União de forças avança para implantação da “Rota do Milho”

Rota do Milho

União de forças avança para implantação da “Rota do Milho”

Santa Catarina produz em torno de três milhões de toneladas de milho ao ano
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Uma comissão permanente vai passar a acompanhar o andamento da Rota Transfronteiriça, conhecida como Rota do Milho. A decisão foi tomada nesta semana em uma reunião liderada e com representantes de 10 Agências de Desenvolvimento Regional da Região Oeste e do Sebrae. O objetivo é fortalecer o projeto para viabilizar a Rota do Milho, considerada um importante canal de oportunidades para o transporte de grãos, integrando Paraguai, Argentina e Santa Catarina. A comissão deverá cuidar da parte governamental, a tramitação federal e estadual e também buscar as melhorias na aduana de Dionísio Cerqueira e nas rodovias da região.

Atualmente, Santa Catarina produz em torno de três milhões de toneladas de milho ao ano e o consumo é no mínimo o dobro. A diferença é adquirida no Centro-Oeste do Brasil, Argentina e Paraguai, sendo que as distâncias representam aproximadamente o dobro do que está sendo proposto pela Rota do Milho. Com a proposta, ficaria mais viável a importação principalmente de milho dos países vizinhos para uso na alimentação de aves, suínos e gado leiteiro.

Durante a reunião em Chapecó, o coordenador regional Oeste do Sebrae, Enio Alberto Parmeggiani, apresentou dados sobre a produção e a importância da viabilização da rota. “É necessária uma ação contundente que envolva os governos do Estado e Federal na evolução do atendimento dessa demanda, porque muitos pequenos negócios dependem do êxito dessas ações”, explica. Para ele, a criação da comissão permanente representa um avanço para efetivar o projeto. “São necessárias obras de infraestrutura como a implantação de pontes, rodovias e melhoria dos serviços de suporte nas passagens entre os países envolvidos, aspectos que são vinculados a acordos de cooperação, e deliberação no âmbito de cada país. O principal desafio é a simplificação dos processos relativos à participação dos pequenos negócios na composição deste novo cenário econômico do território”, comenta.

O espaço para os pequenos negócios fica evidenciado, além de fortalecer a integração produtiva, elevar o grau de competitividade dos pequenos negócios nos territórios e também as oportunidades de competitividade dos territórios. “O nível de urgência e de importância dada pelos agentes envolvidos poderá resultar na sustentação ou no desaparecimento de milhares de empregos e pequenos negócios”, enfatiza Parmeggiani.

COMO COMEÇOU

O Plano de Desenvolvimento Fronteiriço do Estado de Santa Catarina (PDIF) conduzido pela Secretaria de Estado do Planejamento abrange uma faixa do território de Santa Catarina que se estende a 150 km da fronteira, inclui 82 municípios e tem  suporte técnico e apoio na articulação para a elaboração do SEBRAE/SC.

Com a aprovação do PEDIF pelo Governo de Santa Catarina e pelo Ministério da Integração Nacional, a equipe da coordenação Regional Oeste e Extremo Oeste do SEBRAE/SC também passou a compor a executiva do Núcleo de Fronteira de SC, além de apoio e participação nas  câmaras temáticas, incluindo a de Assuntos Internacionais.

Segundo Parmeggiani, em 2014 o sistema Sebrae destinou recursos para a realização em parceria com a Cooperativa Aurora Alimentos, empresa âncora do projeto de Encadeamento Produtivo Aurora Alimentos - Sebrae/SC: Suínos, aves e leite, onde ficou evidenciada a necessidade de prover suporte a montante das referidas cadeias de suínos e aves, especialmente no provimento de novas fontes de  produção e fornecedores de  milho.

A governança do território identificou caminhos alternativos especialmente na construção de uma proposta que recebeu a denominação de “Corredor do milho”. A identificação da oportunidade veio pela realização de encontro com apoio técnico do Sebrae/SC, promovido pelo NFSC e a participação de dezenas de organizações no evento denominado de Encontro de Integração Transfronteiriça, Santa Catarina(BR) Misiones (AR) em meados de 2016, realizado na Cidade de Dionísio Cerqueira/SC.

O grupo da executiva do NFSC articulou e realizou uma apresentação, na Câmara Temática de Logística do Ministério da Agricultura, em Brasília, dos problemas e gargalos logísticos e do cenário e oportunidades de solução. Da mesma, forma foi inserido através do BRIPAM e organismos responsáveis pelas fronteiras da Argentina e do Paraguai. Estas apresentações foram realizadas pela Executiva do NFSC com participação do Sebrae/SC.

A proposta ganhou consistência e foi articulada nas esferas do Governo do Estado de Santa Catarina, Secretaria da Agricultura, Secretaria de Relações Internacionais, Casa Civil e contou com o apoio da Secretaria de Relações Institucionais em Brasília, além do Legislativo Catarinense. Discutida e internalizada no território, gerou apoio às ações decorrentes e necessárias para o andamento dos propósitos e evolui nas relações com o Mercosul e nos territórios envolvidos.

Na esfera empresarial, a Executiva do NFSC aproximou a pauta com o recém-criado Fórum de Competitividade e Desenvolvimento para o Oeste de Santa Catarina, que abrange os territórios do Meio Oeste, Oeste e Extremo Oeste do Estado, território de quatro vice-presidências da FIESC, e  conta com apoio de várias organizações de cunho empresarial  de educação e interessadas no desenvolvimento do território. Por decisão da governança o assunto foi incluído na pauta de desafios, sendo formalizado o interesse na solução ao governo de Santa Catarina.

No mês de janeiro deste ano, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, criou comissões voltadas para o crescimento e desenvolvimento dos trâmites transfronteiriços. Entre elas a Comissão Nacional de Zonas de Segurança de Fronteira e a Comissão Nacional de Fronteiras, que se uniram ao BRIPAM. A união das comissões ao bloco vem facilitando a regulamentação, coordenação e funcionamento de novas passagens internacionais e demais trâmites entre os países.

ROTA DO MILHO

A primeira etapa da nova rota inicia no departamento de Itapúa (Paraguai), na cidade de Mayor Julio Otaño, passando por Misiones (Argentina), pela cidade de Eldorado com direção a Bernardo de Irigoyen, onde ocorrerá a conexão com o Estado de Santa Catarina (Brasil), através de Dionísio Cerqueira, passando por São Miguel do Oeste. O projeto conta com o apoio das forças políticas do Estado de Santa Catarina, da Província de Misiones e do departamento de Itapúa.

Entre as demais ações transfronteiriças em pauta está a colaboração do BRIPAM com o NFSC para a viabilização de acordo com a Argentina e Brasil para a realização de voos regionais de Chapecó para os países do Mercosul, além da regularização da ponte entre San Pedro, Misiones e Paraíso, em Santa Catarina.

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