4. Nutrientes
A produtividade de uma pastagem de gramíneas depende de vários fatores, como condições climáticas, edáficas e manejo a que são submetidas, principalmente em relação ao nível de nitrogênio, por tratar-se do nutriente mais limitante ao crescimento das plantas (CHAPIN et al., 1987), cuja deficiência afeta negativamente a fotossíntese, reduzindo a síntese e atividade da enzima responsável pela assimilação do CO2 (Rubisco) (MAKINO et al., 1984). Alterações deste tipo podem ter significado bastante expressivo em termos práticos, podendo-se obter respostas lineares de rendimento de MS até o nível de 300 kg N/ha, em gramíneas sob lotação contínua (Soares, 1999). Por outro lado, o nitrogênio é o insumo de custo mais elevado nas pastagens cultivadas de inverno. Segundo Restle et al. (1999), a adubação nitrogenada (445 kg de uréia/ha) representou 41,77% da composição dos custos para implantação e uso da pastagem de aveia preta mais azevém. Utilizando a mistura de triticale mais azevém, Soares (1999) cita que a adubação nitrogenada (389 kg de uréia/ha) representou 39,86% do custo total da pastagem. Quando há uma adequada oferta de N no solo, a sua maior absorção pela gramínea afeta positivamente a produtividade de forragem, contudo, não se observa um incremento linear no seu conteúdo de N, como conseqüência do declínio da quantidade de N absorvida por unidade de biomassa adicional (GREENWOOD et al.,1990; LEMAIRE; SALETTE, 1984). A absorção e alocação de N entre os diversos compartimentos da planta contribuem para o entendimento dos processos que governam o fluxo de N e suas relações com à qualidade ambiental e à qualidade do produto, pois a absorção e acumulação de N nos cultivos representam os dois maiores componentes do ciclo do N no agroecossistema (LUSTOSA, 2002).
Algumas características estruturais podem ser modificadas conforme a disponibilidade dos nutrientes para as plantas forrageiras. A produção de perfilhos, que pode ser controlada pela disponibilidade do nitrogênio e, em menor escala, pelo fósforo e o potássio, podendo acentuar o aparecimento de folhas no perfilho, favorecendo maior interceptação de luz. O tamanho da folha é também importante, mas em algumas espécies é inversamente proporcional à taxa de aparecimento, sendo observadas variações entre e dentro de espécies (HUME, 1991). Em ambiente uniforme, a taxa de aparecimento de folhas é considerada constante, porém é amplamente influenciada por mudanças estacionais, que podem ser causadas pela disponibilidade de água e nutrientes no solo.
Em sistemas de pastejo, a constante remoção da área foliar previne a máxima absorção de luz por um período extenso, minimizando a competição por este recurso, mas pode diminuir o desenvolvimento das raízes, acentuando a competição por nutrientes. O contrário pode ser esperado em sistemas em que se mantém constante a área foliar. Stobbs (1975) verificou que doses crescentes de nitrogênio mineral aplicados à Setaria anceps cv. Kazungula aumentaram a produção de MS total e de folhas, particularmente nas camadas superiores do dossel. Pearse e William (1984) avaliando o efeito do intervalo de cortes e doses de adubação nitrogenada em azevém perene constataram o favorecimento da produção de primórdios foliares com a aplicação de nitrogênio. A taxa de alongamento foliar aumentou de 4,2 para 12,1 mm/perfilho.dia, devido à adição de nitrogênio na dose de 132 kg/ha. Davies (1971) verificou que o aparecimento de folhas nessa espécie foi bastante influenciado pela dose de nitrogênio aplicado. Segundo Mazzanti et al. (1994), quando se aumenta a dose de nitrogênio aplicada, sem o conseqüente ajuste da pressão de pastejo, no caso de lotação contínua ou de diminuição no intervalo de descanso em lotação intermitente, pode-se estar permitindo aumento exagerado da senescência, acúmulo de material morto e queda na taxa de crescimento da pastagem Em geral, ocorre diminuição na duração da vida da folha em alta disponibilidade de nitrogênio, em função da competição por luz, determinada pelo aumento da taxa de alongamento foliar e pelo maior tamanho final das folhas, assim, os resultados de decréscimo na duração da vida da folha com as doses de nitrogênio são explicados pela maior renovação de tecidos em plantas adubadas com nitrogênio. Os primórdios foliares de azevém perene (L. multiflorum Lam.) quando estabelecido em solo com condição hídrica adequada e fertilização nitrogenada, passaram a se expandir rapidamente, aumentando o número de folhas vivas/perfilho (MAZZANTI, 1997). Blombäck e Eckersten (1997) simulando o crescimento e a dinâmica de nitrogênio em azevém perene, constataram que o efeito combinado de baixas temperaturas e disponibilidade de N reduziram o crescimento potencial da gramínea em até 80%, limitando a maximização da radiação solar interceptada. O estresse de N isoladamente, contribuiu para a redução do crescimento em 50%, sendo este o principal fator de redução.
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