Trigo safrinha ganha espaço no Cerrado
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Imagem: Marcel Oliveira
CEREAL

Trigo safrinha ganha espaço no Cerrado

Cultivo do grão ocorre após a soja ou o milho em plantio direto
Por: -Eliza Maliszewski

Na região chamada de Brasil Central, que engloba os estados de Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal, vem ganhando espaço o cultivo de trigo após a soja ou o milho em plantio direto. Esse é o chamado trigo de sequeiro ou safrinha, que tem custo inferior ao do trigo irrigado e área potencial de plantio de até 3 milhões de hectares na região. O trigo safrinha pode contribuir para a redução da dependência de importações de trigo além de trazer benefícios para o sistema de cultivo e para as culturas em sequência.

Mas os triticultores locais também enfrentam dificuldade como a incidência de doenças como brusone e manchas foliares, a falta de chuva durante o ciclo da cultura e temperaturas mais altas características da região. Outra dificuldade é a pouca oferta de cultivares de trigo sequeiro adaptadas às características locais e que tenham elevado rendimento de grãos.

Segundo o pesquisador Júlio Albrecht, da Embrapa Cerrados (DF), a época de semeadura indicada para o trigo safrinha é o mês de março porque aproveita o fim da estação chuvosa, pegando alguma umidade ainda em abril e maio. Ele também indica quais cultivares são as mais indicadas. 

“Para o Brasil Central temos a BRS 404 e a BRS 264. A primeira é mais indicada em função de ser mais resistente a seca e tolerante ao calor. Ela foi selecionada nessas condições de Cerrado e no período de safrinha, então com isso os produtores alcançam produtividades de até 4 toneladas por hectare, em regiões onde chove um pouco mais como Sul de Minas. Já em Brasília, na região de Cristalina (GO) ela também tem bons resultados mas alcança menos, umas 3 toneladas por hectare. Já a BRS 264 é mais indicada para o sistema irrigado mas produtores também têm usado na safrinha em sequeiro, com a 4 a 5 toneladas por hectare, mas o alerta é que é menos resistente a seca e calor”, explica.

Os manejos também têm importância para driblar a falta de chuva e altas temperaturas. O pesquisador Jorge Chagas, da Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS) conta que o primeiro passo é verificar se o trigo sequeiro é indicado pelo zoneamento de risco climático para determinada região, fazer uma boa correção de solo após a análise, ter um solo livre de camadas compactadas e que permita o aprofundamento das raízes das plantas. “Assim as plantas conseguem explorar mais o solo em busca de água e nutrientes e minimizar efeitos de períodos secos, como os veranicos. A acidez pode ser corrigida com calcário. O plantio direto também ajuda a combater os efeitos do calor. Também é recomendado escalonamento de semeadura ou cultivares de ciclos diferentes para a lavoura ter talhões com plantas em diferentes estádios em desenvolvimento, diminuindo os riscos de perdas em toda área caso mão haja chuva”, determina.

Na safra 2021 Goiás e o Distrito Federal aumentaram o plantio de trigo em 138% e 7,7%, respectivamente. Em Minas Gerais houve redução de 15%. Juntos os três estados plantaram cerca de 130 mil hectares. Em relação a produção no estado goiano devem ser 129 mil toneladas (+40%), no DF 11 mil toneladas (estável) e em MG cerca de 171 mil toneladas (-25%). Os dados são da Conab. 
 


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