A defesa vegetal é uma das principais áreas na matriz de conhecimentos de estudantes do agro, em especial de Engenharia Agronômica e outros cursos de Ciências Agrárias ou da modalidade Agronomia. As pragas agrícolas são responsáveis por, pelo menos, 42 % de danos na produção vegetal. As organizações internacionais como FAO/ONU e OCDE têm divulgado que até 2050 haverá necessidade de aumentar a produção de alimentos no mundo em 70% e que o Brasil deve ser o principal responsável para atender a demanda, com um aumento de 40% de produção. Trata-se um grande desafio, que pode ser alcançado através do aumento das áreas cultivadas, intensificação do cultivo e aumento do rendimento; este último fator deve ser o responsável por 80% do aumento da produção. Isto significa aprimoramento da tecnologia de produção, incluindo o manejo de pragas. Como apenas as pragas estão impedindo que a produção seja, pelo menos, 40% maior, todo avanço em seu controle é importante. Assim, é fundamental que os profissionais que atuam na produção de alimentos, sejam Engenheiros Agrônomos ou outros profissionais, sejam adequadamente formados e possam utilizar as medidas de manejo de pragas já disponíveis, assim como estejam aptos a desenvolver e incorporar, no sistema de produção, novas tecnologias. Para chegarmos neste patamar, é essencial que os currículos escolares contemplem áreas de atuação e conhecimentos que garantam formação e atuação profissional apropriada.
No Brasil, o ensino de defesa vegetal ou fitossanidade vem fazendo parte, desde o início do século XX, de cursos como os de agricultura ou agronomia, posteriormente denominado, quando em nível superior pleno, Engenharia Agronômica, e de outros como Engenharia Florestal. Estes cursos tem seus conteúdos definidos em regulamentações, como o Decreto Federal 23.196/33, que regulamentou a profissão de Engenheiro Agrônomo no pais, as Resoluções 218/73 e 1010/2005, do CONFEA e a Resolução 1/2006, do MEC ( Diretrizes Curriculares da Engenharia Agronômica). Nestas regulamentações são citados campos do saber ou áreas de atuação ou conhecimento e conteúdos relativos à defesa vegetal: microbiologia, fitopatologia, entomologia, plantas daninhas, manejo integrado de pragas, defesa e vigilância sanitária vegetal, trânsito de matérias vegetais, defensivos, fiscalização da indústria de defensivos, inspeção sanitária, biossegurança, tecnologia de aplicação, receita agronômica, transporte de defensivos etc.