A estória de Zé Pretinho, menino pobre na infância, um sucesso na maturidade...
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Agronegócio

A estória de Zé Pretinho, menino pobre na infância, um sucesso na maturidade...

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Aquela grande associação estava reunida para homenagear um homem público, uma personalidade da cidade, conhecido e querido por todos, desde as pessoas mais simples que frequentavam suas lojas, até empresários e fornecedores e o pessoal que lidava com o social....O sr.José Alencar Herrera tinha estória para contar e lá na praça, onde os corretores se reuniam para negociações e os políticos e seus simpatizantes para prospectar destinos políticos, ele também era conhecido....apelidado simpaticamente pelos amigos de Zé Pretinho... Ele trazia no sangue heranças hereditárias de três raças, do italiano a criatividade, que sempre esteve consigo desde a infância, do espanhol, a força e vontade de lutar, que sempre o acompanhou em todos os momentos difíceis e do português, aquela ansiedade de buscar novos horizontes, novas perspectivas e o tino comercial. quem era aquele homem já curvado pela idade, lá pelos setenta anos, que hoje era homenageado e o salão da associação estava lotado de personalidades, de políticos, empresários do comércio e da índústria ? Vamos contar a estória do sr.José .. o nosso Zé Pretinho...

Há 90 anos, algumas famílias de imigrantes italianos vieram para o interior de São Paulo trabalhar na lavoura do café e também buscar novas oportunidades....Isso lá pela década de 20.... E lutavam bravamente, para sair do estágio de imigrantes agricultores braçais para uma vida melhor... 20 anos depois, na década de 40 nascia um dos últimos meninos da família, batizado como José Alencar Herrera, porque a família já tinha se misturado, com portugueses e espanhóis, também imigrantes na mesma região.....Por um erro de cartório Giuseppe, que seria uma homenagem ao avô italiano, virou José e assim ficou.... A família o apelidou de Zezinho na infância... era um garoto bonito, sempre sorridente.... os anos se passaram, Zezinho crescendo alí no sítio....arteiro como toda criança esperta.... Já pelos cinco anos todos notavam que tinha uma grande curiosidade em saber das coisas....todos ficavam intrigados, mas Zezinho lá pelos sete anos, já demonstrava uma criatividade muito alta e fazia seus próprios brinquedos com um serrote e sobras de madeira que pegava numa fábrica da cidade....com uma lima lixava um cabo de vassoura, fazia um pescoço, colocava um barbante e tinha um cavalinho para correr pelo sítio onde morava....com dois carretéis de costura, uma faca de cozinha e um pedaço de pau, criava um caminhão... passava cera ou sabão em barra nos carretéis e tinha as rodas....e assim ía Zezinho, crescendo e espantando os adultos com sua curiosidade, com sua ansiedade em saber das coisas, em pesquisar coisas novas.... infelizmente não tinha escola na região e Zezinho recebia instruções da mãe, dona Antonia e da tia, dona Vera...e a vida corria.....Aos 10 anos, perdeu o pai e a família teve dificuldades com a manutenção do sítio, que foi vendido e mudaram-se para uma pequena cidade, aqui perto......Aí começou vida nova para o Zezinho...até o seu apelido mudou, os amiguinhos começaram a chamá-lo de Zé Pretinho, ele brigava no início, mas acabou aceitando... para ajudar a família, Zé Pretinho mostrou que era um lutador, um bravo, que honrava suas origens....fez um carrinho com rolemãs e saiu recolhendo sucata nas casas, comércio, oficinas e fábricas, para ajudar o orçamento familiar.....quando tinha um tempinho livre, soltava pipas ou brincava de pião e abafa com figurinhas....Gostava do companheirismo dos amigos e logo aprendeu quase todas as brincadeiras de rua, garrafão, salva-pega, pião, pipa, jogar figurinhas.....um pouco depois, aprendeu a engraxar sapato e agregou uma nova função à sua vida profissional que se iniciava....Zé Pretinho permanecia curioso e logo criou com um serrote, algumas sobras de madeira e pregos, uma caixinha de engraxate, com os dois pés, em que os seus clientes não teriam