Webinar debate o manejo da cultura do trigo
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EVENTO

Webinar debate o manejo da cultura do trigo

Promoção é da Secretaria da Agricultura e da Emater/RS-Ascar
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“Manejo da Cultura do Trigo” foi abordado nesta segunda-feira (10) no Webinar promovido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) e pela Emater/RS-Ascar. A abertura foi feita pelo coordenador das Câmaras Setoriais e Temáticas da Seapdr, Paulo Lipp; pelo coordenador da Câmara Setorial do Trigo, Tarcísio Minetto; e pelo presidente da Emater/RS-Ascar, Geraldo Sandri. O evento teve a participação de cerca de 100 pessoas, entre produtores rurais e representantes de órgãos públicos, setores produtivo e industrial, instituições de pesquisa e assistência técnica. A transmissão ocorreu simultaneamente pelo YouTube do Rio Grande Rural e pelo Facebook da Emater/RS-Ascar.

O fitopatologista da Biotrigo Genética, doutor Paulo Roberto Kuhnem Junior, falou sobre “Manejo de doenças foliares e giberela para a safra 2020 no RS”. Ele disse que, como todo cultivo, a cultura do trigo está exposta a doenças. E conhecer as enfermidades do cereal e saber como preveni-las e tratá-las é a melhor estratégia para que o produtor mantenha uma lavoura sadia e garanta produtividade e qualidade dos grãos. “As epidemias das doenças estão associadas à presença do patógeno, condições climáticas favoráveis e hospedeiros suscetíveis. No Rio Grande do Sul, esses fatores variam de safra para safra, demandando cuidados diferenciados dos produtores e assistência técnica a cada safra”, explicou. 

Segundo Kuhnem Junior, o efeito climático El Niño/La Niña atua favorecendo ou desfavorecendo os patógenos da cultura do trigo. Deste modo, o manejo integrado da lavoura, como uso de sementes sadias isentas de patógenos, rotação de culturas, uso de cultivares resistentes e aplicações de fungicidas baseado no monitoramento são importantes para se alcançar produtividade e qualidade de grãos. “Dentre as doenças do trigo, as mais frequentes e que têm demandado maiores cuidados são a mancha amarela, oídio na folha e giberela na espiga, este último em especial pela questão de segurança alimentar pela legislação da micotoxina Deoxinivalenol (DON)”. E, conforme o fitopatologista, o uso de cultivar resistente é o meio mais efetivo e econômico de se controlar as doenças. “No entanto, essa estratégia de controle nem sempre está disponível, e também não se tem uma cultivar com resistência a todas as doenças. Na ausência da resistência genética completa, ou onde ela é parcial, se faz necessário o uso das demais estratégias de controle”, pontuou.

Kuhnem Junior destacou que, dentro do complexo de manchas foliares do trigo, a mancha amarela é o que tem predominado nas últimas safras, em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. Ela causa uma lesão que destrói a área foliar, que deixa de ser fotossinteticamente ativa, o que afeta o rendimento de grãos. De acordo com ele, as condições ideais para o aparecimento da doença são temperaturas próximas aos 20°C e molhamento foliar. “A mancha amarela é causada por um fungo necrotrófico com habilidade de sobreviver no tecido morto do trigo. Esse fungo pode sobreviver nos restos culturais e nas sementes. A melhor forma de manejar é utilizar sementes sadias e utilizar a rotação de culturas, ou seja, evitar semear trigo sobre trigo ano após ano. O ideal é, depois do trigo, plantar outra espécie que não seja hospedeira do fungo, como aveia, ervilhaca, triticale, centeio, cevada, canola ou nabo forrageiro, o que diminui a densidade de inóculo na palhada”.

O estudo mostra ainda que o controle químico com fungicidas tem sido uma ferramenta. No entanto, tem sido observada uma queda na eficiência dos fungicidas. “Isso preocupa a cadeia produtiva como um todo, tanto o produtor, como a assistência técnica. A redução da eficiência faz com que seja cada vez mais importante utilizar uma cultivar com nível de resistência maior, que permite flexibilizar o manejo de fungicidas na parte aérea”, esclareceu.

Para o fitopatologista, o manejo mais eficiente da giberela observado é através da utilização de cultivar moderadamente resistente e aplicações de fungicidas na fase de florescimento. O estádio de florescimento é o período de suscetibilidade da cultura. “Para que ocorra essa infecção, o fungo precisa de molhamento na flor. Após causar infecção de uma espigueta, o fungo vai tentar expandir ao longo da espiga e nesse processo ele pode liberar micotoxinas, em especial desoxinivalenol (DON), que auxilia na colonização nos tecidos da espiga. Ela afeta a qualidade do trigo e pode causar micotoxicose em humanos e animais”. Segundo Kuhnem Junior, no Brasil, o limite máximo tolerável de micotoxinas varia conforme o tipo de alimento, o que foi estabelecido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2011, sendo que a regra começou a valer a partir de janeiro de 2019.

“Afídeos e viroses em trigo - monitoramento, fatores de risco e manejo” foi apresentado pelo fitopatologista da Embrapa Trigo, doutor Douglas Lau. Ele contou que, historicamente, afídeos (popularmente conhecido como pulgões) são a principal praga da cultura do trigo. “Após o exitoso programa de controle biológico dos pulgões do trigo, afídeos praticamente não causam danos diretos à cultura. No entanto, enquanto vetores de vírus, transmitem o barley yellow dwarf virus (BYDV), que causa o nanismo-amarelo-do-trigo, cujo dano médio à produtividade de trigo tem sido estimado em 20%”.

Conforme Lau, as epidemias dessa virose estão intrinsecamente ligadas à favorabilidade das condições ambientais aos afídeos. “Anos mais secos e com temperaturas mais amenas propiciam crescimento das populações de afídeos e transmissão do vírus. A tomada de decisão do manejo passa pelo monitoramento das populações e intervenção, sobretudo, nos momentos mais críticos de desenvolvimento da cultura”, esclareceu.

Outra virose de impacto econômico na cultura do trigo, de acordo com o fitopatologista, é o mosaico-do-trigo. “As condições predisponentes à ocorrência dessa virose são precipitações pluviométricas elevadas à época da semeadura”, explicou. “O vírus é transmitido por um microrganismo que habita o solo e que produz esporos capazes de nadar até encontrar as raízes das plantas. Quanto mais tempo o solo permanece saturado, maiores as chances de o vetor conseguir encontrar o trigo e transmitir o vírus. O manejo requer o uso de cultivares resistentes, melhoria do solo por meio de rotação de culturas e adequada nutrição das plantas”, concluiu.


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