Veja como fica o tempo no mês de junho
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Imagem: Marcel Oliveira
AGROTEMPO

Veja como fica o tempo no mês de junho

Veja os destaques climáticos para o mês que dá início a entrada do período de inverno
Por: -Aline Merladete

Com a entrada do mês de Junho, a expectativa das lavouras de inverno e do avanço dos cultivos sobre a parcela central do Brasil, as condições climáticas do mês podem definir o pleno desenvolvimento dos cultivos. Assim, o clima é de extrema importância para o preparo e  planejamento do produtor rural. Desta forma, separamos aqui os destaques climáticos para o mês que dá início a entrada do período de inverno. 

RESUMO

Condição oceânica: 
•  La Niña persistente e Atlântico Equatorial mais quente. 

Temperaturas
•  Parcela central do Brasil, temperaturas acima da média.
• Região Sul com temperaturas abaixo da média - possibilidade de maior ocorrência de geadas.
• Faixa norte com temperaturas abaixo da média

Chuvas
• Faixa norte e leste do nordeste, acima da média - favorecimento pelas condições oceânicas.
•  Centro-Sul do país, chuvas abaixo da média - condizente com padrão de La Niña
• Parcela central, chuvas dentro da média - porém são esperados baixos volumes.

CLIMATOLOGIA - o que é normalmente esperado
O mês de junho é caracterizado pela transição do comportamento do clima de outono para uma característica mais parecida com o inverno, tanto nas chuvas quanto nas temperaturas. É em Junho que as massas de ar polar começam a adentrar mais ao interior do território nacional e provocar o declínio acentuado no centro sul. 

Esta maior frequência e avanço das massas de ar polar, provocam uma diminuição das temperaturas, e isto, na média ao longo dos anos, dá uma característica típica da entrada do inverno. A tendência é de que as temperaturas médias fiquem abaixo dos 20°C desde o centro de Minas Gerais, sul do Mato Grosso do Sul e seguindo com uma diminuição até o extremo sul do país. Sendo que, nos pontos mais altos de Santa Catarina e sul do Rio Grande do Sul, essas médias ficam abaixo dos 14°C.

Por outro lado, na faixa norte do território nacional, o comportamento segue com poucas variações nas temperaturas, sobretudo nas áreas mais equatoriais. Porém, com o avanço eventual de massas de ar polar, a tendência é de uma temperatura média mais baixa no sul da região norte e sul da região nordeste. Com destaque para as áreas mais altas do sul da Bahia, caracterizada pelas noites mais frias nesta época do ano. 

Em relação às chuvas, o padrão é bastante conhecido e típico. A tendência é de que os bloqueios atmosféricos atuem com maior frequência nesta época do ano, na parcela central do Brasil. E isso mantém o tempo seco numa extensa área, que cobre desde o estado de São Paulo até a metade norte do MATOPIBA. 

Dentro da média das chuvas registradas de 1991 a 2020, áreas como no noroeste de Minas Gerais e oeste da Bahia, podem registrar menos de 10 mm ao longo de todo o mês de Junho. E este padrão mais seco também é observado em praticamente toda a área da região centro oeste e sul da região norte. 

Por outro lado, o padrão das chuvas tende a aumentar sobre o extremo norte do Amazonas e Roraima, onde são esperados - na média - os maiores volumes de chuva do país para o mês de Junho. Isso devido ao posicionamento da Zona de Convergência Intertropical, mais deslocada ao norte nesta época do ano. 

No leste do nordeste, também é esperado uma maior frequência e maior volume de chuvas. E o fenômeno que garante isso é a maior frequência das instabilidades conhecidas como distúrbios de leste, que se formam no meio do oceano e migram para a costa da região, trazendo chuvas. 

Já na região sul de acordo com a média também é esperada chuvas volumosas. E isso acontece devido ao aumento da ocorrência de frentes frias sobre a região. As frentes frias trazem, principalmente, chuvas durante a sua atuação. Assim, áreas ao noroeste do Rio Grande do Sul e oeste de Santa Catarina, têm registros médios acima dos 180 mm para os meses de junho.

