Newton de Lucena Costa - Embrapa Roraima
A adubação nitrogenada em pastagens de Panicum maximum (como as cultivares Tanzânia, Mombaça, Massai, BRS Tamani, BRS Zuri, BRS Quênia e Centenário) é fundamental, pois este gênero é reconhecido por sua alta exigência em fertilidade do solo e rápida resposta ao suprimento de nutrientes. O nitrogênio (N) atua como o principal motor do crescimento, sendo essencial para a síntese de proteínas e clorofila, o que afeta diretamente a capacidade fotossintética e a produção de biomassa.
1. Efeitos no Desenvolvimento e Produtividade
- Estimulação do Perfilhamento: O suprimento de N é o principal responsável pelo aparecimento e desenvolvimento de afilhos, além de aumentar o tamanho das folhas e dos colmos.
- Eficiência de Produção: Gramíneas tropicais, como o P. maximum, respondem tipicamente com uma produção de 40 a 70 kg de matéria seca (MS) por cada kg de N aplicado, desde que não haja limitações hídricas ou de outros nutrientes.
- Qualidade da Forragem: A adubação nitrogenada eleva os teores de proteína bruta (PB). Sem o N adequado, as plantas manifestam crescimento reduzido e redução na PB, tornando a forragem nutricionalmente deficiente para os animais. Por exemplo, a cultivar Tanzânia-1 mantém teores de PB entre 8% e 13% ao longo do ano quando bem manejada.
2. Exigências Específicas das Cultivares
- Tanzânia-1 e Mombaça: São altamente exigentes em N, P e K. Curiosamente, a cultivar Tanzânia-1 demonstrou capacidade de obter cerca de 37% do nitrogênio necessário via fixação biológica, o que auxilia em seu estabelecimento e vigor.
- Massai: Embora exija níveis médios a altos de fertilidade na implantação, é a menos exigente do gênero em adubação de manutenção, persistindo melhor em condições de menor aporte tecnológico.
- Centenário e Vencedor: Respondem vigorosamente à fertilização; a ausência de N ou outros nutrientes em solos pobres resulta em quedas drásticas de rendimento (a produção relativa de P. maximum cai para apenas 16% sem a adubação completa).
3. Alternativa: Fixação Biológica via Leguminosas
Uma estratégia eficaz para fornecer N ao P. maximum é a consorciação com leguminosas, que fixam o N atmosférico e o transferem para a gramínea.
- Transferência de N: Em estudos com a cultivar Tobiatã, a consorciação com Centrosema acutifolium permitiu uma transferência de 67 kg de N/ha/ano para a gramínea. Já a consorciação com Pueraria phaseoloides (puerária) transferiu 44 kg de N/ha/ano.
- Ganho de Biomassa: Pastagens de P. maximum consorciadas com Galactia striata apresentaram incrementos de 20% na produção de MS em comparação com a gramínea recebendo 75 kg de N/ha/ano via fertilizante mineral.
4. Recomendações de Manejo
- Época de Aplicação: O nitrogênio deve ser aplicado obrigatoriamente durante o período chuvoso, pois sua eficiência depende da umidade do solo e de fatores como luz e temperatura favoráveis ao crescimento.
- Doses Sugeridas: Em sistemas intensivos, recomenda-se a aplicação de 80 a 120 kg de N/ha por ano, parcelada em três a quatro vezes para minimizar perdas e garantir um fluxo constante de nutrientes.
- Parcelamento: O intervalo ideal entre as aplicações em cobertura gira em torno de 30 a 45 dias durante as chuvas.
5. Dinâmica e Perdas no Sistema
O nitrogênio é altamente móvel e sujeito a perdas que devem ser monitoradas:
- Lixiviação e Volatilização: Em períodos de chuvas intensas, as perdas por lixiviação de nitratos podem chegar a 70 kg de N/ha/ano. Além disso, a volatilização de amônia (derivada de urina, fezes e fertilizantes) pode atingir 100 kg de N/ha/ano.
- Reciclagem Animal: Aproximadamente 75% do N ingerido pelos animais retorna ao solo através dos dejetos, o que ajuda a sustentar a produtividade se o manejo da carga animal for adequado.