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Receitas de uma gestão administrativa eficaz para PME do setor automitivo.


Cláudio Boriola
Até alguns anos atrás, quando se falava numa gestão eficaz de uma loja de auto-peças ou uma oficina de serviços, aparecia a figura do dono, tão conhecido por seus clientes, que centraliza em torno de si, quase todos os momentos da presença dos mesmos no seu estabelecimento.
 
Era o "sêo João"....o "sêo Carlos".....O "Zeca mecânico"....Os nomes eram maiores que os negócios, treinavam os filhos informalmente, no dia-a-dia, passando mais "modelos" que técnicas....Alguns davam certos, muitos não !  E a sobrevivência do negócio estava condicionada à presença da família, principalmente do patriarca, o "sêo João...Carlos...Zeca" no negócio, alí presente, em tempo integral. 
 
Se ficava doente, os clientes se preocupavam tanto quanto a família, os relacionamentos eram mais estreitos e até visitavam o doente em casa ou no hospital.  As pessoas se aproximavam mais. Essa era praticamente uma das razões da sobrevivência de muitos negócios.
 
Se morria, seus velórios eram a glória do bairro, concorridos como um jogo de clássico no futebol.  Que pena, morreu o "melhor mecânico do bairro".....
 
Mas os tempos mudaram, novas empresas automotivas entraram no país, os fabricantes mudaram seus processos, os veículos começaram a ficar parecidos...
 
O fusca, maior campeão de vendas desde que lançado, foi retomado e deixado de lado porque os processos de fabricação eram defasados e pouco produtivos..... E o besouro se foi.....deixando saudades....
 
Outras marcas, que tiveram público tão cativo quanto ele, foram deixadas de lado, pela modernidade, pela necessidade de processos mais baratos e obviamente, para manter as  margens de lucros do fabricantes....
 
E chegou a hora dos negócios também se estruturarem para continuar sobrevivendo.
 
As oficinas, antes "imundas" tomaram um banho de loja, se tornaram CENTROS AUTOMOTIVOS, com recepção, onde você encontra os jornais do dia, algumas revistas, um cafezinho,  chá, água e locais para sentar e aguardar que o carro seja consertado....
 
Criaram serviços, como levar o cliente em casa e buscá-lo quando o veículo ficar pronto.
 
As facilidades de crédito chegaram com aceitação de todos os cartões do mercado e até a criação de cartões específicos do setor automotivo, com facilidades especiais.
 
São novos tempos, comparados com a época em que uma mulher não poderia ir numa oficina, porque na parede estariam posters de mulheres nuas, os banheiros eram imundos e até estopa era usada no lugar de papel higiênico, com os modernos centros automotivos, em que a pessoa é mais respeitada.
 
As oficinas de serviços, antes dependendo da habilidade e do conhecimento dos donos e família, hoje tem equipamentos de última geração, capazes de analisar com rapidez os problemas do veículo.   Antes a coisa era no "ouvido", o mecânico pedia para você ou um ajudante ligar o carro e ficava ouvindo e lá vinha o "diagnósito", informal, sem precisão científica.  Se era um "conhecedor" acertava....e o cliente se dava bem.....Se não era, chutava e só ía corrigir na próxima oficina. Erros e acertos, quase sempre isso.
 
Muitos mecânicos, que não se atualizaram ficaram no meio do caminho e estão hoje com oficinas vazias, consertando carros velhos, porque não aprenderam a  lidar com injeção eletrônica, com veículos importados e motores lacrados.
 
A época do carburador e suas centenas de peças ficou para trás e somente mecânicos da "antiga" ainda lidam com a frota circulante que tem carburação. 
 
A injeção eletrônica se tornou não só a moda, mas um novo caminho, mais prático, mais rápido, apesar de mais caro!
 
Da injeção simples, surgiram os multi-points e muita novidade ainda virá.  Os freios, antes na base da "lona e pastilha", quando molhavam eram um perigo, evoluiram para hidrovácuo e agora os "ABS" e outros modelos modernos, mais eficientes.   A segurança melhorou!
 
Assim, como auto-elétricos, da "antiga", não habilitados a lidar com uma parafernália eletrônica, hoje necessária a quem pretende se manter no ramo.  Hoje, os faróis são regulados por máquinas e rapidamente. Um equipamento ligado a sua bateria te dará suas condições de vida útil em minutos.   A limpeza dos bicos injetores é feito por equipamentos cada vez mais modernos, alguns limpando vários bicos simultaneamente.    Alguns tipos de baterias são lacradas e antigamente muita gente perdia a bateria por falta de água, hoje tem bateria que nem água usa.
 
Chegaram também os programas de qualificiação, similares aos da ISO 9001, QS 9000 e outras mais modernas.  As empresas e também os mecânicos, hoje tem várias oportunidades de se qualificar, cursos credenciando-os a operar tipos de veículos e ostentam orgulhosamente em suas paredes não as antigas "imagens de mulheres", mas certificados de qualificação como ASE, IAA e outros....
 
Os grandes fabricantes estão patrocinando ciclos de palestras e cursos, que são feitos em todos os estados do país, qualificando centenas de mecânicos e proprietários de lojas.  Jornais setorizados dão apoio e estimulam esse processo evolutivo.  Profissionais se especializaram no ramo e hoje oferecem seus serviços a quem precisar.
 
Associações e Redes de Negócios foram criadas em quase todos os estados, reduzindo custos, unindo as classes profissionais em torno de objetivos comuns e procurando melhores resultados.   Apesar da concorrência nociva entre varejo e atacado, no fornecimento ao aplicador final, oficinas, centros automotivos, o mercado  vai se ajustando e quem se beneficia com isso são os clientes.
 
Na área das auto-peças, o processo se repete, já existindo até uma Universidade Específica, com cursos para os gestores, transformando-os de  "bons mecânicos", hábeis no manejo das ferramentas, em "bons empresários", integrados a um processo de qualificação do atendimento e serviços, cada vez mais evoluido.
 
São bons tempos, em que temos mais confiança nos profissionais, pelos equipamentos, pela capa que colocam nos bancos para não sujar, pelos serviços agregados, como levar e buscar em casa, isolar as pessoas da oficina, pelo fator de ter uma recepção, um banheiro limpo, jornais, revistas......
 
Essas são as receitas para as PME do setor automotivo, sejam autopeças, centros automotivos ou outros tipos de serviços.  Profissionalizar também a gestão familiar, para sobreviver não só comercialmente, mas também como família. 
 
Mas que dá saudade do café da Dona Carmen, esposa do "sêo João"....daqueles papos ao redor do veículo....Isso dá!
 
 
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