Tem início a colheita de algodão nas lavouras mato-grossenses

Agronegócio

Tem início a colheita de algodão nas lavouras mato-grossenses

Colheita começa em Mato Grosso sob chuvas e com mercado mantendo tendência baixista. Nova safra nem chegou e sofre desvalorização
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As chuvas que caíram nos últimos dias atrapalharam o início da colheita de algodão nas lavouras mato-grossenses. Segundo os agrônomos, a água da chuva e os respingos de terra afetam principalmente os capulhos localizados na parte baixa das plantas, afetando a qualidade da fibra. Em algumas propriedades se estima que as perdas chegam a cinco arrobas por hectare, porém, não há uma estatística oficial. Além do clima adverso, a arroba de 15 quilos da pluma está cotada no mercado local 20,45% do valor mínimo, instituído pelo governo federal.

“O clima chuvoso prejudica a qualidade do algodão baixeiro, aquele que fica mais próximo ao solo e absorve a umidade”, explica o produtor Clóvis Tavalini, com lavouras na região sul do Estado.

Junho é uma época em que normalmente não se tem chuva em Mato Grosso. Segundo ele, os produtores já estão em processo de início de colheita do algodão e se chover mais a produtividade pode ficar comprometida. “Uma das razões da qualidade do algodão produzido na região se deve justamente ao fato de que não se chove durante a colheita da pluma”, lembra.

Produtores e analistas apontam “perda adicional” de produtividade em função de fatores climáticos. Nas regiões sul e leste, que respondem por mais de 60% da produção estadual de algodão, os municípios mais afetados pelas chuvas das últimas semanas foram Rondonópolis, Pedra Preta, Itiquira, Primavera do Leste e Campo Verde. Se mais a frente as perdas forem confirmadas, a safra estadual poderá encolher mais do que está previsto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No último levantamento de safra, divulgado no início deste mês, a cotonicultura é a atividade que traz a maior quebra: 30% tanto na área plantada como na produção. Mesmo assim, Mato Grosso se mantém líder nacional. O algodão teve a área reduzida de 541 mil hectares (há) para 379 mil e a produção de 2,12 milhões toneladas (t) para 1,49 milhões t. Somente em pluma, a produção estadual recua de 830 mil t para 581 mil.

MERCADO – o cotonicultor João Luiz Ribas Pessa, da Associação Mato-grossense de Produtores de Algodão (Ampa), diz que além do problema das chuvas, os produtores enfrentam ainda um período de baixos preços tanto no mercado interno quanto externo.

Eles avaliam que os preços ainda continuam defasados e não chegam a cobrir os custos de produção. Os índices da Esalq (Escola Superior de Agricultor Luiz de Queiroz) apontam cotação de US$ 1,19 por libra peso. No mercado interno, a arroba da pluma está sendo negociada por R$ 39, abaixo do preço mínimo estipulado pela Conab, R$ 44,60.

“Estamos na entressafra com preços achatados. Imaginem quando estivermos em plena safra”, afirma Pessa, lembrando da pressão da lei de mercado, quando a oferta em excesso derruba ainda mais os preços. Segundo ele, o cenário atual indica que a indústria têxtil terá problemas este ano. “Notamos que o governo federal está pouco preocupado com o setor algodoeiro”.

Ele acredita que a safra deste ano poderá ter perda de qualidade e quebra de produtividade. “Já se fala em nova redução na próxima safra (09/10)”.

“Se aliarmos este problema [queda da safra) a outras variáveis, como a defasagem cambial e o endividamento agrícola, temos um quadro altamente desfavorável para o algodão, que poderá provocar forte desestímulo nos produtores”, analisa João Pessa.


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