Singaseificação de lixos, biomassas etc: Eletricidade própria ou urgência sócio-ambiental?
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Singaseificação de lixos, biomassas etc: Eletricidade própria ou urgência sócio-ambiental?

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Pela importância atual, traduzi, sintetizo e analiso/complemento o importante diagnostico de dez./2020, do link ao final, por pesquisadores da conhecida e importante Consultoria Suíça “Springer Nature Switzerland AG part of Springer Nature 2021”.

RESUMO: “A urgência de se reduzir e de se promover uma gigante e constante limpeza ambiental urbana e rural, via singaseificação – rápida, muito mais barata e de qualquer porte e local – de lixos, biomassas, fezes, resíduos etc. produzirá muita energia elétrica mais vapor industrial e aquecimentos, baratos e seguros, e até hidrogênio veicular ou de uso elétrico, tudo para usos próprios e/ou para vendas.

ARTIGO -

A redução dos usos e das produções dos combustíveis fósseis e a gestão inadequada de resíduos são os principais desafios no contexto do aumento da população e da industrialização (em especial da agroindustrialização de maior porte mais das agregações mínimas de valor), exigindo novas fontes de transformação de resíduos em energia.

Por exemplo, combustíveis derivados de resíduos (urbanos e rurais como lixos, biomassas, cascas, palhas, fezes, sobras processamentos mesmo que mínimos e de alimentos etc..) podem (e devem) ser produzidos a partir da transformação de resíduos sólidos urbanos, que devem atingir 2,6 bilhões de toneladas métricas em 2030, (somente na área urbana e periurbana).

A gaseificação (na verdade, singaseificação) é uma reação química induzida termicamente e que produz combustível gasoso como hidrogênio, contido no gás de síntese (singás ou syngas). Aqui, revisamos o combustível como gaseificação derivado de lixo e com foco em práticas em diversos países, mais dos avanços recentes na gaseificação mais das modelagens de gaseificação, tudo para a análise socioeconômica. Até, descobrimos que alguns países que substituem o carvão por combustível derivado de resíduos reduzem as emissões de CO2 em 40% e diminuem a quantidade de resíduos sólidos urbanos enviada para aterros em mais de 50%. O custo da singaseificação para a produção de energia por meio de combustível derivado de resíduos é estimado em baixíssimos 0,05 USD / KWh (= apenas a US$ 50,00/MWh, muito, e muito, abaixo das demais fontes, sobretudo da solar e dos derivados de petróleo, e, comparando, somente com a solar fotovoltaica, sem ter a vida útil curtíssima de somente 5 anos das suas caríssimas baterias mais as baixas performances reais de tais baterias - em que somente se pode descarregar 40% da carga estocada, daí a, possível, elevada dependência atual deles pelos altíssimos valores atuais de compra/venda da tal GD – Geração Distribuída, em que todos podem estar pagando muito para alguns lucrarem igualmente e/ou esperta e possivelmente, transferirem – ou tentarem indefinidamente - seus elevados custos e ineficiências reais de mercados ou de escopo para seus clientes (“alguns podem até achar que no Brasil não há, nem haverá, competição real - que os consumidores tudo podem engolir, como sempre fizeram ? -, mas o que tende a não perdurar, mesmo com os intensos lobbies corporativos a favor e até por funcionários públicos e dos governos). Também, a co-gaseificação usando duas ou mais matérias-primas parece mais benéfica em relação à gaseificação convencional, em termos de formação mínima de alcatrão e de melhoria da eficiência do processo.

Conclui-se que o futuro da aplicação de combustível derivado de resíduos (singás) em escala global tem uma perspectiva promissora, considerando a precisão e a confiabilidade dos projetos de modelagens e de produções experimentais / industriais em tempo real, o que é suplementada pela urgência em resolver uma das crises ambientais iminentes da humanidade. No entanto, existem vários desafios que precisam ser enfrentados para garantir a adoção adequada e equitativa desta tecnologia em todo o mundo. Atualmente, o desenvolvimento de instalações de combustível derivado de resíduos (singás) está concentrado nos principais países como EUA, Europa, China, Japão e Índia (sobretudo nas cidades a beira mar, como na América do Sul, sendo que no Brasil 70% das pessoas residem até 350 km da beira mar - e está ampliando -, o que é péssimo, caríssimo e perigoso, estrutural e socioambientalmente, e muito colaborando para a destruição marinha progressiva e bem mais rápida).

Além disso, o desenvolvimento de combustíveis derivados de resíduos (singás e outros por modernos, seguros e rápidos singaseificadores e não biogás de biodigestores ou de aterros sanitários), tanto em nações desenvolvidas, como em desenvolvimento, e entre as regiões urbanas e rurais apresenta um conjunto único de desafios (em especial de Governos, Instituições de pesquisas e de empresas, que ainda pouco conhecem e nada focam em tais pesquisas e desenvolvimentos, fundamentais e muito baratos, para seus povos e lucros. Na América do Sul, em especial, a maioria das empresas são familiares e que, raramente, querem expandir e sair do seu preguiçoso, lento e pouco lucrativo/empregativo foco, e que chamam, erroneamente, de “core business”, daí a necessidade da entrada urgente de novos atores/investidores/financiadores externos - convidados ou não e aceitos ou não - e daí os elevados sucessos e seguidas ampliações dos IPOs na BOVESPA, inclusive, proximamente, para comprar, investir e garantir sustentabilidade em longo prazo de todos, inclusive industrias e governos, via os fundamentais e crescentes negócios com créditos de carbono.

