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Seminário apresenta Integração Lavoura-Pecuária (ILP) como caminho para uma agropecuária de baixo carbono

Evento debate ILP para uma agropecuária de baixo carbono e sustentável em Minas


Foto: Divulgação

Cerca de 70 profissionais puderam acompanhar apresentações e debater o potencial dos sistemas produtivos integrados, com diversificação, resiliência e sustentabilidade.

A Embrapa Milho e Sorgo e a Cooperativa Central de Produtores Rurais (CCPR) realizaram o Seminário “ILP: caminho para uma agropecuária de baixo carbono, diversificação, resiliência e sustentabilidade”. Durante a manhã, os convidados foram recebidos no Auditório Renato Coimbra.

O chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo, Frederico Botelho, representando o chefe-geral, Vinícius Guimarães, deus as boas-vindas aos convidados e destacou que o evento faz parte do calendário de comemorações de aniversário de 50 anos da Unidade e traz informações do que pode ser importante para a região e para o Brasil.

“Pretendemos mostrar o potencial que a região Central de Minas tem para alavancar a produção de grãos e toda a agropecuária. Temos o real mercado para a produção com a fábrica de rações da CCPR. Estamos com grande oportunidade para produtores que queiram atuar com sistemas sustentáveis”, comentou Botelho. “Sabemos das dificuldades da região, especialmente na segunda safra, com a indisponibilidade hídrica. Continuamos com nossa missão de apoiar os produtores nos próximos 50 anos”.

O presidente da CCPR, Marcelo Candiotto, destacou o seminário como a primeira grande atividade após a assinatura da parceria entre a CCPR e a Embrapa. “Esse é o início de um trabalho que trará resultados para produtores e para a região Central Mineira.”

Candiotto e Botelho ressaltaram a parceria com o Sicoob e que a programação, unindo técnicos da CCPR e pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo.

Feliciano Nogueira de Oliveira, superintendente de Inovação e Economia Agropecuária da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, cumprimentou os pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo e demais participantes. Ele destacou a crescente produção, produtividade e exportações mineiras. “Em 2024 e 2025, nosso estado teve mais exportações da agropecuária do que da mineração”.

Integração Lavoura-Pecuária

O pesquisador Ramon Alvarenga compartilhou experiências e aprendizados desenvolvidos ao longo de 21 anos de ILP na Embrapa Milho e Sorgo.

Na Unidade de Referência Tecnológica (URT), 22 hectares estão divididos em quatro glebas de 5,5 hectares, em que é feita a rotação dos cultivos a cada ano, já no sexto ciclo de rotação intensiva. Ramon explicou que a agropecuária intensiva busca reduzir riscos, aumentar a renda, a produção e a produtividade.

O pesquisador destaca a importância de fazer a recuperação do solo para dar sustentabilidade à produção. “A melhor época para isso é no final do período das chuvas, porque precisamos da umidade do solo para essas técnicas”. Ele recomenda eliminar sulcos de erosão, trilhos de gado, cupinzeiros, construir terraços, adequar estradas e adotar, necessariamente, o Sistema de Plantio Direto (SPD).

Ramon destaca que a ILP é uma estratégia intensiva, resiliente e sustentável de produção agropecuária. O pesquisador ainda salientou que, no momento, sistema resiliente e sustentável é aquele de baixo carbono. As experiências na URT da Embrapa Milho e Sorgo estão registradas no livro “Quinze anos de integração lavoura-pecuária e dez anos de integração lavoura-pecuária-floresta na Embrapa Milho e Sorgo”, disponível para baixar gratuitamente. 

Potencialidade na região Central Mineira

A potencialidade da agropecuária da região Central Mineira foi apresentada pelo pesquisador Miguel Gontijo. Ele reuniu dados das áreas de culturas agrícolas, pastagens e silvicultura nos últimos anos e constatou aumento de culturas agrícolas temporárias em 125%, cerca de 2% de crescimento de pastagens e redução de silvicultura em 17%.

