Grãos

Tecnologia reduz poluição no embarque de grãos no Porto

O tema do artigo surgiu em uma aula em que o problema foi discutido
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A adoção de novas tecnologias pode reduzir a poluição gerada pelo embarque de grãos nos porões dos navios que operam no Porto de Santos. Essa é uma das conclusões do artigo científico elaborado pelo tecnólogo em Logística Eduardo Chirico Machado Holms. 

Em sua pesquisa, o estudante apontou a utilização de um tipo shiploader (carregador) que promove a queda das cargas em cascata e, com isso, impede a emissão de partículas durante o carregamento.

Holms elaborou o artigo como uma das atividades de seu curso de MBA Internacional em Gestão Portuária, realizado na Faculdade Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) de Santos e que será concluído no próximo mês. O estudante já é formado em Logística pela Faculdade de Tecnologia (Fatec) Rubens Lara, também na Cidade.

“O embarque da soja nos porões dos navios gera interferências no ambiente. Evidentemente, sob o ponto de vista de quem se encontra dentro ou fora da área portuária, é possível a observação a olho nu da formação de particulados em grande escala, que é gerada como consequência do embarque da soja nos navios, e pode trazer malefícios ao meio em que a área portuária está inserida”, destacou o estudante.

O tema do artigo surgiu em uma aula em que o problema foi discutido. Em seguida, houve a fase de pesquisas para identificar o problema e a melhor maneira de reduzi-lo.

“Quando a operação de embarque é realizada com shiploaders comuns, a carga é despejada no navio em queda livre de uma altura de 20 metros ou mais até o chão do porão do navio. Quando o granel entra em queda livre descontrolada, há aceleração e a alta velocidade em conjunto com a grande quantidade de material é propícia para a emissão de particulados”, explica.

Na pesquisa, Holms cita especialistas do Reino Unido que propõem o uso de uma nova tecnologia que reduza a velocidade do embarque de grãos, ao mesmo tempo em que garanta um alto fluxo de volume de carga durante a operação. O equipamento identificado pelo estudante conta com cones que fazem a carga descer em zigue-zague.

“A solução encontrada foi o uso de tubos verticais telescópicos entre a extremidade final da esteira e o navio, que se estendem aumentando sua altura, alcançando o porão. Assim a carga não enfrenta queda livre de uma grande altura. A composição tubular é encapada de modo que não haja escape da poeira. E na extremidade final, pode ser colocada ou uma pequena tubulação cônica que direciona o material movimentado, ou uma espécie de saia feita de tecido flexível que entra em contato com o ponto mais alto da carga quando há formação da pilha, de certa forma guiando a formação da pilha dentro do porão do navio”, destacou o estudante. 

Problema real

Os problemas relacionados à emissão de material particulado no Porto de Santos estão longe do fim. Pelo menos, esta é a conclusão do estudante, que aponta a necessidade de adaptação dos terminais que operam grãos no complexo.

Segundo Holms, o exemplo positivo da ADM do Brasil – que opera grãos no Corredor de Exportação, na Ponta da Praia, e utiliza em seu terminal shiploaders com tubos telescópicos para reduzir a emissão de partículas na atmosfera – é um fator que mostra ser possível solucionar o problema. Mas, para isso, são necessários investimentos privados e a fiscalização pública.

As consequências da emissão de material particulado durante as operações portuárias vão muito além da sujeira e do mau cheiro nas regiões próximas ao cais. Além dos riscos para os moradores do entorno, os terminais podem ter prejuízos com a deterioração de equipamentos, além de autuações e interdições das instalações.

Para o estudante, é evidente que a movimentação de cargas na área portuária impacta a qualidade do ar. O problema afeta diretamente a população, que pode sofrer com problemas respiratórios como já aconteceu em outros portos mundo afora. 

Em seu artigo, Holms cita casos de surtos de asma em cidades como Barcelona, La Coruña e Valência, na Espanha, todas com movimentação de granel de soja nas áreas portuárias. 

Partículas podem prejudicar terminais

As consequências da emissão de material particulado durante as operações portuárias vão muito além da sujeira e do mau cheiro nas regiões próximas ao cais. Além dos riscos para os moradores do entorno, os terminais podem ter prejuízos com a deterioração de equipamentos, além de autuações e interdições das instalações.

A conclusão é do estudante Eduardo Chirico Machado Holms, no artigo que elaborou e deu origem a seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do MBA Internacional em Gestão Portuária da Faculdade Senai de Santos.

“Com uma importância tão grande perante a economia, e a grande quantidade escoada no Porto de Santos, pode se considerar irresponsável realização da movimentação do granel de soja de forma desmazelada”, destacou.

Para Holms, poder público e iniciativa privada têm responsabilidade nesta questão. “Cabe também às empresas responsáveis pela movimentação desse material a mudança de política e o uso de tecnologias que garantam o manuseio seguro de granéis de soja, visto que é possível preservar o meio e ao mesmo tempo garantir a produtividade; e cabe ao Estado averiguar, inspecionar e regularizar as operações portuárias com granéis sólidos vegetais, visto que são responsáveis por preservar a vida de seus habitantes e o meio ambiente em que estão inseridos”.

Formado em Logística pela Fatec Rubens Lara, o estudante trabalha como operador de rastreamento em um terminal do cais santista. “Eu monitoro veículos que transitam pelo Porto. Não posso impedir o trânsito de um veículo. Mas eu procuro identificar se ele está em funcionamento correto ou não, se está acontecendo um sinistro, por exemplo”, explicou. 

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