Tecnologia nos aviários será fundamental para se manter no mercado
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Imagem: Eliza Maliszewski
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Tecnologia nos aviários será fundamental para se manter no mercado

Webinar promovido pela Gessulli Agribusiness, com patrocínio da Phytobiotec, teve mais de 560 inscritos
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A adoção de tecnologias de ambiência nos aviários é um caminho sem volta e vai ser determinante para que os produtores se mantenham no mercado. Essa é a avaliação dos palestrantes do webinar “Desafios e inovações em ambiência na produção de aves”, que aconteceu nesta terça-feira (10). O evento, promovido pela Gessulli Agribusiness – realizadora da AveSui America Latina – com patrocínio da Phytobiotec, teve mais de 560 inscritos.

Como enfrentar as fortes ondas de calor que atingiram o país e geraram impactos em granjas avícolas? Os palestrantes apontam que adoção de tecnologia é fundamental para o enfrentamento do estresse térmico, diante do cenário de mudança climática. Mas não apenas isso: o bem-estar animal está na pauta do consumidor na hora da compra. E, nesse ponto, a ambiência tem tudo a ver.

O professor Iran Oliveira, da Esalq/USP, que coordenou o webinar, apontou que os palestrantes bateram em quatro pontos essenciais. “São quatro questões importantes: planejamento, investimento, tecnologia e bem-estar. É um caminho sem volta, com essa evolução rápida tecnológica batendo a nossa porta em velocidade muito grande, com aplicativos, ventiladores inteligentes, sistemas inteligentes, que são acionados automaticamente. Toda essa parafernália que envolve avicultura de corte e de postura”, avalia.

A conta que se deve fazer quando se pensa em investir, na avaliação do professor Iran Oliveira, não é sempre do quanto se ganhará, mas na redução das perdas. “Eu falo isso ao longo do tempo, são 35 anos de trabalho em ambiência. Precisamos pensar em quantificar o quanto estamos perdendo e reduzir essa perda”, explica.

Planejamento da produção

Nos últimos meses, as ondas de calor que atingiram o país geraram prejuízos aos avicultores. Em Bastos, no interior de São Paulo e onde está a segunda maior produção de ovos do país, granjas perderam milhares de animais. Esse cenário aponta a necessidade de planejamento, ressaltou o pesquisador Paulo Abreu, da Embrapa Suínos e Aves.

“É preciso planejamento da produção. Não adianta colocar uma produção de alta escala com nível de tecnificação baixo. O produtor tem que ter consciência das condições de investimentos dele e proporcionar uma densidade para que possa ter um desempenho bom dessas aves”, diz.

Produtividade começa com boa ambiência

As boas instalações de uma granja, ou seja, tudo o que está relacionado à ambiência deve ser o primeiro foco do produtor, na opinião de Álvaro Burin Júnior, gerente de contas de Aves da Zinpro. “Minha opinião que se deve começar com uma boa ambiência, boas instalações”, ressalta. Ainda assim, ele pondera, mesmo que se adote todas as medidas necessárias, nunca um ambiente é livre de desafios.

“E o que eu vejo é uma tendência natural de, pouco a pouco, o profissionalismo tomar conta e até engolir pequenas produções, que tem estruturas mais rudimentares. A medida que isso  for acontecendo, a gente vai ter uma maior capacidade produtiva, mais tecnologia,  maior produtividade”, acredita Burin.

É preciso pensar na tecnologia sem esquecer o bem-estar

“Eu acho impossivel a gente se desvencilhar da tecnologia hoje, a gente não trabalhar aliado a tecnologia. Mas ao mesmo tempo a gente tem uma questão de bem-estar, que paira no ar”, resume José Antonio Delfino Barbosa Filho, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC). Segundo ele, é preciso traçar um meio termo entre a adoção de alta tecnologia e a sustentabilidade, no sentido da ética no consumo. “O bem-estar faz parte da mudança do consumidor, do consumo que temos hoje”, diz.

Nesse sentido, Barbosa Filho aponta que existe a questão da produção com mais ética e menos tecnificada – ou seja, aquela mais orgânica e sustentável – e aquela com foco na alta produtividade, voltada à exportação. “Os dois mecanismos podem coexistir de forma eficiente”, pontua.

Foco deve ser no custo benefício

Os produtores precisam acreditar mais nas tecnologias, aponta Ernani Vieira, gerente comercial da Phytobiotec. Em segundo ponto, ele diz, é necessário se desvencilhar da ótica de que a tecnologia gera custo. “Em vez de pensar só no custo, é preciso pensar no custo benefício”, diz.

 Os impactos que o estresse térmico gera nas granjas precisam ser comparados com os benefícios da tecnologia. Na opinião do especialista, pode ser que não se consiga recuperar os investimentos, mas se consegue reduzir as perdas.

O professor Iran, por fim, conclui que quando se fala em ambiência é preciso abandonar os achismos. Também não há receita de bolo. “O que serve para o Zeca, no Ceará, não serve para o Paulo, em Chapecó”, cita. É preciso adotar programas e protocolos de ambiência, seja em aviários com sistema yellow house, dark house, ou um sistema totalmente climatizado. “Não importa o nível tecnológico que se tenha, há a necessidade de estabelecer um método padronizado”, conclui o pesquisador.


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