uva, limão, abacaxi e abacate. Maçã e mamão, tradicionais na pauta de exportação, enfrentaram problemas climáticos em 2006, acarretando a redução nas vendas externas.

"O limão taiti alcança a mesma popularidade no exterior que a goiaba", diz Fernandes. "Com a divulgação dos produtos brasileiros, ganhou espaço a caipirinha preparada com cachaça e limão", explica. A dificuldade com o limão é a sazonalidade, uma vez que o produto desaparece do mercado entre agosto e outubro, interrompendo o fornecimento do produto. Outro produto de sucesso é a uva sem semente, antes escassa e agora, graças ao desenvolvimento genético das plantas, ganha espaço na pauta de exportações.

Segurança alimentar

As frutas brasileiras poderão enfrentar barreiras adicionais para o mercado europeu. Fiscais da União Européia estiveram no Brasil para exigir medidas do governo brasileiro que atendam aos padrões de monitoramento, rastreabilidade e boas práticas agrícolas. O objetivo, segundo afirmaram é assegurar a qualidade dos produtos exportados ao bloco.

Não é de hoje que fruticultores e exportadores das principais frutas brasileiras procuram atender às normas determinadas pela UE. Fernandes cobra a definição de regras que estabeleçam os produtos e os limites de resíduos de defensivos para as culturas de menor porte.

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