- Pode?
- Com certeza, temos tudo para chegar a este estágio, etapa e Era. Mas, temos que transpor as últimas barreiras, que se enfileiraram como as pedras de um sinuoso dominó, mental, que precisamos armar. Ou seja, temos que compreender e montar a grande equação, que a questão agrícola formou, nas últimas duas décadas, decifrando micro e macro economicamente, as suas componentes.
- Vejamos o caso Brasil. Possui uma EAI?
- Quase! Tem tudo pra chegar lá. Por enquanto, patina sobre o gelo escorregadio de um mercado capcioso.
- Como assim?
- O Brasil, nas últimas duas décadas, engendrou a mais competitiva economia agrícola do Planeta e, por causa disto, sua economia geral tem marcado passo, não cresce. Décadas, por enquanto, perdidas. Porquê?
- Porque tem tido governos incompetentes, políticos corruptos, criminalidade alta, etc.
- Em parte, isso é correto, mas, por causa do cheque-mate desse tipo de jogo de xadrez de mercado agrícola, vicioso, que se pratica, desde 1985, principalmente, é que o Brasil tem marcado passo, e obtido vitórias de Pirro, na sua agricultura.
- Não estou entendendo?
- Olha. Como é sabido, um país tem que produzir cerca de 400 kg de grãos, por pessoa , ano. Isso, para ter segurança alimentar. E, o Brasil produz 700 e vai chegar a mil, com certeza. E, nessa ordem agrícola, atual, ainda não desfruta de segurança alimentar, embora seja, o maior exportador de soja, de frango, de carne bovina, de café, de açúcar, de álcool combustível, de suco de laranja.
- Explica melhor?
- O Brasil, nestas duas últimas duas décadas, apurou (montou) a agricultura mais livre, competitiva, criativa, diversificada, do mundo; e conta com as maiores reservas de terras agricultáveis, possui o clima mais favorável e as melhores reservas de água. Entretanto, a fome ainda é grande e a desnutrição atinge grande parte da sua população. E, a grande maioria dos agricultores não estão garantidos, produzem mais, viram e mexem, voltam sempre ao vermelho.
- Até aí, tudo isso é sabido, e, todos sabem que é por causa das políticas agrícolas – de subsídios e de protecionismo – que os países ricos da OCDE praticam, desde 1985, e, que foram objetos de discussão na Rodada Uruguai (1986-1993), do antigo GATT e está sendo, atualmente, a principal questão, na rodada de Doha, da OMC. O que tem isso, a haver com a tal de EAI –Economia Agrícola Inteligente?
- Vamos direto ao assunto. Neste momento, o Ministro Celso Amorim, acaba de patinar no gelo frio da luta pela diminuição das taxas alfandegárias, para os produtos agrícolas, cobradas pelos países da União Européia, na reunião, em Londres, no dia 07 de novembro, entre o Brasil e os representantes da Índia, EUA, Japão e União Européia.( Leitor, vale a pena clicar pelo Google, o site da BBC - Brasil, seção Economia, e ler as 2 matérias com as fotos do nosso barbudo ministro das Relações Exteriores. Resumidamente, é o seguinte : Em dezembro, em Hong-Kong, haverá, importante reunião entre todos os membros da OMC, para ver se encontram o fecho para a Rodada de Doha, que, vem se arrastando, na realidade, desde 1999, com o nome de Rodada do Milenium, que se tentou realizar, em Montreal , mas, foi inviabilizada pelos protestos das ONGs, nas agitações de rua. A rodada acabou recebendo o nome de Doha, porque realizada, no Quatar, tempos depois. Pois bem, em Hong Kong, vai se procurar completar as negociações comerciais, das regras do tal tabuleiro de xadrez da economia, que os países disputam, para aperfeiçoação da ordem econômica global. Tabuleiro e peças do jogo, atrapalhados devido ao cerne da questão agrícola, que virou um tumor, com enorme carnegão
- Ah! Tou entendendo...???