Mesmo com o aumento das culturas agrícolas temporárias, sua área total corresponde a cerca de 10% da área de pastagens na região. Ou seja, há um potencial muito grande de crescimento da agricultura. A conversão de 10% da área de pastagem poderia dobrar a de agricultura.

Nos últimos anos, com valorização no preço de grãos, maior acesso a créditos e avanços tecnológicos, a tendência tem sido de incremento na produção agrícola. Miguel destacou o exemplo da Fazenda Lagoa dos Currais, onde houve recuperação de pastagens degradadas com Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. “É possível sair de um ambiente de baixa produtividade para um ambiente de alta produtividade com correção de fertilidade de solo, uso de insumos, fazendo bem feito”, ressalta o pesquisador.

Agropecuária de Baixo Carbono

Os desafios da agricultura diante das mudanças climáticas foram apresentados pelo pesquisador Arystides Silva, que também demonstrou respostas para esses problemas.

Ele explicou como a agricultura pode ser uma grande aliada na redução dos Gases de Efeito Estufa (GEE): com a adoção de práticas e tecnologias que visam reduzir as emissões desses gases e, ao mesmo tempo, aumentar o sequestro de carbono no solo. “Esse é o conceito de Agricultura de Baixo Carbono”, afirmou o pesquisador.

A adoção dessas práticas parte da gestão estratégica da propriedade rural. “É preciso ter conhecimento do solo: compreender sua variabilidade e características; fazer o planejamento da adubação e do uso de insumos; escolher as culturas; definir coberturas vegetais. Essa organização permite identificar áreas com maior potencial para sistemas integrados ILP ou ILPF, ampliando a eficiência produtiva”.

Arystides também apresentou os programas Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono e convidou a conhecer os portais que apresentam esses trabalhos.

Programação da tarde

No segundo momento do Seminário, na impossibilidade de realizar o Dia de Campo previamente planejado devido às condições climáticas, os convidados estiveram no auditório do Núcleo de Biologia Aplicada (NBA).

Ênio Gomes, da Brevant Sementes, apresentou o tema “Milho consorciado com capim: diversificação dos sistemas de produção”.

Décio Karam, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, tratou de “cultivo intercalar de forrageira na cultura da soja:resiliência e posicionamento estratégico”. "O cultivo intercalar antecipado permite reduzir o risco climático, pois aproveita melhor a água das chuvas que ocorrem antes da colheita da soja. Com isso, melhora a qualidade do solo, diminui a presença de plantas daninhas, reduz a perda de água por evaporação e mantém a temperatura do solo mais amena. Esses efeitos combinados tornam o sistema mais equilibrado e contribuem para maior estabilidade produtiva ao longo das safras", disse o pesquisador.

Márcia Silveira, pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo, falou acerca do “Componente pecuário na ILP: pecuária de Baixo Carbono”. “Práticas sustentáveis como  Integração Lavoura-Pecuária favorecem o aumento da produção, consequentemente da renda do produtor, e um balanço adequado entre as emissões de gases inerente aos animais e o sequestro de carbono fruto da cobertura vegetal que contribui para incorporação de matéria orgânica no solo, mantendo carbono no sistema”, explicou Márcia. 

E, encerrando as apresentações, Byron Ladeira, da CCPR, comentou sobre o componente pecuário: vaca de leite – cria de corte na ILP. Esta estratégia busca transformar a cria da pecuária leiteira em um ativo de melhor valor agregado, visando a eficiência e a rentabilidade da fazenda leiteira.

Sorgo na alimentação humana

Os produtos servidos na pausa para lanche da manhã foram produzidos pelas Produtoras de derivados do sorgo de Abaeté e região, tendo o sorgo como ingrediente básico. Quibe, empada, bolos e biscoitos formaram um cardápio farto e saboroso. Confira os registros a seguir.

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