Vendas de etanol aos EUA surpreendem

Agronegócio

Vendas de etanol aos EUA surpreendem

Os Estados Unidos devem continuar como principais importadores do combustível brasileiro
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Os Estados Unidos, maiores produtores mundiais de álcool, devem continuar como principais importadores do combustível brasileiro. Neste ano, os americanos bateram novo recorde de produção, com volume de 26,2 bilhões de litros, 32% acima de 2006, mas como boa parte da produção do combustível está concentrada no Meio Oeste americano, a distribuição para regiões mais distantes do país ainda não é economicamente viável.

"Importantes regiões consumidoras de álcool, como Califórnia, Flórida e Nova York, estão longe do pólo de produção", observa Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro. Para essas regiões, a importação ainda é uma opção mais barata.

O fato é que a distância entre o pólo de produção e de consumo dos EUA tem beneficiado o Brasil. A distribuição do combustível naquele país é feita por meio de rodovias, ferrovias e até hidrovias. Sem levar em consideração o "gargalo logístico" americano, analistas de mercado e consultorias do Brasil estimaram que as exportações brasileiras para o mercado americano iriam cair pela metade este ano, por conta da safra recorde americana.

A produção recorde americana foi confirmada, mas os volumes embarcados para os EUA até agosto, de 1,433 bilhão de litros (vendas diretas e via Caribe), ultrapassaram de longe as estimativas iniciais, levando essas mesmas consultorias e analistas a refazerem suas previsões.

Dados da consultoria Datagro mostram que os embarques brasileiros de álcool devem cair cerca de 7% este ano, totalizando entre 3,1 bilhões e 3,2 bilhões de litros, ante 3,43 bilhões no ano-civil de 2006. Em receita, as exportações devem ficar em US$ 1,27 bilhão, com recuo de 20% sobre 2006 (US$ 1,604 bilhão). Para o mercado americano, os embarques devem alcançar até 1,7 bilhão de litros, recuo de 22% sobre o ano passado (de 2,2 milhões de litros). A participação dos Estados Unidos no total de embarques do país deve ficar entre 55% e 60%, ante 65% em 2006.

Desde 2006, os EUA ultrapassaram o Brasil no volume de produção de álcool. Com cerca de 130 destilarias no país e dezenas de novos projetos em andamento, a oferta americana de álcool deverá dobrar nos próximos três anos, segundo analistas. Os volumes produzidos este ano pelas destilarias em operação já foram suficientes para derrubar os preços do álcool nos mercados americano e internacional. Nos EUA, o galão do álcool está cotado a US$ 1,55, queda de 64% sobre junho do ano passado, quando as cotações registraram forte elevação à época por conta dos elevados preços da gasolina.

Parte da queda dos embarques brasileiros de álcool para os EUA foi compensada pela maior demanda dos países europeus. As vendas para a UE devem dobrar para quase 600 milhões de litros este ano, estimulados pelo maior consumo de álcool combustível.


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