Valorização do bezerro não segue a velocidade do boi

Agronegócio

Valorização do bezerro não segue a velocidade do boi

Momento atual traz equilíbrio ao mercado com melhor equalização na relação de troca bovina
Por: -MARCONDES MACIEL
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Os preços não caíram, mas também não houve movimento indicando evolução na cotação do bezerro após a valorização da arroba do boi gordo, que esta semana rompeu a casa de R$ 100 no mercado futuro, para contratos em novembro, dezembro e janeiro, atingindo cotações de R$ 106,71/arroba, R$ 105,94 e R$ 100,90, respectivamente.

De acordo com a Associação dos Criadores do Estado (Acrimat), enquanto a cotação do boi gordo registrou valorização extraordinária nos últimos 90 dias, passando de R$ 75 para R$ 95/arroba esta semana no mercado físico (incremento de 26,66%), os preços do bezerro de sete meses (desmame) se estabilizaram em R$ 650/cabeça.

“A situação atual mostra que tivemos na verdade um aumento da relação de troca de bezerro para boi gordo, que historicamente sempre esteve na casa de dois por um. Com a alta nos preços da arroba e a estabilização dos animais para cria e engorda, hoje precisamos de 2,48 bezerros para comprar um boi de 17 arrobas, que está sendo vendido ao preço de R$ 1,61 mil, se considerarmos a cotação de R$ 95/arroba em algumas regiões do Estado”, explicou o vice-presidente da Acrimat, José João Bernardes.

Alguns fatores, segundo ele, concorreram para que os preços do bezerro se estabilizassem. “Esta é uma época de pouca comercialização de bezerros. Além disso, estamos saindo de uma estiagem prolongada e período de queimadas, quando os animais se enfraqueceram devido à falta de pasto”. A melhor época para comercialização de bezerros é o mês de maio, após a etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa.

“Provavelmente, teremos uma valorização do bezerro e a redução da relação de oferta com o boi gordo”, prevê Bernardes.

REPOSIÇÃO - No ano, o mercado do gado de reposição vem acompanhando, pelo menos em parte, a valorização do preço da arroba do boi gordo em Mato Grosso. Na relação entre a novilha (18 meses) e o garrote (18 meses), a novilha foi a que apresentou maior valorização. Com uma média mensal de R$ 628,50/cabeça, o preço da novilha se valorizou em 3,75% em relação à média do mês de setembro e 20,31% em relação a janeiro deste ano.

O garrote, com um preço médio de R$ 818,41/cabeça, apresentou incremento de 3,12% em comparação a setembro e de 17,58% em relação a janeiro de 2010. Nesse contexto, segundo avaliação do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a comercialização do gado de reposição segue firme, sendo o garrote comercializado com maior preço médio em R$ 900/cabeça na região nordeste e a novilha por uma média de R$ 750/cabeça, na região norte.

FUTURO - Como era de se esperar, o contrato para primeiro vencimento, impulsionado por altas seguidas no mercado físico, rompeu a barreira dos R$ 100/arroba logo no início da semana e atingiu a cotação de R$ 105,94/arroba na sexta-feira da semana passada. No comparativo semanal, a variação foi de 6,4%.

De acordo com os analistas, o mercado já rompeu todas as resistências dos contratos há semanas e caminha em intensa valorização, demonstrando uma tendência bem definida. O spread (diferença entre o preço de compra – procura - e venda – oferta -) com o mercado disponível ficou em R$ 1,01/arroba, respeitando seu movimento natural de aproximação com o físico, uma vez que sua liquidação ocorre na semana que vem. Portanto, o mercado segue firme embasado em escalas curtas, não alterando assim os movimentos vistos nas semanas passadas.

Para os pecuaristas, a valorização do bezerro é necessária para dar sustentação de preço ao invernista face aos altos custos de produção da pecuária.
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