Vêm as chuvas de verão e, com elas, uma série de histórias tristes que se repetem anualmente: famílias perdem móveis, casas, carros e, infelizmente, muitas chegam a perder suas vidas. É um ciclo de tragédia anunciada.
Ao analisar os planejamentos urbanos (Planos Diretores), vejo muitas definições sobre gabarito máximo de construção, largura de calçadas e distanciamento das ruas. No entanto, diante do caos que vivemos, fica claro que precisamos repensar o modelo. Estamos falhando no básico: a água não tem para onde ir.
Precisamos falar sério sobre a impermeabilização do solo urbano. Enquanto no campo o produtor segue rigorosas leis de preservação (APPs e Reserva Legal), na cidade cimenta-se cada centímetro quadrado.
Deveríamos estar discutindo novos parâmetros:
- Qual o percentual obrigatório de "chão de terra" ou gramado em cada imóvel?
- O uso de materiais drenantes nas calçadas em vez de concreto puro;
- O plantio estratégico de árvores para reduzir ilhas de calor;
- A criação de "cidades-esponja", com praças que sirvam como bacias de captação temporária;
- O incentivo fiscal para casas que captam água da chuva ou usam energia solar.
Muitas vezes, a narrativa coloca o campo como o grande "vilão ambiental". Enquanto nas cidades poucas são as ações efetivas para reduzir os impactos climáticos ou gerenciar os recursos hídricos.
O agro precisa sim aperfeiçoar seus processos, mas está na hora de as cidades ambientalmente planejadas saírem do papel e entrarem na prática. Afinal, a responsabilidade ambiental não termina na porteira da fazenda; ela começa na calçada de cada um de nós.
Um forte abraço.