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Utilização de Bancos de Proteína


Newton de Lucena Costa

A utilização de bancos de proteína representa uma das alternativas mais viáveis para assegurar a produtividade animal em Roraima, especialmente durante o período de estiagem, quando a qualidade das pastagens de gramíneas declina bruscamente,.

1. Introdução

Na Amazônia, a exploração pecuária fundamenta-se em pastagens cultivadas predominantemente por gramíneas, que apresentam baixa disponibilidade e valor nutritivo na época seca, resultando em perda de peso e queda na produção de leite. Os bancos de proteína são piquetes exclusivos de leguminosas forrageiras, utilizados de forma estratégica para suplementar o rebanho,. Essas plantas possuem alto conteúdo proteico, melhor digestibilidade e maior resistência à seca em comparação às gramíneas, além da capacidade de fixar nitrogênio (N) atmosférico no solo através de simbiose com bactérias do gênero Rhizobium,.

2. Espécies Recomendadas

A escolha da leguminosa deve considerar a produtividade, palatabilidade, persistência e tolerância a pragas. As espécies recomendadas para as condições edafoclimáticas da Amazônia incluem:

  • Amendoim forrageiro (Arachis pintoi): Alta palatabilidade e resistência ao encharcamento.
  • Guandu (Cajanus cajan) e Leucena (Leucaena leucocephala): Arbustivas de alta produtividade e teor proteico elevado,.
  • Puerária (Pueraria phaseoloides) e Desmódio (Desmodium ovalifolium): Prostradas com boa adaptação aos trópicos úmidos,.
  • Estilosantes (Stylosanthes guianensis) e Acácia (Acacia angustissima): Variam de hábito semi-ereto a arbustivo com alta resistência à seca.

3. Manejo

  • Estabelecimento: O preparo do solo via gradagem é o recurso mais eficiente para o plantio, que deve ocorrer no início do período chuvoso. A profundidade de semeadura recomendada é de 2,0 a 5,0 cm. O plantio pode ser realizado em linhas ou a lanço.
  • Dormência das Sementes: A maioria das leguminosas possui sementes duras (60% a 90%) que exigem escarificação (térmica, química ou mecânica) para permitir a germinação. Métodos como imersão em água a 80ºC ou ácido sulfúrico são comuns, dependendo da espécie,.
  • Utilização: O banco de proteína deve ocupar entre 10% e 15% da área total da pastagem. O acesso dos animais deve ser controlado: recomenda-se uma a duas horas de pastejo por dia na época chuvosa (após a ordenha) para evitar distúrbios metabólicos como timpanismo, aumentando para duas a quatro horas na época seca.
  • Descanso Estratégico: Deve-se vedar a área dois a três meses antes do fim das chuvas para acumular biomassa para o período crítico.

4. Produtividade e Composição Química da Forragem

As leguminosas tropicais apresentam, em média, 17% de proteína bruta (PB), contra 9% das gramíneas. Estudos realizados pela Embrapa na Amazônia demonstram resultados expressivos:

  • Teores de Proteína: A leucena pode atingir 25% de PB em ramos jovens, enquanto o amendoim forrageiro varia entre 18% e 24%,. O guandu e a puerária mantêm níveis entre 16% e 20%,.
  • Produção de Leite: O uso de bancos de Pueraria phaseoloides ou Desmodium ovalifolium como complemento aumentou a produção para cerca de 7,25 a 7,43 kg de leite/vaca/dia, superando os 6,10 kg obtidos apenas com gramíneas na seca,.
  • Capacidade de Suporte: Um hectare de banco de proteína bem manejado pode alimentar de 15 a 20 vacas no período chuvoso e de 10 a 12 na seca.

 

5. Considerações Finais

A implantação de bancos de proteína é uma ferramenta de sustentabilidade que reduz a necessidade de fertilizantes nitrogenados sintéticos e evita o uso de queimadas para eliminar forragem de baixa qualidade,. Além do ganho nutricional direto para o animal, o sistema promove a recuperação da fertilidade do solo através da reciclagem de nutrientes e fixação biológica, tornando a pecuária regional mais competitiva e ecologicamente correta,.

 

Newton de Lucena Costa (Embrapa Roraima), João Avelar Magalhães (Embrapa Meio Norte)

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