A adubação nitrogenada é considerada um dos fatores de produção mais determinantes para a produtividade das gramíneas forrageiras, sendo o nitrogênio (N) o principal componente do protoplasma vegetal depois da água. Este nutriente participa ativamente da síntese de proteínas, aminoácidos e ácidos nucléicos, além de compor a molécula de clorofila, interferindo diretamente no processo fotossintético.
Importância e Funções no Desenvolvimento Vegetal O suprimento adequado de nitrogênio é responsável pelo aparecimento e desenvolvimento de afilhos, aumento do tamanho das folhas e colmos, além de influenciar a intensidade do florescimento e a formação de sementes. As plantas forrageiras absorvem o N principalmente nas formas de nitrato (NO3) e amônio (NH4). Quando há baixa disponibilidade deste nutriente no solo, as gramíneas manifestam menor crescimento e redução no teor de proteína bruta (PB), o que torna a forragem deficiente para a nutrição animal.
Dinâmica do Nitrogênio no Solo A principal reserva de nitrogênio no solo é a matéria orgânica (MO), que representa entre 90% e 95% do total. Entretanto, as taxas de mineralização da MO são baixas, variando entre 1% e 4% ao ano. Isso significa que para cada 1% de matéria orgânica, são supridos apenas de 10 a 40 kg de N/ha/ano, quantidade insuficiente para sustentar altas produções de forragem sem a intervenção via adubação.
Respostas das Gramíneas à Adubação A resposta à aplicação de N varia conforme a espécie, mas, em média, as gramíneas tropicais respondem com uma produção de 40 a 70 kg de matéria seca (MS) por cada kg de N aplicado, desde que não existam outros fatores limitantes. Estudos citados nas fontes demonstram resultados específicos:
- Capim-elefante (Pennisetum purpureum): Em Roraima, doses de 100 kg de N/ha/ano proporcionaram acréscimos de até 51,4% na produção de MS. Outro estudo indicou que a eficiência de produção de MS diminui à medida que a dose aumenta, variando de 39,2 kg de MS/kg de N (na dose de 150 kg/ha) para 17,0 kg de MS/kg de N (na dose de 450 kg/ha).
- Capim-marandu (Brachiaria brizantha): Registrou-se incrementos de 24,9% e 51,8% nos rendimentos de MS com a aplicação de 50 e 100 kg de N/ha/ano, respectivamente.
- Paspalum guenoarum: Apresentou incrementos lineares na produção de MS e nos teores de proteína bruta com doses de até 400 kg de N/ha.
Recomendações Práticas e Manejo A eficiência da adubação nitrogenada depende da disponibilidade de outros fatores como luz, temperatura e, fundamentalmente, umidade. Por isso, a aplicação deve ser realizada durante o período chuvoso. As recomendações gerais das fontes incluem:
- Solos com MO inferior a 2,0%: Aplicação de 40 a 80 kg de N/ha em cobertura, dois meses após a emergência das plantas.
- Sistemas intensivos: Sugere-se a aplicação de 80 a 120 kg de N/ha anuais, parcelada em três a quatro vezes durante o período chuvoso, com intervalos de 30 a 45 dias.
Ciclagem e Perdas no Sistema A reciclagem do nitrogênio é fundamental para a sustentabilidade da pastagem. Aproximadamente 75% do nitrogênio ingerido pelos animais retorna ao solo através das fezes e, principalmente, da urina, onde se encontra majoritariamente na forma de uréia de rápida hidrólise. Contudo, o sistema está sujeito a perdas significativas por:
- Volatilização de amônia: Pode atingir até 100 kg de N/ha/ano, especialmente a partir da urina e fezes.
- Lixiviação de nitratos: Em períodos de chuvas intensas, as perdas podem chegar a 70 kg de N/ha/ano.
- Desnitrificação: Ocorre em solos com pouco oxigênio e alta temperatura.
- Exportação via produto animal: Estima-se a retirada de 2,4 kg de N por cada 100 kg de peso vivo produzido por hectare ao ano.
Para maximizar os efeitos da adubação, as fontes ressaltam a importância de associar o uso de nutrientes ao germoplasma forrageiro adequado e a sistemas de pastejo que possibilitem uma eficiente reciclagem de nutrientes.
Newton de Lucena Costa (Embrapa Roraima), João Avelar Magalhães (Embrapa meio Norte)