Oídio (Uncinula necator)

Oídio

(Uncinula necator)

Culturas Afetadas: Todas as culturas com ocorrência do alvo biológico, Uva

Anamorfo: Oidium tuckeri

O oídio é uma doença que causa severos prejuízos em países europeus. No Brasil, raramente apresenta-se em alta severidade, em parte devido à alta freqüência de chuvas no período vegetativo da planta, desfavorável ao fungo e em parte devido à utilização de uvas de origem americana, mais resistentes, principalmente no sul do país. Entretanto, em anos em que ocorrem períodos secos, a doença pode aparecer com intensidade suficiente para causar danos.

Danos: O oídio manifesta-se em todas as partes verdes da planta. O fungo penetra apenas nas células da epiderme, através da emissão de haustórios. No entanto, células vizinhas às infectadas podem tornar-se necróticas. Um crescimento branco, pulverulento, é percebido na superfície do tecido hospedeiro, pela presença de micélio com conidióforos e conídios (sinais). Além dos sinais do patógeno, folhas jovens apresentam subdesenvolvimento acentuado, retorcimento e murcha do limbo. Em fases mais adiantadas, os tecidos afetados mostram-se pardos. Nos cachos, em ataque precoce, causa queda de flores, não permitindo a frutificação. Quando o fungo infecta bagas pequenas, sintomas semelhantes aos das folhas podem ser observados, com conseqüente paralisação do crescimento, acompanhado, geralmente, de queda prematura. Em bagas maiores, o fungo provoca crescimento desigual entre a casca parasitada e a polpa intacta, com conseqüentes rachaduras. Nesta situação as bagas secam ou apodrecem, sendo freqüente a colonização com Botrytis cinerea.

A sobrevivência do fungo ocorre tanto na forma de micélio dormente, no interior das gemas da uva, como pela formação de cleistotécios (corpos de frutificação da fase sexuada). No Brasil, a sobrevivência pelo micélio é mais importante. Na primavera, com a brotação das gemas, o micélio dormente do fungo é “reativado” e produz numerosos conídios, O desenvolvimento da doença é favorecido por clima seco e fresco, com intervalo ótimo de temperatura para infecção e colonização entre 20-27ºC. Temperaturas muito altas (acima de 35ºC) inibem o desenvolvimento da doença. Chuvas fortes também são desfavoráveis ao patógeno, pois retiram os conídios da superfície do hospedeiro e podem romper a massa micelial, destruindo parte do fungo.

Controle: Há muita variação na suscetibilidade ao oídio entre as diferentes espécies do gênero Vitis. Vitis vinifera e as asiáticas Vitis betulifolia, Vitis pubescens, Vitis davidii, Vitis pagnucii e Vitis piasezkii são altamente suscetíveis. Espécies americanas como Vitis aestivalis, Vitis berlandieri, Vitis cinerea, Vitis labrusca, Vitis riparia e Vitis rupestris apresentam certa resistência.

O controle químico do oídio da videira é feito, principalmente, pela aplicação de fungicidas à base de enxofre. Os produtos comerciais disponíveis no mercado vêm formulados, em sua maioria, como pós molháveis, que apresentam boa capacidade de retenção, embora formulações de pós secos também possam ser usadas. A principal restrição ao uso do pó seco é sua baixa persistência na presença de chuvas, fazendo com que o produto seja usado preferencialmente em regiões ou épocas secas. Novas formulações em soluções concentradas, que permitem maior cobertura e maior aderência do produto à superfície tratada podem também ser utilizadas. Apesar de ser bastante eficiente e relativamente barato, o enxofre deve ser usado apenas quando a temperatura do ar estiver entre 25 e 30ºC, pois sob temperaturas mais elevadas, ele causa severas queimaduras nas plantas ao passo que sob temperaturas baixas (menores de 18ºC), sua eficácia é comprometida. Há uma série de fungicidas registrados para o combate à doença e as aplicações devem ser iniciadas apenas após o aparecimento dos primeiros sinais do patógeno. No Rio Grande do Sul, recomenda-se um esquema fixo de aplicações com três pulverizações: a primeira no estádio 9, a segunda no 19 e a terceira no 29.

Em países onde o fungo sobrevive na forma de cleistotécios, a aplicação de calda sulfo-cálcica sobre as gemas dormentes reduz significativamente o inóculo inicial e, conseqüentemente, atrasa o início das epidemias.

Recomenda-se o uso de produtos registrados para a cultura.

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