Trigo: safra menor sustenta preços, mas qualidade preocupa
Safra de trigo encolhe no Brasil
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O mercado do trigo atravessa um período de preços mais firmes no Brasil, enquanto as cotações internacionais recuam após a alta registrada no início de setembro. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, entre 28 de a gosto e 24 de setembro, a menor oferta brasileira e a perda de qualidade em parte das lavouras devem aumentar a necessidade de importações em 2026/27.
Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, o trigo negociado em Chicago chegou a US$ 7,64 por bushel em 1º de setembro, após uma forte alta no fim de agosto e no início do mês. Depois disso, o mercado recuou. Na quinta-feira (24), a cotação fechou em US$ 7,05 por bushel, ante US$ 7,27 uma semana antes.
A média de agosto ficou em US$ 6,76 por bushel, alta de 4,3% em relação à média de julho.
Mesmo com os conflitos bélicos, especialmente entre Rússia e Ucrânia, o mercado internacional do trigo perdeu força e passou a oscilar em patamares menores na segunda quinzena de setembro.
Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, o plantio do trigo de inverno nos Estados Unidos alcançou 17% da área esperada em 20 de setembro, abaixo dos 21% registrados na média histórica. Já a colheita do trigo de primavera atingiu 96% da área referente à última safra.
Na semana encerrada em 17 de setembro, as exportações norte-americanas de trigo somaram 335,3 mil toneladas, dentro das expectativas do mercado.
O relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado em 11 de setembro, manteve a estimativa de uma produção reduzida nos Estados Unidos, em 41,7 milhões de toneladas.
Os estoques finais para 2026/27 foram estimados em 19,5 milhões de toneladas. No ano anterior, a colheita havia alcançado 54 milhões de toneladas e os estoques, 25 milhões.
Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, a produção norte-americana atual é 22,8% menor que a do ano anterior, enquanto os estoques finais recuaram 22%.
No mercado mundial, a produção deve somar 822,4 milhões de toneladas, 22 milhões de toneladas abaixo do volume registrado no ano anterior.
Enquanto a cotação internacional recuou, os preços internos do trigo subiram.
Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, o cereal atingiu média de R$ 71,94 por saca no Rio Grande do Sul. No Paraná, os valores ficaram entre R$ 79 e R$ 82 por saca.
A situação das lavouras paranaenses, porém, piorou devido às geadas tardias e ao excesso de chuvas registrado nos últimos dias. Com 46% da área já colhida, apenas 64% das lavouras restantes apresentavam boas condições.
Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, o trigo colhido no Paraná apresenta, na maioria dos casos, baixa qualidade industrial, enquanto a produtividade média está em queda. A presença de trigo tipos 2 e 3 aumentou, enquanto o trigo tipo 1, de qualidade superior, apresenta menor disponibilidade.
No Rio Grande do Sul, a colheita ainda está no início. Apenas 1% da área havia sido colhida, enquanto chuvas constantes e significativas, acompanhadas de granizo e ventos fortes, provocaram danos nas lavouras.
Nesta safra, o estado plantou 814 mil hectares com trigo, redução de 30% em relação ao ano anterior.
A produção gaúcha é projetada em cerca de 2 milhões de toneladas, quase 40% abaixo do volume registrado anteriormente.
Com a redução da área semeada e os problemas de qualidade, a disponibilidade de trigo no mercado brasileiro tende a ficar ainda menor. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, esse cenário sustenta os preços internos e deve obrigar o Brasil a ampliar as importações no ano comercial 2026/27. “A desuniformidade no desenvolvimento das lavouras é uma das marcas da atual safra gaúcha”.
Além dos problemas provocados pelo clima, as lavouras do Sul do país estão sendo afetadas por diferentes doenças, especialmente oídio e giberela.
A Conab ainda projeta uma produção nacional de 5,7 milhões de toneladas, queda de 27,1% em relação ao ano anterior.
Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, apesar da projeção de uma safra nacional menor, a qualidade do produto deve ser baixa em grande parte das áreas colhidas.
Com isso, as importações brasileiras de trigo devem ficar entre 7 milhões e 8 milhões de toneladas. Boa parte desse volume deverá vir da Argentina. Porém, dificuldades de produção em outras regiões do mundo podem aumentar a concorrência pelo trigo argentino.
Qualidade pode definir os preços pagos ao produtor
Em um cenário de menor disponibilidade de trigo tipo 1, a qualidade do grão ganha importância para produtores e moinhos. “Em um cenário de menor disponibilidade de trigo tipo 1, lotes que mantenham PH, força de glúten e demais parâmetros exigidos pela indústria podem encontrar valorização relativa, enquanto grãos de classificação inferior ficam mais expostos a descontos. Já para os moinhos, a questão será inversa: saber quanto da safra doméstica poderá efetivamente entrar na produção de farinha e quanto precisará ser substituído por produto argentino ou de outras origens” (cf. Cepea).
Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, a menor produção tende a sustentar as cotações, mas a qualidade do trigo será determinante para definir quais lotes poderão capturar essa valorização.
Para os moinhos, o desafio será avaliar quanto da produção nacional poderá ser utilizada na fabricação de farinha e quanto deverá ser substituído por trigo importado.
Diante desse cenário, produzir trigo em 2026 não será suficiente para garantir melhor remuneração. A qualidade do grão entregue à indústria deverá ter papel central na formação dos preços e na capacidade de aproveitamento da valorização do cereal.