Implantado em 1976, vinhedo histórico da Almadén, em Santana do Livramento, passa a integrar cadastro internacional que reconhece e valoriza vinhas antigas, abrindo caminho para a utilização do Selo OVR no vinho Vinhas Velhas Tannat, que faz parte da Coleção dos Sete Lendários
O tempo é um dos grandes aliados da excelência no mundo do vinho. Nas videiras, ele se traduz em raízes profundas, adaptação ao território e uma história construída safra após safra. É justamente esse patrimônio que a Miolo Wine Group passa a valorizar também por meio de um reconhecimento internacional. Implantado originalmente em 1976, o primeiro vinhedo da Vinícola Almadén, em Santana do Livramento, na Campanha Central, completa 50 anos de história e dá origem ao vinho Miolo Vinhas Velhas Tannat. Agora, esse patrimônio vitícola foi registrado no Old Vine Registry (OVR), iniciativa internacional dedicada à identificação e à preservação de vinhedos antigos. Com o cadastro, a Miolo avança para a utilização do Selo OVR, que, após a autorização, passará a identificar as garrafas do Miolo Vinhas Velhas Tannat, um dos grandes ícones da vitivinicultura brasileira, integrante da Coleção dos Sete Lendários. A identificação permitirá ao consumidor reconhecer a origem do vinho em um vinhedo histórico com meio século de existência.
O Old Vine Registry é um registro internacional que documenta e regulamenta vinhedos antigos, reunindo informações sobre localização, variedades cultivadas, ano de plantio e outras características que ajudam a preservar a memória vitícola mundial. A iniciativa também disponibiliza o Selo OVR, criado para identificar vinhos elaborados com uvas provenientes de vinhedos cadastrados, estabelecendo critérios objetivos para a utilização dessa identificação em rótulos e materiais de comunicação.
Para receber o selo, pelo menos 85% das uvas utilizadas na elaboração do vinho devem ser provenientes de um ou mais vinhedos registrados no Old Vine Registry. A identificação também considera a idade das videiras, com categorias de 35, 50, 75, 100 e 150 anos ou mais. No caso da Miolo, o reconhecimento está relacionado ao vinhedo Vinhas Velhas, na Campanha Central, onde o vinhedo com 50 anos dá origem a um vinho que expressa a história e a identidade desse terroir.
Um patrimônio preservado na Campanha Central
Um dos diferenciais desse vinhedo histórico é o sistema de condução gobelet, também conhecido como sistema em vaso, um dos métodos mais antigos de cultivo da videira no mundo. Diferentemente das espaldeiras convencionais, as plantas crescem sem estruturas permanentes de sustentação, assumindo a forma de pequenos arbustos, com braços que se desenvolvem a partir de um tronco próximo ao solo. Essa configuração favorece a proteção natural dos cachos pela própria folhagem e estabelece uma relação particular entre a planta e o ambiente. O sistema também exige um manejo cuidadoso, com intervenções predominantemente manuais, especialmente na poda e na colheita, valorizando o saber-fazer de quem acompanha essas videiras ao longo das safras.
Preservado há cinco décadas, o vinhedo também faz parte do roteiro de enoturismo Vinotoca, da Vinícola Almadén, proporcionando aos visitantes a oportunidade de conhecer de perto esse sistema tradicional de cultivo e compreender a história das videiras que dão origem ao Miolo Vinhas Velhas Tannat. A experiência aproxima o público de um patrimônio vivo da vitivinicultura brasileira, conectando a paisagem da Campanha Gaúcha, o trabalho no campo e a identidade de um dos vinhos da Coleção dos Sete Lendários.
Para Adriano Miolo, diretor-superintendente da Miolo Wine Group, o registro internacional representa o reconhecimento de um trabalho que começa muito antes da elaboração do vinho. “Um vinhedo de 50 anos carrega uma história que não pode ser construída de um dia para o outro. São cinco décadas de adaptação das videiras ao território, de conhecimento acumulado e de respeito à natureza. Preservar esse patrimônio e transformá-lo em um vinho como o Vinhas Velhas é uma forma de valorizar nossas origens e mostrar ao mundo o potencial da vitivinicultura brasileira. Esse reconhecimento internacional tem um significado muito especial porque distingue não apenas um vinho, mas toda a história que existe por trás dele e contribui para a preservação desses vinhedos históricos, reconhecidos a nível mundial”, destaca.