Trigo de qualidade encalha no armazém

Agronegócio

Trigo de qualidade encalha no armazém

Safra recém-­­colhida não encontra mercado
Por: -Luana Gomes
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Com produtividade recorde e boa qualidade, safra recém-­­colhida não encontra mercado. Restrita a leilões do governo, comercialização desestimula produtor

À medida que as últimas colheitadeiras saem de campo no Paraná, o resultado positivo vai se confirmando. O estado colheu em 2010 a sua mais produtiva safra de trigo. Em área 13% menor, a produção cresceu 23% – graças a um salto de 40% no rendimento médio, que alcançou 2,88 mil quilos por hectare, 30 quilos a mais que em 2008, recorde até então. Com chuva e sol na hora certa, a qualidade da safra também superou as expectativas.

Mas o que deveria ser motivo de comemoração gera apreensão entre os triticultores. Além da porteira, o mercado não responde com a mesma empolgação. Com a colheita praticamente finalizada, apenas um quarto da safra foi vendido, segundo a Secretaria Es­­tadual da Agricultura e do Abas­­tecimento (Seab).“Isso considerando o trigo que o produtor entregou para quitar débitos. Vendido mesmo só o que saiu nos leilões”, afirma o analista da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) Robson Mafioletti.

Em duas operações, a Conab apoiou a comercialização de pouco mais de 200 mil toneladas do cereal no estado. No total, a estatal pretende apoiar a venda de 600 mil toneladas, um terço do volume esperado pelo setor produtivo, que afirma precisar de suporte para tirar 2 milhões de toneladas do estado. O Paraná co­­lheu neste ano 3,29 milhões de toneladas do cereal em 1,14 mi­­lhão de hectares.

A Safras & Mercado mostra que houve descolamento dos preços internos. Em Chicago, as cotações são 39,5% mais altas que as de um ano atrás, mas o preço avançou 0,8% em Maringá e Cascavel. Na conversão para o real, a diferença escorrega para - 2% .

As cotações domésticas são achatadas pelo câmbio e pela competição com os vizinhos sul-americanos. Com custos de produção mais baixos e isentos de barreiras tarifárias, Argentina e Paraguai conseguem colocar seu produto no mercado brasileiro a preços mais competitivos e ainda oferecem maior prazo de pagamentos.
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