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Estrutura da Pastagem e Desempenho Animal


Newton de Lucena Costa

O desempenho animal em sistemas de produção baseados em pastagens é o resultado de uma complexa interação entre o solo, a planta e o animal, onde a estrutura do relvado, a produtividade e a qualidade da forragem atuam como elos determinantes,.

1. Estrutura da Pastagem e Morfogênese

A estrutura de uma pastagem — definida por variáveis como o tamanho das folhas, a densidade de afilhos e o número de folhas por afilho — é o reflexo direto da morfogênese da planta,.

  • Fluxo de Tecidos: Características como a taxa de aparecimento foliar (TAF) e a taxa de expansão foliar (TEF) determinam a dinâmica de biomassa e o Índice de Área Foliar (IAF),.
  • Interceptação Luminosa: O IAF é crucial para a produtividade, pois está relacionado à interceptação da energia solar para a fotossíntese. Quando o IAF atinge o nível crítico (95% de interceptação), a planta maximiza seu rendimento, mas o manejo deve evitar o IAF teto, onde o sombreamento excessivo causa a senescência das folhas basais e reduz a qualidade,.
  • A estrutura do pasto exerce uma influência central e determinante sobre o gado, afetando tanto o processo de consumo de forragem pelos animais em pastejo quanto, consequentemente, o desempenho e a alimentação do rebanho.
  • A estrutura do dossel forrageiro é o arranjo ou a disposição da parte aérea da planta no pasto, ou seja, a forma como os órgãos da planta (folha, colmo e material morto) estão organizados e disponíveis ao anima

2. Produtividade e Capacidade de Suporte

A produtividade de forragem (quantidade de matéria seca por hectare) é influenciada pela fertilidade do solo, clima e manejo,.

  • Capacidade de Suporte: O volume de forragem produzido determina diretamente a lotação da pastagem, ou seja, o número de animais que a área comporta sem comprometer a persistência das plantas,.
  • Reserva de Nutrientes: O manejo deve respeitar o tempo de descanso para que a planta acumule carboidratos não-estruturais (CNE) em suas raízes e bases de colmo, garantindo o vigor de rebrota após o pastejo,.

3. Qualidade da Forragem e Consumo Animal

Enquanto a produtividade afeta a produção por área, o valor nutritivo (qualidade) afeta a produção por animal (kg de carne/animal ou leite/vaca).

  • Composição Química e Digestibilidade: A qualidade é representada pelos teores de proteína bruta, minerais e pela digestibilidade da matéria seca,. Plantas mais jovens e com maior relação folha/colmo apresentam melhor valor nutritivo,.
  • Fator Consumo: O desempenho individual depende primordialmente do consumo voluntário, que é afetado pela disponibilidade de forragem, palatabilidade e velocidade de passagem pelo trato digestivo,. Se a estrutura do pasto for muito fibrosa (muito colmo e material morto), o consumo é limitado pela capacidade do rúmen,.

4. A Relação com o Desempenho Animal

O manejo eficiente busca equilibrar a produção por animal e a produção por área através do controle da pressão de pastejo.

  • Subpastejo (Pressão Baixa): Há alta disponibilidade de forragem e oportunidade para o pastejo seletivo, resultando no máximo ganho por animal, mas a produção por área é baixa e a qualidade do pasto pode cair devido ao acúmulo de material maduro e senescente,.
  • Superpastejo (Pressão Alta): Aumenta-se o número de animais, mas a restrição de forragem disponível reduz o ganho individual e, em casos extremos, também o ganho por área, podendo levar à degradação da pastagem por esgotamento das reservas da planta,.
  • Zona Ótima: O objetivo é manter a pressão de pastejo em níveis que conciliem elevada produção de forragem com alto valor nutritivo, propiciando os maiores ganhos por área.
  • Composição Morfológica e Valor Nutritivo: Uma das características estruturais mais importantes é a composição morfológica (percentagens de folha viva, colmo vivo e forragem morta). O aumento de folhas vivas em relação ao colmo e à massa morta é um indicador de que a planta tem melhor valor nutritivo e maior facilidade de consumo pelos animais.
  • Facilidade de Consumo (Ingestão): A estrutura do pasto, especialmente a altura do dossel, a densidade de perfilhos e o índice de área foliar (IAF), influencia as características do bocado do animal, como massa e taxa de ingestão de forragem.
  • Pastos Mais Densos: Uma maior densidade populacional de perfilhos resulta em pastos mais densos, o que pode levar a uma maior massa dos bocados do animal em pastejo.
  • Altura Adequada: Pastos com uma amplitude de altura favorável (como 20 a 40 cm para capim-marandu) resultam em uma estrutura que é favorável ao consumo e desempenho dos bovinos

Considerações Finais

Em resumo, a estrutura do pasto define o "cardápio" disponível; a produtividade dita quantos "clientes" podem comer; a qualidade determina o quão "nutritiva" é a refeição; e o desempenho animal é a prova final de que todos esses fatores foram bem manejados.

 

Newton de Lucena Costa (Embrapa Roraima), João Avelar Magalhães (Embrapa Meio Norte)

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