Por Francisco Sampaio – Gerente de Negócios da Pioneer Sementes

Em 1980 o mercado de milho no Brasil dava início a uma mudança no quadro de oferta. Mesmo que ainda timidamente, a produção de milho passou a ter oficialmente a segunda época de plantio com os primeiros plantios no Nordeste brasileiro. Na safra de 1983/84, representando apenas 6,5% da área total e 5,6% da produção total do Estado, iniciava-se no Paraná uma segunda safra de milho plantada em sucessão à safra oficial de verão. Nascia, então, o que hoje é oficialmente reconhecido como safrinha. Portanto, em 2009, a safrinha completou 25 anos e consolidou novo marco na dinâmica de oferta e demanda deste cereal. Mas, se há 25 anos a safrinha teve seu início pautado como mercado de oportunidade visando o escoamento das sementes não consumidas na safra de verão, hoje o Planejamento Técnico e a Importância Econômica da segunda safra são fundamentos indispensáveis. Nesse período, além do significativo aumento de área plantada superior a 15 vezes, muitas outras conquistas foram alcançadas. Dentre elas, iremos destacar as 5 principais:
- Aumento de 215% na produtividade. Na safrinha plantada em 1984, a produtividade foi de 1.174 kg/ha e, em 2009, de 3.694 kg/ha em todo o país, comprovando que a adoção de alta tecnologia foi fator fundamental para esta brilhante conquista;
- A primeira vez em que a produtividade nacional alcançada na safrinha superou as 3,5 toneladas/ha foi em 2003, quando estados como MS, GO e PR conquistaram produtividades superiores a 4,0 toneladas/ha;
- O cenário de milho no Brasil mudou radicalmente a sua dinâmica pois, se em 1984 a produção de milho safrinha representou apenas 2% da produção total, em 2009 este percentual foi de 34%;
- Em 1995, a Pioneer Sementes inaugurou em Toledo, no Paraná, a primeira estação de pesquisa do Brasil com foco 100% voltado para pesquisa e desenvolvimento de híbridos adaptados ao desafiador ambiente de safrinha;
- Em 2008, o estado do Mato Grosso se tornou o segundo maior produtor de milho do Brasil, fruto de uma consolidação da alta tecnologia aplicada na safrinha, onde, nos últimos 10 anos, conquistou uma evolução de 197% em produtividade, saltando de 1.500 kg/ha para 4.450 kg/ha em uma expressiva área de 1,5 milhão de hectares;
Agora estamos nos aproximando do novo planejamento para a safrinha 2010 e, assim, teremos que avaliar com critério e cautela tudo que ocorreu com esta última safrinha plantada em 2009, já que tivemos altos custos de produção e, nem com as excelentes produtividades alcançadas nos estados de Goiás e Mato Grosso, não temos muito a comemorar, pois os baixos preços praticados pelo mercado impediram maiores lucratividades, deixando para a grande maioria, um grande sentimento de frustração.
SAFRINHA 2010 – O que nos espera?
Em 2009, tivemos um mercado de milho onde as percepções foram as mais variadas, já que apenas poucos conquistaram boa lucratividade, e para isso, dois foram os pré-requisitos:
- Conquista de altas produtividades. Como não poderia ser diferente, a história tem provado e comprovado que só alcançando altos rendimentos é que minimizamos as flutuações e a volatilidade de preços, principalmente para o mercado de milho que possui duas grandes safras dentro do mesmo ano. Assim, na safra de verão, a meta deve ser sempre atingir produtividades superiores a 145 sc/ha, conquista factível para todas as regiões milhocultoras do Brasil, pois nas áreas de maior vocação produtiva já são conquistadas produtividades superiores a 200 sc/ha, mesmo em condições de sequeiro. E, para a safrinha, os fundamentos são os mesmos, mas por motivos óbvios, as expectativas são menores e os melhores rendimentos situam-se na faixa dos 80 a 90 sc/ha, mesmo sabendo que em regiões como Mato Grosso e Goiás já se atinge produtividades superiores a 110 sc/ha de média em áreas extensas e, casos excepcionais, de 130 sc/ha como vimos na safrinha 2009 no MT;
- Trabalhar conceito de Margem. Tratando a lavoura como uma unidade de negócios, é fundamental que a especulação seja mínima e a tentativa de acertar o pico de preços seja abolida, pois a história prova que este método por tentativa tem sido extremamente perigoso e punitivo para a maioria dos produtores, pois dentro de um cenário pautado pela volatilidade e recheado de inúmeras variáveis, é praticamente impossível comercializar 100% da safra no pico de preços. Assim, é fundamental ter uma precisa planilha de custos para se estabelecer a margem a ser conquistada, e após um criterioso acompanhamento de mercado, definir o momento de liquidar posições.
