Tecnologia no agronegócio: o aumento de qualidade e quantidade da produção

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Tecnologia no agronegócio: o aumento de qualidade e quantidade da produção

José Otávio Menten, diretor executivo da Andef, analisa o mercado de defensivos agrícolas no Brasil
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Nesta entrevista, José Otávio Menten, diretor executivo da Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal), analisa o mercado de defensivos agrícolas no Brasil, afirma que ainda estamos aquém de vários outros países e defende o uso destes produtos de maneira consciente para garantir a sustentabilidade da agricultura nacional.

A Andef representa as 16 indústrias que atuam no País em pesquisa, desenvolvimento, produção e comercialização de defensivos agrícolas. Há 35 anos no setor, a entidade tem como objetivo criar condições favoráveis para o desenvolvimento deste segmento dentro do agronegócio brasileiro e suas atividades estão voltadas principalmente à inovação tecnológica, regulamentação de produtos, assistência técnica e educação e treinamento de profissionais do campo.

Como está no Brasil o uso de defensivos agrícolas modernos, à base de ingredientes ativos novos?
José Otávio Menten - O recente levantamento consolidado pelo SINDAG (Sindicato Nacional da Indústria de Defesa Vegetal), sobre o emprego de defensivos agrícolas nas lavouras brasileiras apontam brasileiras apontam que o País ainda está aquém de vários outros no uso desta tecnologia. De acordo com o SINDAG, o emprego de defensivos na proteção de plantas no Brasil, em 2008, totalizou 733,9 milhões de toneladas. Embora as condições edafoclimáticas na agricultura tropical requeiram emprego maior de defensivos agrícolas para o controle de pragas, o consumo por unidade de área (US$88/ha) ou por produção (US$7,4/t), no Brasil, é muito menor do que o observado em outros países. É o que mostram os dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, a FAO, e da consultoria Amis Global: no Japão, o uso de defensivos, respectivamente por unidade de área e por produção, soma US$ 851/ha e US$ 73/t; na França, US$ 197/ha e US$ 22/t.

Como é possível reverter esse quadro?
Cabe não apenas às indústrias que pesquisam e desenvolvem inovações, mas também às diversas cadeias produtivas do agronegócio, à comunidade científica e aos especialistas. Estas pessoas precisam enfatizar junto aos seus públicos que as diversas tecnologias são as maiores responsáveis pela sustentabilidade da agricultura na medida em que geram ganhos expressivos de produtividade e, portanto, melhoria da produção.

Como a tecnologia presente nos defensivos agrícolas pode contribuir para o aumento de produtividade das lavouras?
O já citado estudo da FAO e da consultoria Amis Global traz dados interessantes. Ao comparar o uso de defensivos no Brasil a outros grandes produtores agrícolas, tem-se um resultado significativo: entre os anos de 2004 e 2007, o Brasil aumentou em apenas 1% os investimentos em defensivos e a resposta ao emprego da tecnologia foi um aumento de 21% na produtividade. Ou seja, mesmo com uma redução de 2% na área plantada, o Brasil aumentou em 19% sua produção. Veja o que ocorreu, no mesmo período, em outros países: a China aumentou em 25% o uso de defensivos, ampliou a área em 4% e obteve um aumento de apenas 9% na colheita. A Rússia investiu mais 28% em defensivos e aumentou a área em 7%, para obter um aumento de apenas 9% na produção. Os Estados Unidos reduziram em 4% o investimento em defensivos e, mesmo ampliando em 5% a área cultivada, obtiveram apenas 1% de aumento na produção.

Quais são as maiores dificuldades em se implantar novas tecnologias para a proteção de cultivos no País?
A legislação brasileira em vigor determina que a avaliação das solicitações de registro deve ser concluída em 120 dias. Porém, o grave problema é que atualmente existem no Brasil mais de uma dezena de ingredientes ativos novos aguardando - por parte daqueles órgãos - a liberação do registro. Muitos destes produtos já estão registrados em diversos países, cuja legislação e prioridade a questões toxicológicas e ambientais são tão exigentes quanto as do Brasil. A vagarosidade do País em aprovar tecnologias inovadoras pode afetar severamente a produção interna e a exportação de alimentos. Outra preocupação dos agricultores é que a falta de novos produtos possa prejudicar a moderna produção integrada – que inclui os conceitos de rastreabilidade, boas práticas agrícolas e utilização racional dos defensivos agrícolas. Produtos certificados têm se ressentido da carência de produtos a base de ingredientes ativos novos para atender as necessidades dos mercados nacional e internacional. Portanto, são imprescindíveis e inadiáveis medidas que agilizem a análise e o registro de ingredientes ativos novos para os produtos que defenderão as lavouras das pragas e doenças. É urgente ampliar a infraestrutura funcional dos órgãos registrantes vinculados àqueles três ministérios; eventuais dificuldades técnicas devem ser superadas com ações coordenadas entre todos os segmentos envolvidos: indústrias do setor, institutos de pesquisa e técnicos e dirigentes daqueles órgãos.

Qual a importância de que o Brasil invista em novos defensivos agrícolas?
O rendimento por área plantada é nitidamente superior quando a cultura é protegida com inseticidas e fungicidas – em alguns casos, alcançando o dobro da produtividade. É o que confirma, por exemplo, o ensaio de fungicida para o controle da ferrugem asiática da soja, realizado pela Embrapa Cerrados, na safra 2005/06: enquanto a área de testemunha registrou a produção de apenas 1.999 kg/ha, as lavouras tratadas com fungicida produziram entre 2.828 kg/ha e 3.823 kg/ha. Portanto, o fato de o Brasil investir no uso da tecnologia na agricultura indica que o País reúne condições de se tornar líder no cultivo de alimentos e fibras, como arroz, trigo, soja e milho, nos quais a safra brasileira ainda está atrás da China, Argentina e Estados Unidos.

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