CONDIÇÕES OCEÂNICAS

Dados observados

As condições atuais do oceano, mantém o padrão das águas mais frias na região do pacífico equatorial, chegando até uma profundidade de 100 metros, de acordo com as observações mais recentes. Isso corrobora com o padrão persistente de La Niña. Também é observado que a mancha de águas mais frias abrange uma ampla região, praticamente desde as Filipinas até a costa do Chile e costa Oeste dos Estados Unidos. 

Até existem alguns núcleos de águas mais quentes na região do Pacífico equatorial, próximo à América do Sul e emanando da América Central, mas que pouco vão interferir no padrão de La Niña.

Outro ponto de destaque nas águas oceânicas é o padrão mais quente na costa norte e nordeste do Brasil. Isso vem contribuindo para as chuvas mais frequentes e volumosas que estão sendo observadas sobre a região.

Previsão

Já a projeção para o desvio médio de temperatura na região do Pacífico Equatorial, mantém as águas mais frias durante todo o período de Junho. Esta previsão, sustenta as condições para La Niña ainda durante o período e sem sinais de enfraquecimento do fenômeno ao longo do mês. Além disso, a região de abrangência de águas mais frias é bastante ampla, praticamente desde a costa do Oeste dos EUA, costa do Chile até as Filipinas.  Esta maior abrangência, também sinaliza que o evento poderá persistir além de Junho.

A projeção de consenso do IRI/CPC também corrobora com a possibilidade de um prolongamento do fenômeno La Niña. De acordo com o centro, até pelo menos o trimestre de Dezembro-Janeiro-Fevereiro as probabilidades para La Niña são superiores às condições de neutralidade.

PREVISÃO 

Temperatura 

Dadas as condições oceânicas, as projeções para o mês de Junho das temperaturas são condizentes com o padrão de La Niña para a época do ano. As temperaturas serão mais elevadas na parcela central do país, particularmente sobre o leste do Mato Grosso, norte do Mato Grosso do Sul, Triângulo Mineiro, Goiás até o sul do Maranhão. 

Isso poderá ser um reflexo da menor quantidade de chuvas esperada para o período e também da intensificação dos bloqueios atmosféricos, que contribuem tanto para o aumento nas temperaturas, quanto como uma barreira na chegada de umidade na região.

Por outro lado, as temperaturas poderão ficar abaixo da média esperada para o período no extremo norte do país e também nos estados do sul. Entretanto, as condições para isso são diferentes nas duas regiões. No norte, as chuvas ficam mais frequentes e volumosas, diminuindo a presença do sol, que consequentemente diminui as temperaturas. No sul, é esperado o contrário, as temperaturas tendem a ficar menores devido à menor presença de nuvens durante a noite, resultando em uma maior perda de calor.

Chuvas

Assim como as temperaturas, e vice-versa, o padrão das chuvas para junho é condizente com o comportamento esperado para o período em situação de La Niña. 

As chuvas vão se concentrar na faixa norte do Brasil, abrangendo desde o Recôncavo Baiano até o oeste do Amazonas. Este padrão, além de ser um reflexo do La Niña, também é influenciado pelas águas mais quentes do Oceano Atlântico. A maior presença de chuvas na região Amazônica, provoca uma diminuição das temperaturas, ao passo que, a maior presença de chuvas no leste do nordeste, pode trazer um leve aumento das temperaturas médias. 

Já no centro-sul do país, são esperadas chuvas abaixo da média. Isso pode ocorrer desde o extremo sul do Rio Grande do Sul até o sul do Mato Grosso do Sul. A menor quantidade de chuvas, poderá favorecer mais noites de céu claro e consequentemente a perda de calor e formação de geadas consecutivas. 

Na parcela central do Brasil, as projeções indicam chuvas dentro do esperado para o mês. No entanto, vale ressaltar que o período é caracterizado por poucas chuvas, com regiões onde comumente chove menos que 10 mm ao longo do mês. 

 

 


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