Agora olhando para a safrinha 2010, precisamos perceber o mercado de milho dentro de uma visão mais ampla, avaliando o cenário nacional e mundial para tomarmos a decisão mais acertada e, dentro desta ótica, veremos que as expectativas são bem mais animadoras do que esta última. Vamos destacar os 10 pontos principais que irão nortear a safrinha em 2010:
- O Brasil está plantando a menor área de milho desde a década de 60, pois foi em 1966 a última vez que o país plantou uma área de milho inferior a 9,0 milhões de hectares. Segundo dados do USDA/CONAB /MAPA, o Brasil deve plantar, no máximo, 8,4 milhões de hectares na safra verão 2009/2010;
- Mesmo com as exportações reprimidas em 2009 pelo câmbio desfavorável, onde deveremos totalizar, no máximo, 7,5 milhões de toneladas, nosso estoque de passagem está estimado pelas consultorias em, aproximadamente, 6,0 milhões de toneladas, o suficiente para um consumo de, no máximo, 45/50 dias, o que nos sinaliza que, em meados e até o final de fevereiro de 2010, poderemos ter problemas de desabastecimento em virtude da forte retração na área da safra verão do Sul e Sudeste do país, o que pode promover uma elevação significativa nos preços;
- O segundo semestre de 2009 teve forte redução nos custos de produção, principalmente quando avaliamos os fertilizantes, que puxados pelos nitrogenados apresentou reduções superiores a 45%. Assim a cultura do milho, que responde muito ao uso de nitrogenados, torna-se a grande favorecida e todas as consultorias já apontam para uma redução de, pelo menos, 15% no custo total de produção para safrinha 2010;
- A alta disponibilidade de híbridos de alta tecnologia, associados às novas tecnologias e o uso associado de fungicidas e Tratamento Industrial de sementes para controle de sugadores propicia maior proteção da lavoura e produtividades ainda maiores na colheita.
- O Brasil já se consagrou como o país que adotou com maior velocidade a Tecnologia Bt. Estima-se que a próxima safrinha terá, no mínimo, 50% de adoção e muitas regiões com índices superiores a 70%. Isto já é uma garantia de maior proteção contra ataques de lagartas e melhor qualidade de grãos, o que promove maior segurança quanto à produtividade almejada;
- Os estudos climáticos indicam para uma forte expectativa de aparecimento do fenômeno El Niño, o que sinaliza maiores precipitações pluviométricas e melhores chances de altas produtividades, o que significa um incentivo à adoção de maior tecnologia;
- A Argentina estará plantando a menor área de milho desde 1991, estimando-se uma área de, no máximo, 2,0 milhões de hectares;
- Os EUA estão colhendo em 2009 a segunda maior safra de milho da sua história, estimada em 329 milhões de toneladas. Mas, o fato de maior destaque é que os americanos estão com o maior consumo de milho de toda a sua história: devem totalizar uma demanda superior a 331 milhões de toneladas. Assim, a relação estoque/ consumo será reduzida de 14,1% para 12,6% no maior produtor mundial de milho;
- Em 2009, os EUA devem utilizar o volume recorde de milho para etanol, chegando a 104 milhões de toneladas. Assim atende às exigências impostas pela Lei definida ainda no governo Bush, assinada em dezembro de 2007 (Energy Independence and Security Act of 2007), e que estabelecia um percentual mínimo de 10% de mistura de etanol em toda gasolina consumida. Está tramitando no Congresso americano uma proposta de aumento deste percentual mínimo para 15% já em 2010. O governo Obama já admite, pelo menos, uma elevação para 12%, o que sinaliza forte incremento na demanda de milho para o próximo ano;
- Na América do Sul, com a forte redução nas áreas de milho nos principais produtores como Brasil, Argentina e Paraguai, a safrinha 2010 será o grande balizador de preços para o segundo semestre do próximo ano, pois o primeiro semestre será marcado pela pouca oferta de milho no hemisfério Sul;
Diante de todas estas análises e considerações, concluímos que é fundamental separar os aspectos que nortearam a safrinha 2009 daqueles que estarão prospectando a safrinha 2010. Teremos melhores chances de lucratividades porque, além de melhores expectativas de preços, temos considerável redução no custo de produção. E tudo isso estará associado ao novo sistema de combinação de tecnologias, ou SOLUÇÃO COMPLETA, que a Pioneer estará disponibilizando para a próxima safrinha, contemplando forte Sistema de Combinação de Híbridos, Tratamento Industrial de Sementes, Tecnologia Bt com os genes YieldGard® e Herculex® I, Native Genes e toda a força de serviços prestados pela Pioneer. Na safrinha 2010 teremos a TECNOLOGIA A SERVIÇO DA LUCRATIVIDADE.