Trigo/CEPEA: Volume e qualidade surpreendem, mas liquidez foi baixa

Agronegócio

Trigo/CEPEA: Volume e qualidade surpreendem, mas liquidez foi baixa

Produção foi 15% maior do que a campanha anterior
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Mesmo com os triticultores brasileiros desanimados quanto ao baixo ritmo de comercialização do cereal em 2010, o que gerou expressivas reduções na área plantada em todo o Brasil, a produção de trigo da atual safra surpreendeu todos os agentes de mercado, sendo 15% maior do que a colhida em 2009. Além do aumento do volume e da melhora significativa da qualidade do grão, a liquidez continuou fraca, fazendo com que o governo brasileiro interviesse para ajudar o triticultor na comercialização.

A ajuda através de leilões teve início em 25 de novembro. No total de 2010, foram quatro leilões para o grão da safra daquele ano, com 1,71 milhão de toneladas ofertadas e negociações de 86,5% do total. Do Paraná, foram ofertadas 690 mil toneladas, com aproveitamento de 80%, do Rio Grande do Sul foram 910 mil toneladas, com 100% negociados e, de Santa Catarina, das 110 mil toneladas, foram negociados apenas 16,3%. Para 2011, estão previstos mais leilões.

A falta de liquidez no mercado doméstico foi justificada, segundo agentes colaboradores do Cepea, pelo fato de o mercado já estar abastecido tanto com trigo em grão quanto com farinha. Esse suprimento, por sua vez, resultou da entrada da safra nacional e também do volume importado da Argentina, onde a colheita caminha para a metade. Segundo colaboradores do Cepea, o ritmo das importações está a todo vapor.

Segundo dados da Secex, de janeiro a novembro de 2010, o Brasil comprou 5,8 milhões de toneladas de trigo em grão, volume 18,47% maior que o do mesmo período de 2009. Do total importado, 57,8% vieram da Argentina, 18,7%, do Uruguai, 9,5%, do Paraguai, 17,6%, dos Estados Unidos, 5,7%, e o restante do Líbano, Rússia, Angola e França.

Quanto às farinhas, de janeiro a novembro/10, o Brasil importou 585,4 mil toneladas, volume praticamente igual ao do mesmo período de 2009 – dados da Secex. Desse total, 92,8% vieram da Argentina, 5,7%, do Uruguai, 1%, do Paraguai e o restante, do Canadá, Estados Unidos, Bélgica, Itália, França, Turquia, Alemanha, Japão e Reino Unido.

Em relação à safra nacional de 2010, que já está com a colheita finalizada, dados da Conab apontam que, mesmo com uma área 11,6% menor do que a de 2009, as condições climáticas e a utilização de melhores tecnologias na lavoura fizeram com que a produção fosse 15% maior do que a campanha anterior, totalizando 5,77 milhões de toneladas.

Ainda segundo dados da Conab, a produção de trigo gaúcha foi de 1,87 milhão de toneladas, volume 3,7% maior do que a safra anterior, mesmo com a redução de 8,1% na área destinada ao cereal. A produtividade média ficou em 2.370 kg/ha, 12,9% maior que a da campanha anterior. Para o Paraná, dados indicam que a produção da atual temporada deve ser de 3,31 milhões de toneladas, contra 2,54 milhões de toneladas da safra anterior, aumento de 30,5%. Já a área plantada com trigo teve redução de 11,8%, passando para 1,14 mil hectares. A produtividade média do estado ficou em 2.891 kg/ha, acréscimo de 47,9%.

No segmento de derivados de trigo, o ritmo de negócios foi parecido. Num mercado em que é comum haver compras antecipadas por parte das indústrias consumidoras de farinhas, em 2010, com as cotações caindo a cada mês, boa parte dessas empresas preferiu adquirir aos poucos, comprando apenas o necessário para o curto prazo, no intuito de evitar fortes variações dos preços. Apenas de julho a setembro, quando houve um expressivo aumento nas Bolsas norte-americanas, os preços das farinhas voltaram a reagir e a procura pelo produto foi mais intensa. Porém, essas altas não se sustentaram, e o mercado finalizou o ano com pouca liquidez.

De modo geral, o cenário de baixa moagem em boa parte do ano fez com que o preço do farelo de trigo subisse significativamente – como não há moagem de farinha, não há farelo. Com isso, reduz-se a oferta do subproduto e, além disso, a recente alta do milho, que é concorrente direto, fez com que houvesse uma supervalorização do farelo. No caso do milho, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas) acumulou no ano alta de mais de 40%. O derivado do trigo, na média das cinco regiões pesquisadas pelo Cepea (distribuídas nos estados de RS, PR e SP), teve alta superior a 51,6% no ano.

Quanto aos preços do grão, no acumulado de 2010 (30 de dezembro de 2009 a 27 de dezembro de 2010), as cotações de balcão no Paraná tiveram alta de 1,69% e, no mercado de lotes, ficaram praticamente estáveis (-0,11%). No Rio Grande do Sul, os preços do cereal ao produtor e no lote tiveram alta de 3,59% e 0,9%, respectivamente.

Para a farinha tipo panificação ou padaria, em sacas de 50 kg, houve mudanças na metodologia do Cepea durante 2010, não permitindo a comparação com o final de 2009. Na comparação das duas últimas semanas, as cotações ficaram praticamente estáveis (-0,12%) – considerando-se cinco regiões pesquisadas, distribuídas pelos estados de SP, RS e PR. O preço da farinha para massas em geral, em sacas de 50 kg, teve alta de 2,48% no mesmo período e nas mesmas regiões.

O preço da farinha comum (tipo 2) para bolacha doce, em sacas de 50 kg, recuou 0,56% em comparação à semana anterior, considerando-se igualmente a média de cinco regiões dos estados de SP, RS e PR. Os preços da farinha tipo pré-mistura ou farinha para pão francês, em sacas de 25 kg, caíram 1,5% no mesmo período, considerando-se as regiões pesquisadas pelo Cepea em SP, RS e PR e Nordeste do País.

No mercado internacional, as Bolsas norte-americanas oscilaram bruscamente durante o ano de 2010, mas terminaram o período registrando expressiva alta. No início do ano, a pressão veio da ampla oferta global de trigo e da falta de competitividade do cereal norte-americano, devido aos altos preços que favoreciam a comercialização do produto europeu e russo. No segundo semestre do ano, a preocupação com o clima influenciou os contratos. Primeiro, devido à seca na Rússia, que teve redução de 32,7% em sua produção. Depois, a seca atingiu as lavouras dos Estados Unidos, ao passo que o excesso de umidade atrapalhou os trigais australianos.

No acumulado de 2010 (30 de dezembro de 2009 a 27 de dezembro de 2010), a alta do primeiro contrato negociado na Bolsa de Chicago (CBOT) foi de 44,1% e, na Bolsa de Kansas, de 57,3%.

Na Argentina, a comercialização do trigo em grão tanto para o mercado interno quanto para a exportação seguiu bem firme durante o ano todo. A cotação FOB porto de Buenos Aires também oscilou durante o ano e acumulou alta de 31,3%, fechando a US$ 302,00/t, na quarta-feira, 22.

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