Em novembro, os preços mundiais do arroz subiram em média 2%, após da reativação da demanda do Sudeste Asiático, especialmente da Indonésia e das Filipinas, bem como dos países africanos. Apesar da chegada das safras asiáticas ao mercado, os preços de exportação tendem a subir desde meados de novembro, em parte devido à redução da oferta do Vietnã, onde os preços são os mais altos do mercado. Além disso, as restrições de exportação da Índia continuam pesando sobre os preços mundiais, apesar do anúncio de algumas exceções, principalmente com países africanos. No início de dezembro, os preços mundiais já acusavam uma alta de 4% em relação a novembro.
A oferta global de arroz deve ficar mais apertada ao longo do ano 2024 e os preços mundiais mais firmes após a provável extensão das restrições da Índia, pelo menos até o final do primeiro semestre de 2024. Além disso, o fenômeno climático El Niño deveria atingir as safras asiáticas. Nos últimos doze meses, os preços mundiais já aumentaram quase 40%, e alguns analistas não veem uma queda significativa antes de 2025. De fato, o equilíbrio entre produção e consumo continua precário, apesar da recuperação da produção mundial em 2023/2024.
Em novembro, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) aumentou 6,6 pontos, atingindo 322,9 pontos (base 100 = janeiro de 2000), contra 316,3 pontos em outubro. No início de dezembro, o índice IPO marcava 335 pontos.
Produção mundial
De acordo com as últimas estimativas da FAO, a produção mundial de arroz em 2023 deve aumentar 0,8%, para 790,4 Mt (525 Mt base beneficiado), contra 784,5 Mt em 2022. No Paquistão, a produção teria aumentado em 30%, retornando ao nível de 2021. Isto compensa parcialmente as reduções previstas na Índia e na Tailândia. Na China, espera-se que a produção permaneça estável em 2023.
Nos Estados Unidos, após uma safra decepcionante em 2022, a produção teria retornado ao nível de 2021. Em contraste, a produção no Mercosul diminuiu novamente devido às más condições climáticas.
Comércio e estoques mundiais
O comércio mundial de arroz em 2023 deve cair 5,3%, para 53 Mt, contra 56,0 Mt anteriormente. A queda se deve principalmente à redução das importações chinesas, mas também ao aumento da produção em algumas regiões deficitárias principalmente na África. Além disso, a decisão da Índia de proibir as exportações de arroz não-basmati (um quarto das exportações indianas e 11% das exportações mundiais) tende a agravar a queda do comércio mundial.
De fato, o aumento dos preços mundiais causado pelas restrições indianas está forçando alguns países importadores a adiar e/ou reduzir sua demanda de importação.
Entretanto, parte da redução das exportações indianas está sendo compensada pelas exportações da Tailândia e do Vietnã, que vêm crescendo expressivamente desde setembro do ano passado. As exportações mensais da Tailândia aumentaram 15% em relação ao ano anterior durante o mesmo período. Já as exportações indianas de arroz não-basmati caíram 50%. As primeiras projeções para 2024 indicam uma nova queda no comércio mundial para
52,2 Mt.
Os estoques mundiais de arroz terminando em 2023 devem permanecer relativamente estáveis em 196,5 Mt, contra 196,9 Mt em 2022. Isto representa 38% das necessidades de consumo mundial, 3% acima da média dos últimos cinco anos. Em 2023, as reservas chinesas devem diminuir novamente para compensar a estagnação da produção e a redução das importações. Entretanto, os estoques chineses continuam altos, equivalentes a 70% do consumo doméstico anual e 50% dos estoques mundiais. Na Índia, há expectativa de aumento dos estoques de 4%, em grande parte devido às restrições das exportações.
Os estoques dos principais países exportadores atingiriam 57,5 Mt em 2023, equivalentes a 30% dos estoques mundiais. Em 2024, esperase que os estoques mundiais aumentem novamente, estimados por quanto em 200 Mt, já um aumento de 1,6%.
Na Índia, os preços do arroz parboilizado caíram mais 2% por causa da chegada da nova safra ao mercado. A alíquota de 20% sobre as exportações do arroz parboilizado será prorrogado até o final de março de 2024. No entanto, os contratos estão aumentando, principalmente para África Oriental e Oriente Médio, devido aos fortes aumentos de preços dos concorrentes asiáticos. Além disso, o governo indiano está abrindo novas isenções de exportação para o arroz branco não-basmati. Os beneficiados incluem principalmente africanos, como Senegal, Mali e Gâmbia, Madagascar e Quênia. A essas isenções se somam às já anunciadas em outubro para Guiné, Costa do Marfim e Camarões. Assim, mais de 1 Mt seriam destinadas aos países africanos, dentro dum total de 2 Mt previstas via acordo governamental.
