O flagelo permanente (Final)
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O flagelo permanente (Final)

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Dando continuidade à coluna passada, dizíamos que há outros elementos de desigualdade em nosso país, ainda mais objetivos. Dentre eles, temos o fato de se investir mal em educação e saúde (em 2020 o Brasil registrava 4.300 escolas sem banheiros, 8.600 não tinham acesso a água potável, mais de 35.000 delas não tinham coleta de esgoto, antes da pandemia 50% dos alunos brasileiros de 15 anos estavam com nível de proficiência abaixo do mínimo, sendo que a pandemia elevou esse índice para 71%); o fato de, entre 2012 e 2020, o rendimento do servidor público com carteira assinada ter crescido 20,4% enquanto o trabalhador privado viu sua renda crescer apenas 7,1%. Entre os militares e os servidores concursados o crescimento foi de 13,1% na renda.

No primeiro trimestre de 2012, a renda real do setor público já era 56,9% maior do que a do setor privado (R$ 3.437,00 contra R$ 2.190,00 por mês). Ora, no quarto trimestre de 2020, em plena pandemia, a diferença subiu para 76,4%. Entre a renda do trabalhador privado e a do militar e do concursado, em 2020, a diferença sobe para 91,1%. Sem falar que dentro do funcionalismo público há enormes diferenças, com uma categoria de privilegiados nos três poderes, enquanto professores, policiais e até médicos ganham muito menos. Hoje, no Brasil, temos aproximadamente entre 25% a 30% da força de trabalho desempregada, somando todas as categorias de desemprego existentes, sendo que, dos que trabalham, 40% estão na informalidade.

Enquanto isso o Congresso autoriza pedido do Executivo e dá perdão de dívidas tributárias de R$ 1,4 bilhão a igrejas de todos os matizes (e sabemos como a maioria delas funciona), nos próximos quatro anos, com prejuízo potencial de se chegar a R$ 2,9 bilhões se todos os artigos da lei forem aprovados. Enquanto isso as despesas militares, no orçamento de 2021, estão 400% acima dos valores destinados à saúde. Enquanto isso, o presidente da República gasta nas suas férias, entre 18/12/20 a 05/01/21, um total superior a R$ 2,3 milhões de dinheiro público (isso significa um pouco mais de R$ 121.000,00 por dia). A desigualdade, que impede de sermos um país melhor, tem origem na nossa organização política e social, a qual pode ser bem resolvida, como em qualquer país civilizado, desde que a sociedade assim o deseje. 


 

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