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Brasil: No “AFTER DAY” da crise da Aftosa e no “BEFORE DAY” da Gripe Aviária


Paulo Braz de Andrade


-  De repente, o tropicão. Um tremendo sinal vermelho para  a “farra” do boi verde?

- Como?

- Quando ainda  se está no tempo dos 8 segundos,  dos corcoveios  de um dos saltos  bravios,  de  terrível round, no rodeio minotáurico das disputas de mercado,  do  agronegócio global, aparece, logo no MS, o rei do gado brasileiro, uma surpresa  bandida, como essa febre babenta?

- Estamos diante  do fenômeno: “ há males  que vêm para o bem?

- Pode  ser. O negócio  agrícola é como o showbis, tem que continuar...

- Que lição vantajosa tirar deste episódio:  de leite e de  carne - derramados?

-Propor ao mercado, e, propor aos países que suspenderam a  encomenda de carnes, uma providência de múltipla  sustentabilidade:

Celebrarmos parcerias agro-industriais e transformarmos, nos próximos  5 anos, dez  milhões de hectares de terras  de pastagens brasileiras, em terras de  cultivo de cana-de-açúcar, para produção de álcool combustível, para misturar à gasolina dos automóveis deles.

-Assim, enquanto se estabelecem as medidas de segurança sanitária, providencia-se uma solução de  reforçada sustentabilidade, matando-se com a mesma cajadada, outros coelhos da Rodada de Doha.

- Seriam produzidos cerca de 70 bilhões de litros de  combustível renovável, gerados cerca de  3,5 milhões de empregos novos diretos, e  estar-se ia produzindo mais carnes ainda, com parte dos resíduos da cana sendo utilizados como alimento para o gado.

- Seriam seqüestradas algumas dezenas ou centenas de  milhões de toneladas de moléculas de carbono da atmosfera,  e, estar-se-ia fazendo o ritual de passagem do lado do lado letal da revolução verde, para o lado sustentável da mesma revolução  na agricultura, consertando os descalabros, ambiental e da danosa competição,  num setor  de negócios que  exige e possibilita  a união e o ganho de  todos, com  a vitória da  biodiversidade e do desenvolvimento econômico.

Juntando-se a isso: a seca na Amazônia; a destruição de Nova  Orleans;  furacões de A aZ, neste  2.005;  a  explosão do preço do  petróleo;  a  gripe aviária se alastrando,  etc. , de repente, colocam no mesmo prato e no mesmo trato – as  questões : agrícola, ambiental , climática, energética, do emprego e da renda, do comércio, do direito autoral, do direito ao trabalho e ao ganho justo.


Tudo, pedindo solução conjunta, que nos nossos  artigos  afirmamos  ser  possível, com o que chamamos de SIPPALE , de  Economia Agrícola de Precisão Sustentável. (Vide artigos já publicados neste Portal Agrolink)

O desafio brasileiro, imediato, urgente, e grave, é maior que o de celeiro agrícola  e de campeão do agronegócio; é, também,  o de demonstrar e de mostrar  - modelo e caminho – da qualidade e da  equidade agrícola e do comércio – justo, pleno e de precisão – sustentável.

 

Muriaé,  24 de outubro de 2005.

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