Suínos: Competitivo, mas apertado

Agronegócio

Suínos: Competitivo, mas apertado

Brasil está entre países com menor custo para produção de suínos
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A produção de carnes nacional ganha cada vez mais espaço no mercado internacional, muito pelos custos relativamente menores do que a dos principais exportadores. No entanto, as relações entre o criador de aves e de suínos paranaenses e as indústrias se mantêm em descompasso, com reclamações dos agricultores de dificuldade em receber mais do que gastam nas granjas.

Para a indústria, porém, são fatores de mercado específicos dos últimos meses que colocam ambos sob margens de lucro apertadas, como a disparada no preço do milho que compõe a ração dos animais no último ano e a crise nacional. Em meio a esse cenário, a nova Lei de Integração prevê a criação do Fórum Nacional de Integração (Foniagro), que define diretrizes nacionais para essa relação comercial, e das Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadecs), um espaço paritário para discussão entre integrados e integradoras. Porém, ambos devem entrar em funcionamento somente a partir de novembro.

Segundo o Índice de Custos de Produção (ICP) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Suínos e Aves divulgado na última semana, houve queda de 0,46% para os criadores de porcos, de 247,85 em julho para 246,70 em agosto. O ICPFrango caiu 2,65%, de 225,24 para 219,28 no mesmo comparativo. O motivo é uma leve retração no preço do milho e uma diminuição maior no farelo de soja, ambos componentes da ração.

Oscilação
No Paraná, que serve de base para a análise do mercado de aves, o valor do milho recuou 1,1% e o do farelo caiu 9,2%, informa a Embrapa. Analista de Transferência de Tecnologia da entidade, Ari Jarbas Sandi afirma que o mercado está muito oscilante e difícil de se prever. "A expectativa para agosto era que o milho recuasse 16% e o farelo, 5,3%", diz. "Não dá para fazer previsões nem para os próximos 15 dias", completa.
De qualquer forma, Sandi explica que a bonança dos últimos anos, quando o preço do milho chegou a ficar abaixo dos R$ 20 por saca, acabou e que será preciso se acostumar com valores menos favoráveis aos granjeiros. "Os custos com alimentação devem se elevar e diminuir nossa competitividade, mas, mesmo assim, estamos entre os mais competitivos do mundo", diz o analista da Embrapa.
Ele se refere ao último relatório da rede InterPIG, formada por 15 países que participam ativamente do comércio mundial do setor, divulgado pela entidade em junho passado. Com base em dados de Mato Grosso e Santa Catarina, que são os principais produtores do setor, o estudo aponta ambos têm dois dos menores custos variáveis da lista, com 883 euros por tonelada e 1.113 euros por t, respectivamente.
Mesmo quando considerados os fixos, ambos estão entre os quatro melhores do mundo, ao lado de Canadá e Estados Unidos. "Somos bons em produção, mas nem sempre em dividir essa fatia de receita, que, muitas vezes, fica na ponta da cadeia, na indústria", diz o analista da Embrapa.
Para Sandi, o motivo é que o mercado está na mão de poucas empresas no País, o que não ocorre em outros. Faltaria, então, justiça para a divisão de lucros, já que os riscos ficam com os produtores. "Quem vende tem risco zero", diz.
Pelo lado da indústria, contudo, a versão é de que o mercado não está tão atrativo e que a crise econômica reduziu as vendas internas porque há menor poder aquisitivo de consumidores e preços altos pela inflação. "Na nossa visão, a indústria está no equilíbrio ou com margem muito pequena", diz o diretor-presidente da Frimesa, Valter Vanzella. "A integração é entre patrões e o produtor tem de saber com quem está se integrando, para não se unir com quem o escravize", diz o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins.

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