- É isso sim, precisa-se retirar os bernes, os carrapatos e curar as bicheiras da grande vaca sagrada da agricultura mundial, - para o advento de uma época e era de uma ordem econômica sustentável inteligente, temos que contar com a inteligência, a compreensão, e, com o esforço diligente, de muita gente. Principalmente, dos assinantes do Portal Agrolink, para que, juntos, nos tornemos força negociadora pppppistas (parcerias público privadas populares participativas ). Compreendeu?
- Compreendemos. Claro!?
- É isso mesmo. Você e outros leitores estão convidados para participarem, de múltiplos modos, da montagem de SIPPALES, que, de fato são as maneiras da economia agrícola inteligente, substituir essa geringonça de economia agrícola, e, esse escabroso mercado agrícola global, onde se digladiam 6,3 bilhões de consumidores; quando, na realidade, já poderíamos, todos, ser convivas de um cordial e constante Banquete.
- Fuiuuu... Que é isso, companheiro?
- O ministro Amorim foi incomodado pelo comissário comercial da União Européia, Peter Mandelson, que na reunião, de Londres, no dia sete, queria, primeiro, "avançar" a conversa, passando por cima do tema da agricultura e indo direto para os temas da indústria e dos serviços.
(Leitor, chamo sua atenção para ler, por favor, o jornal online, gratuito, em português, da BBC Brasil.
Acesse pelo Google que é mais fácil. E veja, hoje, 9 de novembro, a queixa do Amorim, ontem, em Genebra. Leia também a queixa do Mandelson, contra as atitudes exportadoras agrícolas agressivas, de Brasil, Austrália e EUA, feitas em matéria relacionada, no dia sete de novembro.
Ambos, Amorim e Mandelson, embora divergindo, tem suas razões; E, vejam como o representante francês, membro da União Européia, mais conservador ainda, desautoriza as fracas concessões, do comissário Mandelson. Na realidade leitor, estou me oferecendo como uma espécie de guia turístico, pelo intrincado labirinto, para juntos, montarmos o touro bandido e minotáurico, da grande novela da agricultura e de seu errático, perverso e melindroso comércio.
Fico numa espécie de tião-dinho-carreirinha, desse assunto tão maçante e melindroso. A nossa sorte é que belas sols e neutas nos aguardam, no final do rodeio. E vice-versa. Quero dizer, da Rodada de Doha!!! ???. Creu.)
- Retomando e resumindo a ópera da questão agrícola. Desde 1986, o Brasil e seus parceiros do Grupo de Cairns, pelejam com a Europa, para a liberação do comércio agrícola. Ou seja, para ver quem é mais competitivo e mais forte na agricultura. (vide Google, Grupo de Cairns). Quem é o maioral, mais agressivo, econômica e ambientalmente. Quem é mais revoluçãoverdiano.
Enfim, quem será o rei do agronegócio? Não importa o interesse e a real segurança e garantia alimentar. O mais cru laisser faire, laisser passer, predomine. Neca de desenvolvimento agrícola sustentável, multifuncional, de mercado justo, etc; só importa o big-agronegócio e a ferramentalidade bolssística empresarial, etc e tal. Vamos deixar a região amazônica virar pasto e dane-se o efeito estufa. O desemprego e a favelização que continuem.
Para os atuais ordenadores da economia e do comércio agrícola, basta melhorar um pouco mais, isso que está aí. As bases e os fundamentos técnico-econômico-filosófico-jurídicos - já estão definidos; dizem – governo, empresários, universidades, instituições de pesquisa e de planejamento. As regras estão boas, o jogo de livre e bruto mercado global, atual, servem; asseveram. Façamos nossos deveres de casa. Alunos obedientes do Consenso de Washington, do FMI e desta ordem, continuemos a ser; submetem-se.
Mais custa, revido.
- Êpa, céus! Paz no Céu!
- Upa, Paulo! Digo, eu.
Muriaé, 09 de novembro, de 2.005.
Paulo Braz de Andrade.
Para, a Aracy, Ara e para a Zezé