Trigo é o novo desafio da agricultura da Bahia


Agronegócio

Trigo é o novo desafio da agricultura da Bahia

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A Bahia está retomando a produção de trigo. A viabilização da cultura será fundamental para o agronegócio baiano, já que o estado precisa importar todo o trigo que consome. O plantio do cereal começou em abril, em uma área de 300 hectares no município de Mucugê, na Chapada Diamantina. Estudos também estão sendo realizados em Barreiras, a 855 km da capital, para a viabilização da cultura em 20 mil hectares irrigados.

Atualmente, os principais produtores de trigo no Brasil são os estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul. A produção, no entanto, ainda é pequena, face às necessidades do país, que precisa importar 70% do trigo que consome a cada ano. Na Bahia, 100% do trigo utilizado vem da Argentina e do Rio Grande do Sul.

Pesquisas da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) apontam que as condições de solo, altitude e temperatura de algumas regiões do estado são favoráveis à produção de trigo. "A Bahia tem condições de produzir cinco toneladas por hectare na fase inicial", disse o diretor-presidente da EBDA, Joaquim Santana, comemorando a entrada do estado entre os produtores brasileiros do cereal.

Segundo Santana, o plantio de trigo vai proporcionar economia de divisas e geração de receitas para o Estado, além de criar mais uma opção de cultivo para os agricultores. "O produtor poderá fazer uso da rotação de cultura, o que o ajudará na quebra do ciclo de doenças na lavoura", disse. Em anos anteriores, o estado já foi produtor de trigo. No entanto, as variedades plantadas tinham baixa capacidade produtiva e pouca qualidade industrial.

"Vamos continuar trabalhando novas variedades a fim de aumentar nossa base genética e identificar variedades mais produtivas do que as já disponíveis no estado", informou o diretor-presidente da EBDA. A operacionalização da cultura é fruto de um protocolo assinado, no mês passado, entre a Secretaria da Agricultura (Seagri), a Empresa Brasileira de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agrícola (Embrapa), a prefeitura de Mucugê e o grupo J. Macedo.

A empresa privada tomou a iniciativa de comprar todo trigo que for produzido na região, garantindo a comercialização da safra em condições competitivas para os produtores. "Vamos adquirir toda a produção do trigo nos mesmos níveis de preço e qualidade praticados pelo mercado mundial do produto", disse o diretor institucional da empresa J. Macedo, Ricardo Ferraz, assegurando que pagará pelo trigo o mesmo valor que a empresa compra o cereal que chega no Porto de Salvador.

Apesar da parceria estabelecida com a J. Macedo, a venda do produto é aberta à participação de qualquer outra empresa interessada no negócio. A indústria está presente desde 1968 no Estado, com um moinho em Salvador e fábricas de massas Brandini, de mistura para bolo Dona Benta e de Biscoito Águia. O grupo de origem cearense utiliza cerca de um milhão de toneladas de trigo por ano na produção de alimentos à base do cereal. Com faturamento de US$ 1 bilhão no ano passado, a empresa projeta este ano um crescimento de 3% no mercado baiano e nacional.


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