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Precisamos de cidades ambientalmente planejadas


Alexander Silva de Resende

Vêm as chuvas de verão e, com elas, uma série de histórias tristes que se repetem anualmente: famílias perdem móveis, casas, carros e, infelizmente, muitas chegam a perder suas vidas. É um ciclo de tragédia anunciada.

Ao analisar os planejamentos urbanos (Planos Diretores), vejo muitas definições sobre gabarito máximo de construção, largura de calçadas e distanciamento das ruas. No entanto, diante do caos que vivemos, fica claro que precisamos repensar o modelo. Estamos falhando no básico: a água não tem para onde ir.

Precisamos falar sério sobre a impermeabilização do solo urbano. Enquanto no campo o produtor segue rigorosas leis de preservação (APPs e Reserva Legal), na cidade cimenta-se cada centímetro quadrado.

Deveríamos estar discutindo novos parâmetros:

  • Qual o percentual obrigatório de "chão de terra" ou gramado em cada imóvel?
  • O uso de materiais drenantes nas calçadas em vez de concreto puro;
  • O plantio estratégico de árvores para reduzir ilhas de calor;
  • A criação de "cidades-esponja", com praças que sirvam como bacias de captação temporária;
  • O incentivo fiscal para casas que captam água da chuva ou usam energia solar.

Muitas vezes, a narrativa coloca o campo como o grande "vilão ambiental". Enquanto nas cidades  poucas são as ações efetivas para reduzir os impactos climáticos ou gerenciar os recursos hídricos.

O agro precisa sim aperfeiçoar seus processos, mas está na hora de as cidades ambientalmente planejadas saírem do papel e entrarem na prática. Afinal, a responsabilidade ambiental não termina na porteira da fazenda; ela começa na calçada de cada um de nós.

Um forte abraço.

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