Cereal que atravessa gerações e tem papel fundamental na segurança alimentar é celebrado em 31 de outubro. A cultura, que tem sua maior produção na região Sul do país, exige cada vez mais tecnologia para garantir produtividade e qualidade
*Por Jonatha Bolzan
Quase todos os dias, esse cereal está presente no almoço de milhões de brasileiros, acompanhado do fiel escudeiro, o feijão. O arroz é muito mais do que alimento básico: é parte da cultura, da história e da identidade gastronômica do país. Celebrado em diferentes iniciativas ao redor do mundo, também representa a importância da agricultura para a segurança alimentar e para a economia das regiões produtoras do Brasil.
Originário da Ásia, onde seu cultivo começou há milhares de anos, o arroz se espalhou por diferentes continentes e se adaptou a condições distintas de clima e solo. No Brasil, alguns historiadores dizem que o alimento chegou durante o período colonial, no século XVI, com a introdução pelos portugueses, e teve seu cultivo ampliado a partir do final do século XVIII. Entretanto, há registros de que os povos indígenas já cultivavam o cereal antes mesmo de chegarem em solo tupiniquim. Ao longo do tempo, o desenvolvimento de técnicas agrícolas, cultivares adaptadas e sistemas de produção mais eficientes fazem do país um importante produtor mundial do cereal.
De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), o Brasil produziu aproximadamente 11 milhões de toneladas de arroz na última safra. O Rio Grande do Sul lidera a produção nacional, seguido por outros estados importantes, como Santa Catarina e Tocantins. A concentração da rizicultura está associada, entre outros fatores, às condições favoráveis ao cultivo irrigado e à experiência acumulada pelos produtores da região. A relevância dessa cadeia vai além dos números. O arroz é fonte de carboidratos, que fornece energia para o organismo e também contribui com vitaminas e minerais, em quantidades que variam conforme o tipo de grão e o processamento. Quando combinado ao feijão, oferece uma composição complementar de aminoácidos, contribuindo para uma alimentação equilibrada. Sua versatilidade, facilidade de preparo e presença em diferentes tradições culinárias ajudam a explicar por que o cereal permanece tão importante na mesa dos brasileiros.
Apesar de sua relevância, produzir arroz com qualidade exige atenção constante às condições climáticas, ao manejo da água e à ocorrência de plantas daninhas, pragas e doenças. Entre as principais ameaças está a brusone, doença causada por um patógeno que pode atingir folhas e panículas — e provocar perdas expressivas de produtividade. Mancha-parda, escaldadura e outras doenças também podem comprometer o desenvolvimento das plantas e a qualidade da produção.
As plantas daninhas, também representam um desafio importante, devido a elevada competição com o arroz por água, luz e nutrientes, dificultam o manejo da lavoura e podem reduzir o rendimento da colheita. À depender de cada região produtora, destacandam-se algumas espécies como o arroz-vermelho (Oryza sativa), capim-arroz (Echinochloa spp.), sagitaria (Sagittaria montevidensis) e cyperáceas (como junquinhos e tiriricas). Para um manejo eficiente e prevenção de resistência das plantas daninhas ao herbicidas, a Corteva Agriscience investe em soluções voltadas aos desafios da rizicultura e possui um time dedicado à cultura, que contribui com a assistência técnica ao produtores.
O controle integrado exige o uso de tecnologias herbicidas modernas, como as à base de cyhalofop-butyl, amplamente empregado na pós-emergência para o controle seletivo de gramíneas, especialmente o capim-arroz; assim como da molécula Rinskor active, florpyrauxifen-benzyl, que oferece um espectro amplo de ação, sendo altamente eficaz no combate a folhas largas, aquáticas e ciperáceas, além de contribuir de forma eficiente no manejo de populações resistentes de gramíneas.
Em relação às doenças, uma das principais estratégias no manejo integrado é o uso de fungicidas sistêmicos desenvolvidos para o controle químico efetivo destes patógenos. Para controle de brusone, doença de maior ocorrência nos arrozais brasileiros, triciclazol é a solução de maior eficiência comprovada ao longo de muitas safras. Recomendado de forma preventiva, a aplicação está ligada as condições gerais da lavoura. Atualmente, triciclazol em combinação com o ingrediente ativo Tebuconazol é a principal fungicida em mistura pronta para controle de brusone e manchas.
Diante desse cenário, o manejo integrado é fundamental, e inicia muito antes da semeadura do arroz. Monitorar a lavoura, escolher cultivares adaptadas,utilizar sementes de qualidade, adotar práticas agronômicas adequadas e realizar intervenções no momento correto são medidas que ajudam a reduzir os riscos e preservar o potencial produtivo. O uso de defensivos agrícolas, quando necessário, deve seguir as recomendações técnicas, sempre integrado às demais práticas de manejo.
Com isso, o Dia Mundial do Arroz, celebrado em 31 de outubro, significa também reconhecer o trabalho de quem está no campo e a importância de uma cadeia produtiva que conecta pesquisa, tecnologia, indústria e consumidores. Investir em manejo eficiente e inovação é parte do caminho para manter a competitividade da rizicultura e garantir que o arroz continue chegando com qualidade à mesa dos brasileiros.
Jonatha Bolzan atua como Engenheiro Agrônomo há mais de 15 anos. Atualmente é Líder da Cultura de Arroz para Brasil e Paraguai na Corteva Agriscience.