TRIGO: queda nas exportações argentinas aumenta custo de importação


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TRIGO: queda nas exportações argentinas aumenta custo de importação

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As expectativas de queda nas exportações de trigo pela Argentina neste ano vão se confirmando. Além do plantio em cerca de 13,5% inferior, entre 3% a 5% da área colhida na Argentina foi perdida por motivos climáticos. A produção que em 2001/02 atingiu 15,3 milhões ton está estimada nesta safra em 12,5 milhões ton, o mais baixo nível dos últimos quatro anos.

O recuo na oferta de trigo na Argentina vem refletindo em um decréscimo significativo em suas exportações. Até o dia 14/fevereiro, as vendas externas da safra 2002/03 no país atingiram somente 3,645 milhões ton, uma queda de 50% em relação ao mesmo período do ano passado, quando já haviam sido exportadas 7,330 milhões ton. As vendas para o Brasil totalizaram 2,950 milhões ton até no período considerado, decrescendo cerca de 8%, com uma redução muito inferior ao registrado para outros países.

Além da menor queda nas vendas argentinas ao Brasil em relação a outros mercados, nota-se que a participação brasileira na pauta das exportações de trigo até o dia 14/fevereiro subiu intensamente de 43% do ano passado para 81% neste ano, o que evidencia que os importadores nacionais podem estar adquirindo o mais rápido possível o trigo no país vizinho antes que novas altas aconteçam nos portos de embarque.

Estima-se que as exportações totais pela Argentina recuem mais de 3,0 milhões ton nesta safra, atingindo apenas 7,330 milhões ton, contra 10,500 milhões ton na safra 2001/02. Este é certamente um dos principais motivos para a alta dos preços do trigo argentino nos portos de origem, atualmente cotados a US$ 150,0/ton FOB para o tipo pão.

Com a melhor relação de oferta/demanda mundial e os respectivos menores estoques nesta safra, os preços do trigo estão em alta em todos os mercados. Na Bolsa de Chicago, considerando apenas o mês de fevereiro, a alta é de 15% em relação ao ano passado e de 21% em relação a fevereiro/2000. Mas na Argentina, as cotações subiram muito mais, em torno de 25% em relação ao ano passado e 43% em relação a fevereiro/2000. As variações superiores ao mercado em Chicago se devem em grande parte à queda gradual na produção do trigo argentino, o que diminuiu sua competitividade no mercado brasileiro.

Claro que outros motivos também estão embutidos neste aumento, como a crise política e econômica na Argentina e os respectivos aumentos nos custos de produção e nas alíquotas de imposto vigentes no País.

Com os atuais níveis nos portos argentinos e com o dólar em cerca de 50% mais valorizado este ano no Brasil, estima-se que o custo de importação esteja em torno de US$ 177,0/ton (R$ 640,0/ton) nos portos brasileiros. No ano passado, neste mesmo período, o custo estava em torno de US$ 145,0/ton (R$ 350,0/ton). Ou seja, em moeda corrente, as indústrias brasileiras enfrentam neste ano um custo de importação superior em mais de 80%.

Como reflexo, os indicadores de preços atualmente nas regiões produtoras do Paraná já estão acima de R$ 490,0/ton, cerca de 70% acima dos níveis de fevereiro do ano passado. Certamente, a tendência é de que os preços do trigo no Brasil se direcionem cada vez mais aos níveis da paridade de importação no decorrer deste ano, principalmente no período da entressafra na Argentina, a partir do segundo semestre.

Mas a margem de diferença entre esta paridade de importação nos portos brasileiros e os preços nas regiões produtoras será em grande parte definida pelo poder de negociação entre produtores e indústrias e pela qualidade do grão produzido, especialmente neste ano, quando a safra brasileira tende a aumentar significativamente, podendo definitivamente superar a barreira das 3,0 milhões ton anuais.

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