trabalho de trocar de pé ao engraxar os seus sapatos... Zé Pretinho não sabia ainda, mas antecipava um diferencial no atendimento que hoje é muito valorizado, proporcionando conforto aos clientes.... um dia a mãe sentiu que ele tinha que entrar numa escola, mesmo que atrasado na idade e com a dificuldade para comprar material escolar......e Zé Pretinho chorou quando entrou na escola pela primeira vez, roupas cerzidas, lanchinho embrulhado num guardanapo de pano porque não podia comprar uma lancheira e um sorrido grande no rosto, os olhos úmidos brilhando...mas logo Zé Pretinho começou a ser notado, pelo esforço, aproveitando os intervalos para ler debaixo das árvores do pátio da escola.... já entrava tarde na escola, mas tinha alta capacidade de concentração na aula, estava no foco do seu objetivo que era aprender tudo que fosse possível.... Zé Pretinho tinha foco, tinha metas...estudava de manhã, engraxava á tarde e voltava a estudar à noite... e assim ía a vida da família, uma luta constante, as dificuldades sempre rondando o seu lar.... um dia, uma coisa boa aconteceu...Zé Pretinho foi convidado por uma professora para ir na sua casa engraxar os sapatos dos filhos e marido....aí Zé Pretinho descobriu um novo nicho de mercado....num só lugar dezenas de calçados....logo criou um serviço diferenciado, lavava as botas cheias de bosta de vaca ou barro de fazendas e pintava depois....não economizava tinta ou graxa e aos poucos seu trabalho foi reconhecido e recomendado a outras professoras....em pouco tempo Zé Pretinho se tornou o engraxate preferido pela elite da cidade, graças ao seu trabalho diferenciado, aquele algo a mais que fazia a diferença entre o serviço dele e dos outros...aquele pequeno toque que pode fazer ser notado um profissional em lugar de outro...aquela pequena diferença de atendimento que pode transformar uma loja em sucesso e outras fracassarem... Zé Pretinho tinha noção disso e se esforçava cada dia mais, para trazer para sua família um pouco de recursos.....era uma luta coletiva, todos procurando se ajudar para ter uma vida melhor....Zé Pretinho foi o precursor do cooperativismo naquela cidadezinha em que moravam... com empregos escassos e vida difícil.....mas Zé Pretinho foi crescendo, terminou o ginásio, a cidadezinha não tinha emprego e seus irmãos decidiram ir para a capital.... e aí , que era muito generoso, transferiu para outros meninos toda sua clientela da “elite”, inclusive com seus equipamentos.....e foi embora..... na cidade maior, imensa para quem nasceu no sítio e morava em cidade pequena, teve que começar de novo, nova luta, novos desafios... existia apenas uma fábrica de móveis, ele foi ajudar na limpeza...e toma pó de serra, até a mãe ficou com medo que ele ficasse doente, o que felizmente não ocorreu.....Zé Pretinho carregava madeira, buscava pregos e parafusos, limpava o lixo e sempre disposto a colaborar, outra grande qualidade que tinha.....em pouco tempo, começou a fazer diferença, á medida que dominava a função, queria aprender novas atividades, enriquecer o seu trabalho e logo pediu ao chefe da fábrica se podia aprender a mexer nas máquinas....e ouviu : não menino, é perigoso ! vou ensinar alguma coisa depois do horário.....e o sr.Orlando se encarregou de ser um professor para o jovem Zé Pretinho, primeiro ensinando a separar os diferentes tipos de madeira, mostrando como conhecer os defeitos....logo ele estava pendurado nos caminhões conferindo a madeira antes de descarregar.....ele não sabia, mas estava realizando uma atividade que no futuro, nos projetos de qualidade total da ISO 9000 seria fundamental ....a inspeção prévia da matéria prima...... daí para atividades mais elaboradas foi um pulo, tinha memória boa, sabia qual parafuso ia em cada produto, a tinta que usava....todos gostavam dele, era educado e tratava os companheiros de trabalho com respeito, uma grande qualidade dos vencedores..... logo foi transferido para o almoxarifado.....e aí realmente alçou vôo....encontrou uma bagunça geral e trabalhou vários finais de semana colocando a casa em ordem... era esforçado, perseverante, teimoso e corria atrás de