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Adubação Fosfatada em Pastagens de Gramíneas


Newton de Lucena Costa

A adubação fosfatada é um dos pilares fundamentais para o estabelecimento e a manutenção de pastagens produtivas, especialmente em regiões como a Amazônia e o Cerrado, onde a baixa disponibilidade natural de fósforo (P) é o principal fator limitante ao crescimento das forrageiras.

1. Introdução

O fósforo desempenha funções vitais no metabolismo vegetal, sendo indispensável para a fotossíntese, síntese de proteínas, divisão celular e desenvolvimento do sistema radicular. Nos solos de Rondônia e de grande parte da região tropical, predominam Latossolos e Argissolos ácidos, que possuem alta capacidade de fixação de fósforo, tornando-o indisponível para as plantas. Embora a queima da floresta libere P inicialmente através das cinzas, esses níveis caem drasticamente após poucos anos de uso, levando à degradação da pastagem caso não haja reposição via adubação.

2. Fontes e Doses

As fontes de fósforo variam em termos de solubilidade e custo:

  • Fontes Solúveis: Como o superfosfato simples (SFS) e o superfosfato triplo (SFT), que fornecem P prontamente disponível para o estabelecimento inicial.
  • Fosfatos Naturais: Fontes de baixa solubilidade (como os fosfatos de rocha) que liberam o nutriente paulatinamente. Sua eficiência é estimulada pela acidez do solo, sendo uma alternativa econômica com maior efeito residual.
  • Doses Recomendadas: As doses dependem da exigência da espécie (divididas em Grupos I, II e III) e da disponibilidade de P no solo. Para o estabelecimento, as recomendações variam de 60 a 120 kg de P2O5 /ha para gramíneas mais exigentes (como Panicum maximum) e de 40 a 80 kg de P2O5/ha para as de média exigência (como Brachiaria brizantha). A adubação de manutenção deve ser calculada com base na produção de forragem, sugerindo-se de 1,5 a 2,0 kg de P por tonelada de matéria seca produzida.

3. Produtividade e Composição Química da Forragem

A aplicação de fósforo impacta diretamente o rendimento de biomassa:

  • Incrementos na Produção: Em Rondônia, doses de 100 kg de P2O5/ha proporcionaram acréscimos na produção de matéria seca (MS) de 32,7% para B. humidicola e 87,5% para A. gayanus. Sem a adubação fosfatada, a produção relativa de espécies como P. maximum cai para apenas 16% do seu potencial.
  • Composição Química: O principal efeito do P é o aumento da produção de forragem, mas ele também eleva o teor de fósforo no tecido vegetal. Nas leguminosas, a adubação fosfatada favorece a nodulação, o que aumenta indiretamente os teores de nitrogênio e proteína bruta na planta.
  • Papel das Micorrizas: A associação com fungos micorrízicos arbusculares potencializa a absorção de P em solos deficientes, funcionando como uma extensão das raízes e permitindo que as plantas alcancem fósforo além da zona de depleção radicular.

4. Considerações Finais

A adubação fosfatada não deve ser vista como um custo isolado, mas como um investimento na longevidade do sistema. A adoção de germoplasma eficiente na absorção de P, aliada ao uso estratégico de fontes solúveis e naturais, é a chave para evitar o ciclo de degradação das pastagens tropicais. O manejo adequado da fertilidade assegura que a planta forrageira mantenha seu vigor e capacidade competitiva contra plantas invasoras, sustentando altos índices de produtividade animal por longos períodos.

 

Newton de Lucena Costa (Embrapa Roraima), João Avelar Magalhães (Embrapa Meio Norte)

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