O Rio Grande do Sul teve muita sorte nesta safra de grãos de verão. A colheita está praticamente encerrada e, analisando os dados dos últimos dias, pode-se concluir que a safra 2008/2009 está praticamente normal. A previsão da Emater é de que tenham sido colhidos mais de 21 milhões de toneladas de grãos, estimativa pouco inferior a colheita do ano passado, que foi de 22 milhões e a super safra de 2007, que passou de 23 milhões de toneladas.
Olhando em retrospecto os números da colheita deste ano, nem de longe nos aproximamos da safra de 2005, por exemplo, que foi de 12 milhões de toneladas. Em 1991, a colheita foi ainda pior, com apenas 9,3 milhões de grãos colhidos, em virtude da forte estiagem que afetava o Rio Grande do Sul.
Importante destacar que estamos falando apenas da colheita de grãos no RS, sem levar em conta a olericultura, a produção de leite e gado de corte, estas sim, bastante afetadas com a falta de chuvas, bem como a disponibilidade de água potável em algumas regiões.
A chuva regular de janeiro e fevereiro, período da floração e enchimento de grãos das culturas de verão, foi determinante para chegarmos ao resultado desta colheita. Sem isso, o cenário seria catastrófico. A nossa preocupação agora concentra-se na implantação das culturas de inverno e nas pastagens, estas sim já comprometidas com a falta de chuva.
Não é mais possível dependermos apenas do clima para viabilizarmos a produção no campo. Já avançamos alguns passos, com a criação de um plano de irrigação para o Estado e mais recentemente, Governo do Estado e Emater lançaram um programa para construção de cisternas, açudes e microaçudes – o Pró-Irrigação. É um programa simples, mas de impacto imediato e que ganha ainda mais sentido em tempos de estiagem.
Ao longo do ano passado, a Emater capacitou quase 12 mil pessoas sobre a importância dos programas de irrigação. Já concretizamos 1.312 projetos, mas nossa meta é viabilizar a construção de 2 mil cisternas e 3.860 microaçudes.
Nesse contexto, precisamos destacar a importância da diversificação. Isso, porém, demanda uma mudança de cultura e a Emater tem papel destaque nesse cenário, pois vislumbra na diversificação a possibilidade de equilíbrio no desenvolvimento primário, com perspectivas positivas.
Ainda há muito por fazer, mas estamos no caminho certo. Nosso desafio reside em fazer chegar ao homem do campo os recursos existentes e fazer com que ele os aplique da melhor forma possível, para que não tenhamos que acordar pela manhã e lamentar por mais um dia lindo de sol.
Tempo bom para a chuva
Por * Águeda Marcéi Mezomo - Diretora Técnica Emater/RS-Ascar
31/08/2009 08h52 · Fonte: Emater/RS


