Mosaico dourado

BGMV (Bean Golden Mosaic Virus)

Culturas Afetadas: Feijão

O mosaico dourado, relatado pela primeira vez no Brasil em 1965, foi considerado inicialmente de pouca importância econômica devido a sua baixa incidência. No fim da década de 60, com a expansão do cultivo de espécies hospedeiras da mosca branca (

Bemisia tabaci Genn.), vetora do vírus, principalmente a soja e o algodoeiro, o vírus disseminou-se rapidamente. A partir de 1973, passou a ser considerada a virose mais importante da cultura na maioria dos estados produtores do Brasil, principalmente nos Estados do Paraná e São Paulo. Populações elevadas do inseto vetor desenvolvem-se em “amendoim-bravo” ou “leiteiro” (Euphorbia spp.), gênero da vegetação espontânea que passou a dominar as áreas cultivadas após a colheita da soja. Estas populações são responsáveis pelo agravamento da doença em áreas cultivadas com o feijão das secas (plantios de janeiro a março).

O BGMV pode infectar 100% das plantas na maioria das lavouras de cultivares suscetíveis. Nessas condições, considerando as perdas em peso e qualidade, os prejuízos também são da ordem de 100% ou próximos. O mosaico dourado constitui uma das principais viroses do feijoeiro também em outros países da América do Sul, como Argentina e Colômbia, e na maioria dos países da América Central e Caribe. O vírus também foi constatado na Flórida (EUA).

Danos: O tipo e a severidade dos sintomas apresentados pelo mosaico dourado são variáveis. Quando a infecção ocorre no início do desenvolvimento das plantas, os primeiros trifolíolos aparecem encarquilhados ou curvados para baixo, seguido de clareamento ou leve clorose das nervuras. A medida que as folhas desenvolvem-se, as cloroses nas nervuras transformam-se em pequenas manchas amareladas, conferindo um aspecto salpicado ao limbo foliar. Trifolíolos encarquilhados podem não se desenvolver normalmente. Plantas com predominância de encarquilhamento sofrem drástica redução em tamanho, podendo ocorrer deformação das brotações laterais. Quando o sintoma predominante é o mosaico, a redução no desenvolvimento das plantas é menos acentuada. Em condições de campo, existem cultivares que reagem predominantemente com encarquilhamento e outras com mosaico. Existem também cultivares que apresentam todos os tipos de sintomas. Além da variação genética das plantas, a ocorrência de estirpes do BGMV e infecção mista deste com outros vírus são as causas principais da variação na sintomatologia.

Controle: O uso de cultivares resistentes ou tolerantes é atualmente a medida mais eficiente de controle. Cultivares desenvolvidos com essa finalidade, como IAPAR 57, IAPAR 65 e IAPAR 72 foram recomendados para plantios em épocas e regiões de incidência do BGMV no Estado do Paraná. O cultivar Ônix também foi recomendado para plantio da seca, para algumas regiões do Brasil, sob moderada incidência precoce do BGMV. Outras medidas reduzem a incidência da virose, mas não propiciam controle satisfatório quando aplicadas individualmente. Entre estas temos:

a) Escolha de épocas de plantio, evitando coincidir o início da cultura com altas populações de mosca branca;

b) Plantios intercalares ou entre faixas de outras espécies, que servem de barreiras para o vetor;

c) Uso de inseticidas sistêmicos a partir do início do desenvolvimento das plantas.

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