Entretanto, as isenções têm pouco impacto sobre os estoques já acumulados da Índia. O acúmulo de estoques públicos, mais de 15 Mt a mais que no início de 2023, tende a aumentar o risco de danos póscolheita, e parte deles pode acabar na produção de etanol. Em novembro, o arroz parboilizado indiano atingiu $ 503/t Fob, contra $ 511 anteriormente. No início de dezembro, o preço se estabilizava em $ 505.
Na Tailândia, os preços caíram levemente em relação a outubro, mas recuperando-se significativamente desde meados de novembro, de 6% em apenas alguns dias devido à forte demanda, especialmente das Filipinas, que tradicionalmente importa arroz vietnamita. Espera-se que as Filipinas importem mais 1 Mt antes do final do ano. Além dessa demanda, há procuras significativas da Indonésia, Nigéria, África do Sul e Malásia. Nos primeiros onze meses do ano, as exportações tailandesas teriam totalizado quase 8 Mt, 15% a mais do que em 2022.
No total, as exportações poderiam atingir 8,8 Mt, contra 7,7 Mt em 2022. Em novembro, o preço do arroz tailandês 100%B marcou uma média de $ 596, contra $ 593 em outubro. No início de dezembro, marcava $ 640. O tailandês parboilizado permaneceu estável em $ 580, mas subindo para $ 620 no início de dezembro. O arroz quebrado A1 Super subiu 4%, para $ 476, contra $ 460, permanecendo relativamente estável desde o final de novembro.
No Vietnã, os preços de exportação aumentaram 4%, por causa dos suprimentos limitados e da forte demanda externa, especialmente das Filipinas. Os preços vietnamitas atingiram seu nível mais alto em uma década. Mas, ao mesmo tempo, as exportações continuam avançando, atingindo 7,8 Mt nos primeiros onze meses do ano, 17% a mais do que em 2022. O país poderia exportar 8,5 Mt em 2023, contra 7,2 Mt em 2022. Em novembro, o Viet 5% foi negociado a $ 659, contra $ 633. O Viet 25% marcou $ 645, contra $ 618. No início de dezembro, os preços tendiam a se estabilizar.
No Paquistão, os preços do arroz subiram 2%, estimulados pela forte demanda das Filipinas. O Paquistão também está bem posicionado para exportar para a Indonésia e a Malásia. Além disso, os países africanos mostram interesse no arroz paquistanês para compensar as restrições indianas. Mas, a instabilidade cambial que o país vem enfrentando há meses está aumentando os riscos comerciais e limitando os negócios dos exportadores. Em novembro, o Pak 25% marcou $ 499, contra $ 491 em outubro. No início de dezembro, os preços tendiam a subir para $ 530.
Na China, as necessidades de importação deveriam cair, pois as previsões de produção indicam estabilidade, apesar das condições climáticas ruins em algumas regiões, mas compensadas por chuvas abundantes nas regiões do sul do país. Em 2024, as importações chinesas podem não exceder 3 Mt, ficando atrás das Filipinas e da Indonésia.
Nos Estados Unidos, os preços de exportação se mantiveram estáveis, mas começando a cair no final de novembro com a chegada da nova safra, já 37% maior do que em 2022. As exportações aumentaram novamente em novembro para 245.000 t, contra 215.000 t em outubro, marcando um aumento de 10% em comparação ao ano passado na mesma época. O México é novamente o maior cliente, respondendo por 23% das exportações dos EUA. O preço indicativo do arroz Long Grain 2/4 ficou estável em $ 753/t em novembro, mas marcando $ 745 no início de dezembro. Na bolsa de Chicago, os preços futuros do arroz casca subiram 6%, para $ 372/t, contra $ 352 em outubro.
No início de dezembro, os preços futuros ficavam estáveis em $ 375. No Mercosul, os preços de exportação aumentaram significativamente em 4%. A nova queda da produção de 2022/2023 e as incertezas sobre a safra de 2023/2024 continuam pesando sobre os preços de exportação e tendem a limitar as vendas externas. No Brasil, as exportações caíram 7% em relação ao ano passado na mesma época. O preço indicativo do arroz casca brasileiro registrou aumentos históricos, subindo 13% em novembro, para $ 464/t, contra $ 411 em outubro.
No início de dezembro, o preço indicativo ultrapassou o teto dos $ 500, superando em $ 80 seu recorde anterior, estabelecido em maio de 2008, no apogeu da crise dos preços mundiais. Na África Subsaariana, as colheitas são satisfatórias em geral, e os preços internos marcam estabilidade. Entretanto, as necessidades de importação continuam altas, equivalentes a 40% das necessidades de consumo da subregião. Em 2024, espera-se que as importações aumentem novamente, especialmente na África Ocidental, a principal região consumidora de arroz do continente. Os países deficitários de arroz da região contam com os exportadores asiáticos para abastecê-los. Ao mesmo tempo, esperam continuar beneficiando-se das isenções de exportação que a Índia está concedendo