Por José Otavio Menten, Diretor Financeiro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Vice-Presidente da Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior (ABEAS), Eng. Agrônomo, Mestre e Doutor em Agronomia, Pós-Doutorados em Manejo de Pragas e Biotecnologia, Professor Associado da ESALQ/USP.
A maneira que foi divulgada a Operação Carne Fraca, que ocupou as manchetes dos principais veículos de comunicação e mídias sociais, do Brasil e de outros países, desde 17 de março de 2017, sexta-feira, foi apropriada? Quais serão as consequências para os consumidores, produtores, agro e para a economia do Brasil?
As investigações, durante dois anos, de irregularidades na produção, processamento e comercialização de carnes no Brasil devem ser enaltecidas e apoiadas. Assim como não se pode admitir que Fiscais e Agentes Sanitários do Ministério da Agricultura tenham recebido propina para liberar licenças sem realizar fiscalização adequada nos frigoríficos. É inaceitável que tenham colocado a disposição dos consumidores, brasileiros ou de países importadores, carnes e embutidos fora do padrão de segurança e qualidade (adulterada, estragada, "maquiada", contaminada, vencida), independente da quantidade e frequência.
O problema deve ser muito bem esclarecido, deixando claro para todos, sua dimensão e risco de causar doenças nos consumidores. O caso deve ser apurado com todo rigor e rapidez e os culpados devem ser severamente punidos. Estas ações devem ter total transparência. As informações preliminares são que, de 4837 unidades frigoríficas fiscalizadas, 21 (menos que 0,5%) apresentaram irregularidades e três foram interditadas. Que de 11.000 fiscais e agentes sanitários do Ministério da Agricultura, 33 (menos que 0,3%) foram afastados. E que não existe risco sanitário de consumir carnes brasileiras.