Suinocultura em MT: Segmento em crise pede ajuda

Agronegócio

Suinocultura em MT: Segmento em crise pede ajuda

Alta no preço da saca de milho é uma das principais causas da crise 
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Alta no preço da saca de milho é uma das principais causas da crise 

A Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat) apresentou, ao secretario Executivo do ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Eumar Novacki, o panorama da atual situação da suinocultura mato-grossense que passa por uma crise, devido ao baixo preço de mercado, alto custo de produção, falta de políticas de incentivo e financiamento da produção de animais e a escassez do milho. O relato da atual condição foi feito no final da semana passada durante visita do secretário ao Estado como ministro interino, no Encontro das Cadeias Produtivas de Mato Grosso. 

Segundo o diretor executivo da Acrismat, Custódio Rodrigues, atualmente a suinocultura em Mato Grosso gera 3.505 empregos diretos e 10.515 indiretos. Ao todo são 416 granjas comerciais espalhadas em 33.678 propriedades cadastradas. O Estado possui um plantel de 1,5 milhão de cabeças de suínos, dos quais 138 mil são matrizes. 

“Apesar de Mato Grosso ser o quinto maior produtor de suínos e agregar valor aos grãos produzidos na região, a crise que afeta a suinocultura mato-grossense, há cerca de um ano, ameaça fechar granjas no Estado”, disse. 

Uma das preocupações é com a elevação exorbitante no preço da saca de milho, que pode chegar próximo de R$ 50 ou até mesmo ultrapassar este valor, dependendo do nível de escassez. 

“Muitos suinocultores estão preocupados com a posterior falta de milho para a alimentação dos animais. Quem consegue, está optando em plantar milho na tentativa de garantir sua sobrevivência neste período conturbado e precisa de apoio no ‘estoque de passagem’”, contou. 

De acordo com Custódio uma alternativa seriam os Empréstimos do Governo Federal (EGF), porém, com valor cheio (100%) do valor da saca com preço já reajustado (R$ 18,09 e não os atuais R$ 13,56), e não apenas 70% do valor do preço mínimo. “Além disso, ao aumentar o prazo para pagamento do EGF, estender, por exemplo, para um ano e parcelar em três ou quatro vezes”, disse. 

O diretor executivo pontuou também a necessidade de financiamento/linha de crédito permanente para a retenção de matrizes suínas, com prazo de reembolso de até três anos, incluídos até 24 meses de carência. Inclusão da carne suína na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). “Não é para regular o mercado e, sim, ter a garantia que em um momento de crise, os produtores possam ter esta proteção”, afirmou. 

A redução da alíquota de ICMS na comercialização estadual e interestadual de suínos vivos de 12% para 7%, assim como é feito com o boi é outra medida solicitada. “Outros Estados, como o Paraná e Santa Catarina, já tomaram essa medida para aliviar o setor dos impactos da elevação do custo de produção com a alta acentuada no preço do milho”, ressaltou. 

Custódio ainda afirmou que a preocupação maior é com os produtores independentes, que já não conseguem mais arcar com as despesas e encontram dificuldades para obterem linhas de crédito. “Suinocultores que estão há mais de 30 anos no ramo, estão fechando granjas e muitos analisam a possibilidade de deixar a atividade por conta do alto custo de produção, impulsionado pela inflação do milho e baixa remuneração pelo quilo do suíno”, reforçou. 

MAPA – O ministério confirmou ontem que vai liberar a venda direta de 50 mil toneladas de milho na próxima terça-feira (9). O produto é destinado aos criadores de aves e suínos que o utilizam na ração animal. O edital já está no site da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esse é o primeiro lote das 500 mil toneladas liberadas pelo Conselho Interministerial de Estoques Públicos (Ciep), por meio de resolução publicada em junho para regulação de mercado. 

No primeiro leilão (Aviso 116) estarão disponíveis 5,4 mil toneladas e no segundo (Aviso 117), mais de 44 mil toneladas. A mercadoria está armazenada em Rio Verde (GO) e nas cidades de Ipiranga do Norte, Lucas do Rio Verde, Nova Ibiratã, Pedra Preta, Sorriso, Tabaporã e Várzea Grande, em Mato Grosso. O preço do quilo, excluído o ICMS, será divulgado dois dias antes da realização do pregão. 

O grão é oriundo dos estoques dos Contratos de Opção e da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). Os interessados deverão estar cadastrados na Bolsa de Valores pela qual pretendam realizar a operação e em situação regular no Sistema de Registro e Controle de Inadimplentes da Conab (Sircoi). 

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