A barreira de entrada para o estabelecimento de instalações de combustível derivado de resíduos (singás) em países em desenvolvimento tende a ser maior devido à falta de fundos de investimentos e outros investidores/financiadores disponíveis (que sequer estudam ou conhecem tais tesouros tecno-financeiros muito mais lucrativos do que seus investimentos atuais, especulativos ou não), mais de resíduos sólidos municipais adequados (quanto mais pobre, menor é o poder calorifico do lixo e dos resíduos) mais da gestão pública e privada pela consolidação ou privatização (a maioria publica ainda se esconde nos nefastos, caríssimos - o triplo dos preços dos eficientíssimos singaseificadores de médio/grande portes, mesmo que importados da Alemanha, Espanha,  China e Índia -  e com curtíssima vida útil de 15 a 20 anos, dos nefastos aterros sanitários/derruba políticos) mais de políticas governamentais inexistentes e mais falta de conscientização pública. Como tais, os governos dessas nações precisam formular de forma proativa as políticas necessárias e induzir a conscientização pública, ao mesmo tempo em que direcionam os fundos de investimento/financiamentos baratos, reais e poucos exigentes em garantias, mas bastante necessários – até fundamentais - para se implantar e se estabelecer instalações de combustíveis derivados de lixos, biomassas, fezes e resíduos (singás). No entanto, na maioria dos países de das rendas baixas e médias, a existência de setor informal de coleta e processamentos - pouco eficientes e realmente até maléficos socioeconômica e ambientalmente para todos (após as pré-seleções e catagens dos lixos brutos iniciais – muito empobrecendo seu valor calorifico e impossibilitando a real singaseificação boa para todos, inclusive para os catadores bem organizados/incentivados -, o destino final da tal pasta fedorenta mais dos chorumes é sempre os aterros, os rios ou os subsolos próximos ou o lençol freático) . Assim, a tal coleta seletiva (e seu empobrecimento burro dos resíduos e com a produção elevada de seus restos muito contaminantes para todos os biomas, biotas e sociedade etc.) pode ser mais um desafio na racionalização da gestão de resíduos sólidos municipais, pois já representa fonte de renda, muito baixa, para parte significativa da população de baixa qualificação e/ou desempregada/abandonada e esquecida/camuflada socialmente (Aparcana 2017; Sandhu et al. 2017), isto mesmo que com os muitos prejuízos socioambientais e econômicos, atuais e futuros, para a maioria, inclusive para eles.

Enquanto isso, a diferença nos tamanhos das populações urbana e rural tem seu próprio conjunto de perspectivas e de desafios. Regiões urbanas com alta população tendem a têm maior quantidade de resíduos sólidos urbanos produzidos onde a perspectiva de instalar/desenvolver instalações de combustíveis derivados de resíduos é mais fácil e brilhante, tanto para os governos, quanto para o setor privado, em comparação com as regiões rurais (no Brasil, isto pode ser bem diferente, graças a Deus). No entanto, as mudanças necessárias da gestão de resíduos sólidos nos municípios e seus necessários investimentos de alto nível pode representar um desafio.

Já na área rural, a falta de população considerável (ainda em migração continuada, intensa e errônea para as áreas urbanas) pode, por sua vez, não conseguir atrair o desenvolvimento de instalações de combustíveis derivados de resíduos (singás) por alguns fatores, incluindo o possível baixo valor calorifico dos resíduos produzidos localmente e a serem fornecidos como matéria-prima.

Por outro lado, beneficamente, com o desenvolvimento rápido, significativo e muito lucrativo/empregativo - que com certeza ocorrerá proximamente, queiram, as máfias, ou não - dos combustíveis derivados de resíduos, a tecnologia da singaseificação pode abrir o caminho para se alcançar uma meta, onde os resíduos sólidos não serão mais vistos como resíduos, mas, sim, como fontes de energia sustentável.

No que diz respeito à co-gaseificação – bem pesquisada, medida, responsável e para não criar novos problemas/dificuldades - dos combustíveis derivados de resíduos com outros materiais, bem mais ricos calorificamente embora com volumes bem menores (como pneus velhos, plásticos, podas de arvores e de jardins, fezes humanas, florestas especiais como a seringueira e os cocos etc., todos com elevado poder calorifico e a bem medir, triturar, desidratar para 14% de umidade (o lixo urbano bruto e singaseificável - somente este - tem até 50% de umidade), tudo na entrada dos singaseificadores para se obter um PCI mínimo na entrada de 2.830 kcal/kg e a bem misturar com o lixo urbano e demais resíduos, desde que brutos, das vilas pobres etc.. para enriquecê-los e valorizá-los, inclusive para a causa socioambiental local ou regional) mais muito mais pesquisas, especialmente em modelagens, deverão serem efetivadas rapidamente (patrocinadas/financiadas/investidas, incentivadas e testadas, publica ou privadamente). Este aspecto é necessário para defender a co-gaseificação, de forma a se comprovar suficientemente os benefícios a fim de atrair investimentos/financiamentos e parcerias – socioeconômicas e ambientais reais para todos – governamentais, cooperativos e privados.

Vide e também analises o original recente em inglês em: https://link.springer.com/content/pdf/10.1007/s10311-020-01177-5.pdf

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