- De repente, o tropicão. Um tremendo sinal vermelho para a “farra” do boi verde?
- Como?
- Quando ainda se está no tempo dos 8 segundos, dos corcoveios de um dos saltos bravios, de terrível round, no rodeio minotáurico das disputas de mercado, do agronegócio global, aparece, logo no MS, o rei do gado brasileiro, uma surpresa bandida, como essa febre babenta?
- Estamos diante do fenômeno: “ há males que vêm para o bem?
- Pode ser. O negócio agrícola é como o showbis, tem que continuar...
- Que lição vantajosa tirar deste episódio: de leite e de carne - derramados?
-Propor ao mercado, e, propor aos países que suspenderam a encomenda de carnes, uma providência de múltipla sustentabilidade:
Celebrarmos parcerias agro-industriais e transformarmos, nos próximos 5 anos, dez milhões de hectares de terras de pastagens brasileiras, em terras de cultivo de cana-de-açúcar, para produção de álcool combustível, para misturar à gasolina dos automóveis deles.
-Assim, enquanto se estabelecem as medidas de segurança sanitária, providencia-se uma solução de reforçada sustentabilidade, matando-se com a mesma cajadada, outros coelhos da Rodada de Doha.
- Seriam produzidos cerca de 70 bilhões de litros de combustível renovável, gerados cerca de 3,5 milhões de empregos novos diretos, e estar-se ia produzindo mais carnes ainda, com parte dos resíduos da cana sendo utilizados como alimento para o gado.
- Seriam seqüestradas algumas dezenas ou centenas de milhões de toneladas de moléculas de carbono da atmosfera, e, estar-se-ia fazendo o ritual de passagem do lado do lado letal da revolução verde, para o lado sustentável da mesma revolução na agricultura, consertando os descalabros, ambiental e da danosa competição, num setor de negócios que exige e possibilita a união e o ganho de todos, com a vitória da biodiversidade e do desenvolvimento econômico.
Juntando-se a isso: a seca na Amazônia; a destruição de Nova Orleans; furacões de A aZ, neste 2.005; a explosão do preço do petróleo; a gripe aviária se alastrando, etc. , de repente, colocam no mesmo prato e no mesmo trato – as questões : agrícola, ambiental , climática, energética, do emprego e da renda, do comércio, do direito autoral, do direito ao trabalho e ao ganho justo.
Tudo, pedindo solução conjunta, que nos nossos artigos afirmamos ser possível, com o que chamamos de SIPPALE , de Economia Agrícola de Precisão Sustentável. (Vide artigos já publicados neste Portal Agrolink)
O desafio brasileiro, imediato, urgente, e grave, é maior que o de celeiro agrícola e de campeão do agronegócio; é, também, o de demonstrar e de mostrar - modelo e caminho – da qualidade e da equidade agrícola e do comércio – justo, pleno e de precisão – sustentável.
Muriaé, 24 de outubro de 2005.