uma meta até alcança-la..... assim , o almoxarifado se tornou pequeno para o seu talento e o dono, sr.Carlos.............quis fazer um teste com ele numa função maior.....e o convidou para ser encarregado do setor de acabamento da fábrica, porque era caprichoso, exigente consigo mesmo, sabia buscar metas, respeitava as pessoas e teria contato com clientes.....alguns anos se passaram e Zé Pretinho sempre subindo de função, assumindo mais responsabilidades.....um dia, o sr.Carlos resolveu parar e como não tinha herdeiros interessados no negócio, chamou ele e outros funcionários mais antigos, perguntando-lhes se queriam ficar com a firma.....Zé Pretinho nem piscou, disse sim na hora e assumiu a fábrica, junto com outros dois sócios, ficando de pagar uma parte com suas economias e o saldo em 05 anos, á medida que iriam faturando....e juntos, partiram para uma nova luta....novas batalhas......onde ele era o equilíbrio na sociedade, o bom senso, o homem do abençoado caminho do meio, sempre pronto a colaborar, a evitar atritos e quando os sócios resolveram se aposentar comprou sua parte na sociedade, passando a tocar sozinho a indústria.....aí Zé Pretinho soltou toda sua energia e começou a criar....a criar....logo veio a primeira loja da fábrica, simples, quase uma portinha, mas era um início.....ele colocou uma das irmãs para gerenciar, demonstrando gratidão, mas estabelecendo metas a serem cumpridas ( ele iniciava alí um processo de profissionalização total, mesmo sendo uma empresa familiar).......Ana, a sua irmã tão querida, até se assustou, mas ele sabia lidar com pessoas, era educado, porém firme e justo....e assim o progresso logo chegou....nem três anos se passaram e inaugurou mais 3 lojas.....agora maiores e bem instaladas.......e a vida prosseguia....... ele sentiu que envelhecia, não havia se casado, não havia tido tempo para se dedicar a outra família que não a sua que tanto ajudava, não tinha herdeiros, estava preocupado....mas os negócios iam bem, naquela época não tinha computadores tão disponíveis e tudo era bem mais difícil....os números, os ajustes, os indicadores tinham que ser garimpados, observados, para apurar o retorno do investimento....e Zé Pretinho já adulto, resolveu continuar os estudos, concluindo o segundo grau e entrando na faculdade......até brincavam....ô Zé, você já tem a faculdade da vida, prá que passar vergonha na escola, já é burro velho, não precisa estudar não... ele não ligou para essa turma acomodada e quatro anos depois se formava em administração, talvez um dos momentos mais emocionantes da sua vida...chorou muito.....mas estava feliz, mas uma etapa vencida, mais uma meta cumprida.... continuava adorando conhecer coisas que pudesse praticar na empresa e começou um amplo programa de melhorias sociais e educacionais na sua empresa.....instituiu a cesta básica, um plano de carreira que permitia o acesso das pessoas até a diretoria.... não pensava em reservar níveis e cargos para os parentes mas sim numa ampla série de benefícios .....pioneiros para aquela época.....o tempo se passou, ele se tornou um modelo de empresário em seu meio e as notícias começaram a correr mundo, muitos passaram a imitá-lo.....ele ficava feliz, mas sentia que suas energias iam fugindo.....até que chegou o dia da grande homenagem e lá estava nosso Zé Pretinho reunindo forças para comparecer, agradecido e feliz.....p.s. uma semana depois do evento o sr.José Alencar Herrera, nosso querido Zé Pretinho teve uma enfarte fulminante e foi para outro cenário construir uma nova carreira de luta, de vitórias, de criatividade, de busca de metas....
Zé Pretinho poderia ser qualquer empresário, do comércio, serviços ou indústria, deste nosso rico universo de exemplos e modelos ( como o sr.Domingos Rigoni, da Movelar-es, que ralou na roça, e fazia entregas com carroças no final de semana e hoje tem uma das maiores fábricas de móveis do Brasil...e outros exemplos fantásticos deste nosso rico país....,alguém que certamente nos faria refletir....temos que lutar, persistir em busca de nossas metas, nossos objetivos....

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